Um esforço de oito anos foi dedicado à preservação de um marco histórico no Campus Yanyuan da Universidade de Pequim. Em 2015, uma equipe de arquitetura inspecionou o Edifício de Tecnologia Educacional, localizado na Rua Wusi, e descobriu que a construção estava ameaçada de demolição devido a um novo plano de desenvolvimento do campus.
Através de investigações complementares, a equipe verificou que o prédio, finalizado em 1988, já havia sido uma das instalações de ensino mais modernas de Yanyuan. Ele abrigava o maior auditório do campus e era fundamental para o ensino, trocas acadêmicas e eventos públicos. Este edifício testemunhou a evolução do campus da Universidade de Pequim após a Reforma e Abertura da China, carregando as lembranças de muitas gerações de professores e alunos.
Entre todos os prédios de ensino erguidos em quase quarenta anos, abrangendo as décadas de 1960 a 1990, este permaneceu como o único preservado na área central do campus.
Reconhecendo o valor histórico da edificação e seu papel na manutenção da memória coletiva, a equipe de projeto sugeriu sua conservação e reutilização adaptativa. Em 2018, a Universidade de Pequim tomou a decisão de proteger o Edifício de Tecnologia Educacional, e em junho de 2019, ele foi formalmente incluído como um dos primeiros Edifícios Históricos de Pequim.
A jornada, que foi desde o risco de sumir até obter o status de proteção e, finalmente, ser transformado no Edifício Zhihua da Escola de Ciências Matemáticas da Universidade de Pequim, representa mais do que apenas uma renovação arquitetônica. É uma reflexão sobre como a cultura do campus pode prosseguir e evoluir por meio da arquitetura.
Diante de um edifício dos anos 80, composto por treze volumes distintos e diversos sistemas estruturais, o projeto seguiu o conceito de «intervenção mínima», implementando ajustes pontuais para atender às necessidades dinâmicas da disciplina. Por meio de reforços estruturais e reconstrução seletiva, a equipe de projeto redefiniu as relações espaciais e garantiu um fluxo de circulação ininterrupto.
O piso térreo foi convertido em um espaço público aberto, conectando o auditório, o salão multifuncional e as áreas de exposição. Os andares superiores foram destinados a escritórios do corpo docente e espaços de pesquisa, equilibrando assim o estudo concentrado com a troca acadêmica.
As antigas salas de aula em patamares foram adaptadas para se tornarem áreas de leitura e biblioteca, conectadas verticalmente, aproveitando a altura generosa. Uma escada em dupla hélice une os diferentes níveis, conferindo um caráter público renovado aos antigos locais de ensino. Na reforma do grande auditório, o projeto manteve a memória espacial original ao inserir uma nova estrutura em grelha metálica para sustentar as treliças do telhado e as cargas de cobertura existentes. Além disso, foram integrados sistemas prediais, soluções de iluminação e estratégias acústicas para suprir as exigências do intercâmbio acadêmico moderno. A convivência entre o antigo e o novo permite que a história sirva de alicerce para a continuidade do espírito do local.
O Edifício Zhihua traduz a lógica matemática em vivência espacial. No grande auditório, painéis acústicos utilizam a sequência de Fibonacci, que se aproxima da Proporção Áurea. O hall de entrada oeste exibe a ordem matemática através do ladrilhamento pentagonal de Penrose, enquanto o hall de entrada leste converte o teorema de Pitágoras em uma instalação translúcida, apresentando padrões de luz e sombra coloridos.
A cobertura reflete a ordem geométrica pela forma elegante de arcos de três centros. As paredes manifestam a beleza da proporção com painéis acústicos baseados na sequência de Fibonacci. A escada une leitura e comunicação através da geometria sofisticada de uma curva em dupla hélice. O teto revela a sabedoria matemática oriental por meio de um claraboia oculta derivada do teorema de Pitágoras. As placas de identificação das portas incorporam sistemas numéricos de vários países, ilustrando a natureza universal da matemática como linguagem global.
Estes componentes de design não são meros adornos simbólicos, mas sim interpretações espaciais da ordem, da lógica e da beleza intrínsecas à matemática. Eles transformam conceitos matemáticos abstratos em experiências espaciais concretas, fazendo do edifício um «museu matemático» que pode ser explorado e compreendido.
A regeneração do Edifício Zhihua não busca replicar o passado, mas sim explorar futuros possíveis dentro da linha da história. Ela preserva a memória coletiva da Universidade de Pequim, moderniza os ambientes acadêmicos para as necessidades atuais e revitaliza um espaço que conecta conhecimento, estudantes, professores e intercâmbio. Assim, o projeto avança o espírito da Universidade de Pequim, que consiste em «preservar a tradição enquanto abraçar a inovação». Os oito anos de dedicação preservaram não apenas um edifício, mas um local onde o espírito do lugar pode continuar a se manifestar.

