A Casa Refúgio, projetada pela Elisa Porto Arquitetura e situada em Foz do Iguaçu, na Mata Atlântica, foi concebida com o objetivo de equilibrar os conceitos de arquitetura, natureza e conforto térmico. Dada a localização em uma área de clima subtropical úmido, que apresenta alta umidade constante, verões quentes e invernos ameno, o maior desafio do projeto foi conseguir unir os espaços internos e externos sem prejudicar o desempenho térmico da edificação. Por essa razão, a residência se abre para o interior do terreno, abraçando o jardim e criando uma sensação de tranquilidade.
A organização espacial da casa é dividida em três partes principais: o setor social, o setor íntimo e o setor de serviço, todos voltados para o jardim da piscina. Nesse contexto, a iluminação natural e a ventilação cruzada deixaram de ser meros recursos e passaram a ser diretrizes fundamentais do projeto. Dois aspectos específicos impulsionaram o desenvolvimento: a estrutura e a incidência solar. Um elemento marcante é o vão de quatorze metros, complementado por uma abertura zenital na laje em balanço sobre a garagem, possibilitada pelo uso de concreto protendido. Esta característica se tornou parte da identidade da casa, direcionando luz e ventilação natural para um dos quartos e enriquecendo a aparência externa.
A disposição da casa em formato de «L» direciona a área social para o lado norte, onde é protegida por um beiral extenso. Este beiral tem a função de controlar a entrada de sol, bloqueando o calor intenso do verão sem impedir o aquecimento necessário no inverno, ao mesmo tempo que promove a ventilação cruzada e permite que a paisagem e a luz façam parte do dia a dia. Já a face oeste conta com brises verticais, que servem como proteção para a circulação íntima e os dormitórios, filtrando a luminosidade, suavizando o calor e transformando o trajeto em um momento de contemplação voltado para o jardim.
Desde o início, havia a convicção de que a residência deveria estar totalmente integrada ao jardim; a vegetação não seria apenas o ambiente externo, mas sim parte integrante da própria arquitetura. Os volumes foram planejados meticulosamente para gerar espaços vazios que acomodassem o paisagismo, permitindo que o verde penetrasse nos ambientes internos.
O desejo de receber amigos e familiares foi traduzido em uma área social vasta e contínua. Os espaços possuem a capacidade de se conectar ou se retrair conforme a necessidade do momento, graças à utilização de portas retráteis e soluções que permitem integrar ou isolar áreas sem perder a unidade geral do conjunto. Essa maleabilidade transforma a convivência em algo espontâneo, acompanhando os diversos ritmos da vida.
A fluidez é outro aspecto importante deste projeto, que começou com um bloco retangular que foi esticado e girado para formar o segundo volume. A partir desse ponto, os elementos se abrem para o jardim, englobando o entorno. O volume social, composto por duas lajes, repousa delicadamente sobre o gramado da piscina, enquanto a laje da garagem em balanço se apoia sobre dois pilotis e sobre o volume da área íntima.
A escolha dos materiais da residência resulta de um diálogo entre componentes estruturais e elementos naturais. O concreto protendido, a alvenaria e o vidro formam a estrutura e os fechamentos, enquanto a madeira e a pedra adicionam texturas orgânicas. Elementos de sombreamento, como os cobogós e os brises, ajudam a filtrar a luz e a manter a privacidade. Cada material foi selecionado não só por sua função prática, mas também pela atmosfera que ele contribui para construir.