A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta de que o surto de Ebola na República Democrática do Congo está se espalhando mais rápido do que as medidas de resposta conseguem lidar. Em alguns focos, o número de novas infecções está dobrando, e profissionais de saúde na linha de frente estão prejudicando os serviços devido a greves.
O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez este alerta na quarta-feira durante uma visita à RDC, observando que esta epidemia de Ebola é a de crescimento mais rápido na história. Após reuniões com funcionários governamentais na capital, Kinshasa, Tedros declarou em um post no X: «Em alguns focos, os novos casos estão dobrando. Todos concordamos que precisamos aumentar urgentemente e massivamente todos os nossos esforços em todas as áreas de resposta e com todos os parceiros».
Esta foi a segunda visita de Tedros à RDC desde o anúncio do surto em meados de maio. De acordo com o Ministério da Saúde da RDC, 3874 pessoas foram infectadas e 1751 morreram, tornando este surto o segundo maior da história, depois da epidemia na África Ocidental entre 2014 e 2016.
Os moradores de Bunia relataram o agravamento da situação após muitos profissionais de saúde pararem de trabalhar devido à falta de pagamento. Embora alguns trabalhadores tenham começado a receber pagamentos pelo trabalho realizado desde o início do surto, eles exigem aumentos salariais e remuneração mais confiável.
Greve interrompe o acesso aos cuidados de saúde
Moradores locais notam que a greve resultou em consequências fatais. Aniset Baluku, morador de Bunia, cujos dois irmãos morreram de Ebola durante as interrupções, pediu às autoridades que encontrem uma solução rápida para evitar tragédias semelhantes para outras famílias.
A greve enfraqueceu ainda mais o sistema de saúde, que já estava abalado pelo conflito armado na parte oriental da RDC, perto das fronteiras com Sudão do Sul, Uganda e Ruanda.
Aumento do financiamento internacional
Os Estados Unidos anunciaram a alocação de US$ 242 milhões adicionais para combater o Ebola, preparo e assistência humanitária, elevando o apoio total dos EUA ao surto para mais de US$ 512 milhões. Especialistas em saúde acreditam que a velocidade de transmissão da doença já excedeu os indicadores de epidemias anteriores de Ebola.
O surto é causado pela cepa Ebola Bundibugyo, para a qual atualmente não existe vacina ou tratamento aprovado. Autoridades acreditam que o vírus circulava em comunidades remotas muito antes do anúncio oficial do surto em 15 de maio.
«O surto está se espalhando em ritmos alarmantes e sem precedentes», alertou Médicos Sem Fronteiras (MSF) na quarta-feira, apesar do aumento dos esforços de resposta. A MSF acrescentou que «a resposta está sendo expandida, mas ainda não alcança as comunidades rapidamente o suficiente para interromper as cadeias de transmissão».
Jean Kasayi, Diretor Geral do Africa CDC, informou que o rastreamento de contatos não permite identificar uma parcela significativa dos novos casos. Na terça-feira, durante uma visita a Bunia, ele declarou: «Pelo menos 60% a 70% dos novos casos não vêm da lista de contatos controlados».
Profissionais de saúde apontam que o atraso na detecção das infecções contribuiu significativamente para a alta taxa de mortalidade do surto, que é de cerca de 45%. Dos 77 novos casos registrados nas últimas 24 horas, 44 foram classificados como graves. Atualmente, há pelo menos 717 pacientes isolados, e 749 pessoas se recuperaram.

