Pesquisadores identificaram uma nova espécie de bactéria capaz de sobreviver em solo extremamente agressivo e tóxico no local de descarte de pesticidas proibidos. O microrganismo, nomeado Microbacterium pollutisoli, foi isolado do solo na vila de Ummari, estado de Uttar Pradesh, por uma equipe de cientistas da Universidade de Delhi e do Instituto CSIR de Tecnologia Microbiana.
Apesar de esta área estar fortemente contaminada com hexaclorociclohexano (HCH) — um pesticida perigoso banido mundialmente devido à sua ligação com o câncer, este microrganismo não só se adaptou às condições ambientais, mas também possui ferramentas genéticas que potencialmente podem contribuir para a produção de novos vitaminas e antibióticos.
A descoberta começou depois que os pesquisadores coletaram amostras de solo a uma profundidade de 30 centímetros no local do aterro. O objetivo era encontrar micróbios capazes de existir sob o estresse dos pesticidas. Após o isolamento da cepa específica de bactérias amarelo-pigmentadas, a equipe aprofundou o estudo de sua biologia. Aplicando testes polifásicos — um método que combina observação física com sequenciamento de DNA — eles confirmaram ter encontrado uma espécie anteriormente não registrada pela ciência.
O Microbacterium pollutisoli ganha especial importância devido à sua resistência excepcional e potencial inexplorado. Fisicamente, ele forma colônias redondas amarelas brilhantes e tem formato de bastonete curto. É um microrganismo resistente, capaz de crescer em temperaturas de 12°C a 46°C e suportar condições altamente alcalinas. Embora não consuma o pesticida HCH, ele evoluiu para coexistir com ele.
Um aspecto ainda mais importante é que seu genoma continha clusters de genes biossintéticos. Estes são conjuntos de instruções no DNA que permitem à bactéria produzir compostos valiosos, como carotenoides (pigmentos naturais usados em vitaminas), ectoína (uma substância que protege as células contra o estresse) e beta-lactonas (substâncias químicas frequentemente estudadas por sua capacidade de combater bactérias ou até células cancerosas).
Para provar que se trata de uma nova espécie, os cientistas compararam-no com seu parente conhecido mais próximo, Microbacterium invictum. Apesar da semelhança externa sob o microscópio, seus DNA mostraram diferenças significativas. A nova espécie possui apenas 83% de identidade na composição média de nucleotídeos com seu parente, o que está significativamente abaixo do limiar de 95% geralmente exigido para reconhecer dois micróbios como iguais. Além disso, M. pollutisoli é capaz de decompor certos açúcares, como maltose e lactose, o que seu primo não consegue fazer, e possui um perfil único de ácidos graxos nas paredes celulares.
O nome Microbacterium pollutisoli reflete diretamente sua origem. Os pesquisadores escolheram essa nomenclatura combinando as palavras latinas pollutus, que significa 'contaminado', e solum, que significa 'solo'. Assim, o nome traduz-se literalmente como 'Microbactéria do solo contaminado'. A equipe acredita que, ao estudar o funcionamento deste organismo sobrevivente, é possível descobrir novas formas de produção de produtos químicos industriais e investigar como a vida se adapta a catástrofes ambientais tecnológicas.