A Cidade do Cabo continua a atuar como motor econômico do Cabo Ocidental, fornecendo 72% do produto regional bruto (PRB) e 62,8% do emprego na província em 2024.
Esses dados foram apresentados no Relatório Econômico Municipal e Projeção para 2025/26 (MERO), que foi apresentado pelo Tesouro Provincial ao órgão legislativo na terça-feira. De acordo com o relatório MERO, apresentado pela primeira vez pela Ministra das Finanças Deidre Bartman em março, o PRB da Megalópole atingiu 666,3 bilhões de randes em 2024.
Embora o número total de empregos tenha sido de 1,6 milhão, houve também uma redução de 24.125 empregos na Megalópole, e a taxa de desemprego no mesmo período foi de 25,2%.
O economista do Tesouro Provincial, Ashley Rasul, que apresentou o relatório ao Comitê de Orçamento, observou que a Megalópole reflete o clima econômico geral e o estado da província. Ele enfatizou que este não é um fator isolado para o Cabo Ocidental, mas sim uma característica histórica da economia sul-africana, onde as megalópoles são os centros econômicos.
Rasul indicou que a economia da Megalópole é amplamente baseada em serviços financeiros. Ele alertou que o crescimento do PRB sem absorção de mão de obra não faz sentido, pois agrava a desigualdade e os problemas sociais, o que pode levar a protestos e instabilidade socioeconômica.
Na opinião de Rasul, a capacidade da economia crescer depende de dois fatores principais: o nível de qualificação da força de trabalho e sua inclusão nos setores econômicos de crescimento chave, bem como da infraestrutura que apoia a atividade econômica.
A economia da Megalópole se apoia no setor terciário, incluindo transporte, armazenamento, telecomunicações e finanças. Rasul observou que este setor altamente qualificado com baixa absorção de mão de obra impulsiona a economia da Megalópole e do Cabo Ocidental.
Ele acrescentou que, no futuro próximo, o setor secundário, ou seja, produção e construção, desempenhará um papel decisivo na economia. A produção, que possui uma vantagem comparativa significativa, contribuiu apenas com 0,1% no período de 2021 a 2023 e não é prevista para um crescimento significativo. Da mesma forma, espera-se que a construção diminua, o que representa um problema.
Rasul também apontou que o porto permanece um forte motor de crescimento e uma área para desenvolvimento futuro. Enquanto o varejo, hotelaria e serviços públicos garantiam a estabilidade do emprego, surgiu a necessidade de prestar atenção à absorção de trabalhadores de baixa e média qualificação.
O especialista afirmou que a cidade está sob pressão nos setores de produção e construção. Ele enfatizou que, para a recuperação da economia, seja ela regional ou nacional, o primeiro passo deve ser sempre o desenvolvimento da produção em qualquer sociedade.
Rasul mencionou a necessidade de expansão do porto e do novo aeroporto proposto, destacando a enorme importância desses projetos para a economia. Além disso, ele observou que a Megalópole se posiciona, especialmente em termos de produção, dentro da economia verde. Isso abre novas oportunidades, mas exige novas habilidades, nas quais as estratégias de desenvolvimento de habilidades devem ser direcionadas, desde o ensino médio até os faculdades FET, para corresponder a essa economia.
Em seguida, ele indicou que a infraestrutura e a construção podem se tornar grandes motores econômicos devido ao histórico alto nível de absorção de mão de obra. As oportunidades incluem a expansão da economia verde, o uso da recuperação do turismo e a aceleração dos investimentos em infraestrutura.
Rasul apelou aos membros da Assembleia Legislativa para que considerem os riscos climáticos, questões de segurança e problemas de água que existem não apenas na cidade, mas em toda a província. Ele concluiu que, apesar do notável crescimento populacional, a Megalópole sempre será a economia mais forte da província, mas também vítima do padrão de migração interna que exige serviços básicos. Ele também observou os problemas persistentes com o aumento dos custos de energia e água, classificando a autossustentabilidade dos investimentos em infraestrutura, desenvolvimento de habilidades e educação como decisões políticas chave a serem consideradas.



