O mercado global de medicamentos para emagrecimento deverá atingir um volume de 130 bilhões de dólares até 2030, segundo projeções do Goldman Sachs. Este crescimento é impulsionado pela alta demanda por tratamentos populares como Ozempic e Mounjaro, transformando a indústria farmacêutica.
Os medicamentos da classe GLP-1, originalmente desenvolvidos para tratar diabetes, tornaram-se um fenômeno global para perda de peso. Esta demanda sem precedentes superou a oferta disponível, criando oportunidades para fabricantes de genéricos, produtos combinados e medicamentos falsificados.
Durante a última década, as empresas Novo Nordisk, da Dinamarca, e Eli Lilly, dos EUA, dominaram o mercado, respondendo por cerca de 90% das vendas mundiais. No entanto, esse domínio está começando a enfraquecer à medida que patentes cruciais expiram em vários mercados, a partir de 2026.
Essa mudança já é observada na África, onde a África do Sul atua como um campo de batalha chave. Em junho, a Novo Nordisk recebeu uma proibição judicial temporária que impede o grupo de farmácias iDexis, na África do Sul, de produzir, promover e vender versões combinadas de semaglutida — o ingrediente ativo do Ozempic. A empresa justificou isso alegando que o produto não possui aprovação regulatória.
Apenas algumas semanas depois, o órgão regulador de medicamentos sul-africano confirmou que estava analisando 12 pedidos de genéricos de semaglutida após o vencimento da patente da Novo Nordisk em março. Como resultado, a Sun Pharmaceutical Industries, da Índia, tornou-se a primeira a obter permissão para produzir e vender o genérico de semaglutida na África do Sul, abrindo caminho para alternativas mais acessíveis.
Em resposta, a Novo Nordisk anunciou planos para lançar na África do Sul uma versão aprovada do Ozempic a um preço mais baixo, em parceria com a empresa farmacêutica suíça Acino. O novo produto, chamado Extensior, conterá o mesmo ingrediente ativo — semaglutida.
Embora a empresa ainda não tenha anunciado datas de lançamento em outros países da África Austral, analistas esperam um aumento da concorrência em todo o continente diante da crescente demanda por tratamentos para obesidade. O Quênia é considerado um dos próximos grandes mercados. As autoridades médicas alertaram sobre o aumento do comércio ilegal de medicamentos para perda de peso usados indevidamente, bem como sobre seringas falsificadas de Ozempic, destacando as dificuldades enfrentadas pelos reguladores devido ao fato de a demanda superar o suprimento legal.
Para os consumidores, os genéricos e as opções mais baratas podem tornar o tratamento, que foi inacessível por muito tempo, mais acessível. Em algumas regiões, se pago do próprio bolso, os medicamentos de marca GLP-1 custam mais de mil dólares por mês.
No entanto, especialistas alertam que maior acessibilidade também aumenta o risco de uso indevido, vendas não regulamentadas e surgimento de falsificações, intensificando a pressão sobre os reguladores para fortalecer a fiscalização enquanto garantem o acesso dos pacientes a medicamentos seguros e eficazes.

