O autor argumenta que a migração é um problema para todos os países, e não exclusivamente uma crise sul-africana. Ele usa o provérbio africano: «Quando o telhado vaza em uma casa, a chuva molha toda a aldeia» para descrever a migração como um fenômeno que afeta todas as fronteiras, cidades e países do continente e do mundo.
A acusação à África do Sul de dificuldades migratórias é vista pelo autor como uma evasão da consideração das verdadeiras causas da migração. O problema é enfrentado por todos os governos — do Mediterrâneo à fronteira EUA-México, do Golfo Pérsico à Europa, de Nairóbi a Lagos e Joanesburgo — em questões de controle de entrada, documentação e proteção tanto dos cidadãos quanto dos recém-chegados.
A África do Sul recebe o maior número de migrantes na África, e isso se deve ao fato de que, após 1994, o país abriu suas portas ao mundo, criando uma economia, constituição e instituições que, apesar das falhas, fornecem refúgio, trabalho, educação e cuidados médicos. Para muitas pessoas, a África do Sul torna-se um destino.
O autor apela para que se considere honestamente por que o debate público sobre este assunto é tão intenso em um lugar e tão silencioso em outros. Em algumas partes do Norte da África, as rotas migratórias são acompanhadas por horrores documentados por investigações da OIM, ONU e mídia internacional, incluindo a detenção de migrantes em centros de detenção, tráfico de escravos, agressões e exploração, bem como expulsões em massa de africanos subsarianos para o deserto sem comida ou água.
Em alguns países do Golfo Pérsico, trabalhadores africanos enfrentam o sistema de «kafala», confisco de passaportes e condições semelhantes ao trabalho escravo moderno. O autor enfatiza que isso não justifica os atos criminosos e a justiça pelas próprias mãos na África do Sul, observando que o governo condena firmemente tais atos e as forças policiais trabalham para prender os culpados.
O autor critica o silêncio do continente neste debate, apontando que quando os sul-africanos expressam preocupações justificadas sobre criminalidade e pressão sobre os serviços sociais, o continente reage chamando isso de «africanofobia» ou «xenofobia» — termos que passaram a ser associados apenas à África do Sul. Isso, na opinião do autor, é uma evasão de responsabilidade.
A África do Sul não pode carregar sozinha todo o peso dos fatores de expulsão de todo o continente. A responsabilidade recai sobre todos os estados do mundo, que devem criar condições socioeconômicas favoráveis em casa — fornecendo empregos, segurança, governança e oportunidades para reduzir a migração ilegal. Se a prosperidade não for desenvolvida onde as pessoas nascem, elas a perseguirão infinitamente nas fronteiras.
Ao mesmo tempo, o autor reconhece os problemas dos países receptores, como a África do Sul: clínicas públicas superlotadas, escolas e longas listas de espera por moradia, bem como o esgotamento de recursos para a inclusão de estrangeiros. A África do Sul é provavelmente um dos poucos países africanos que presta assistência a migrantes não contribuintes, fornecendo-lhes serviços em hospitais públicos, educando seus filhos e oferecendo proteção jurídica.
Os sul-africanos levantam questões legítimas sobre crimes cometidos por migrantes não registrados, que são impossíveis de rastrear e que exercem pressão sobre as comunidades e os serviços. No entanto, quando essas preocupações são levantadas, elas são rapidamente rotuladas como «xenofóbicas», enquanto fenômenos análogos em alguns países próprios recebem outros nomes, como «operações de segurança», «renovação urbana» ou «estrangeiros ilegais». O autor insiste que isso não é divisão, mas sim uma manifestação da democracia — a exigência do povo ao seu governo.
Em 2015, a União Africana adotou uma resolução para realizar uma conferência continental sobre migração, que ainda não ocorreu, o que confirma que este é um problema continental, e não específico de um país. A resolução estipulava claramente que a migração deveria ser gerenciada em conjunto, com dignidade e ordem. Este diálogo ocorre insuficientemente frequentemente, e os países permanecem em ciclos de acusações mútuas. Os principais obstáculos incluem documentação, gestão de fronteiras, intercâmbio de dados, criação de empregos e aplicação da lei, e não podem ser resolvidos apontando para um único país.
Portanto, a migração é a chuva que cai sobre todos nós. É necessário parar de discutir quem tem o telhado vazando e consertá-lo juntos, pois a migração não é apenas um problema da África do Sul, mas um desafio global que exige uma resposta global e africana.