Pesquisadores da Universidade de Kyushu, localizada no Japão, conseguiram identificar um composto antioxidante com potencial para auxiliar na manutenção da capacidade regenerativa dos músculos à medida que os indivíduos envelhecem. O estudo focou em como uma molécula denominada LASSS influencia uma proteína crucial para o reparo muscular.
A investigação, divulgada em julho deste ano na revista Scientific Reports, examinou o impacto do processo de envelhecimento sobre o fator de crescimento de hepatócitos, conhecido pela sigla HGF. Foi observado que essa proteína passa por modificações químicas ao longo dos anos, o que diminui sua eficácia no processo de recuperação muscular.
Os cientistas testaram dois compostos à base de enxofre e constataram que o LASSS não só conseguiu prevenir os danos causados pela nitração, mas também aumentou a aptidão do HGF para se ligar às células envolvidas na regeneração dos tecidos.
A premissa do trabalho surgiu da constatação de que a perda de massa e força muscular ligada à idade não decorre necessariamente da cessação da produção de HGF pelo organismo. O cerne do problema reside nas possíveis alterações químicas que a proteína pode sofrer, comprometendo sua função.
Essa alteração, conhecida como nitração, prejudica o sinal transmitido pelo HGF às células responsáveis pela reconstrução muscular. Assim, a equipe japonesa buscou métodos para proteger essa proteína contra esse desgaste, utilizando antioxidantes capazes de interromper reações químicas deletérias.
Os pesquisadores selecionaram dois compostos contendo três átomos de enxofre ligados sequencialmente: o glutatião trissulfeto, ou GSSSG, e o ácido lipoico trissulfeto, denominado LASSS. Ambos demonstraram capacidade de diminuir a nitração em pontos sensíveis do HGF.
Contudo, mesmo após este resultado inicial, apenas bloquear o dano químico mostrou-se insuficiente para restaurar completamente a interação entre a proteína e as células de reparo muscular. Uma diferença notável surgiu quando os cientistas elevaram a concentração dos compostos analisados.
Neste novo cenário, o LASSS exibiu um efeito mais pronunciado. Além de inibir a modificação prejudicial do HGF, o composto elevou em dobro a eficiência da proteína ao se conectar ao receptor c-met, uma estrutura celular vital para os processos de regeneração muscular.
A equipe sugere que este achado pode indicar uma atuação que transcende a mera proteção antioxidante. A hipótese levantada pelos pesquisadores é que o LASSS pode interagir diretamente com o HGF, induzindo uma mudança estrutural que torna a proteína mais robusta e funcional.
Testes subsequentes foram conduzidos em modelos de camundongos que apresentavam atrofia muscular. Esses experimentos revelaram que o composto reduziu a nitração causada pela inatividade muscular, embora este efeito necessite de confirmação em tecidos humanos.
Esta descoberta é vista como uma potencialidade futura no combate à sarcopenia, termo utilizado para descrever a perda muscular associada ao avanço da idade. Esta condição pode começar a manifestar-se a partir dos 30 anos e tende a progredir mais rapidamente após os 60, elevando os riscos de quedas e dificultando a mobilidade.
Serão necessários estudos mais extensos para avaliar os impactos do LASSS em animais idosos e, subsequentemente, verificar sua aplicabilidade em seres humanos. Os pesquisadores também apontam que esta abordagem pode ser útil em outras condições de perda muscular, como aquelas relacionadas a enfermidades crônicas.



