Vinay Dube, fundador e CEO da Akasa Air, informou na quinta-feira que a demanda interna por voos na Índia permanece resiliente, apesar dos obstáculos macroeconômicos. O fluxo de passageiros continua a crescer, mesmo quando o setor enfrenta volatilidade nos preços do combustível de aviação e na taxa de câmbio.
Segundo Dube, o problema no momento não é tanto a demanda, mas sim os preços do combustível e as flutuações cambiais da rupia, que ele considera um problema de curto prazo. Ele acrescentou que, mesmo que a situação persista, a empresa possui recursos financeiros para superá-la sem dificuldades.
O custo do combustível e a taxa de câmbio têm um impacto significativo na lucratividade das companhias aéreas. O combustível de aviação a jato (ATF) representa cerca de 35% a 40% dos custos operacionais de uma companhia aérea indiana, tornando-se o maior item de despesa. Além disso, muitos outros custos significativos, incluindo aluguel de aeronaves, pagamentos de manutenção, seguro e uma grande parte das peças de reposição, são denominados em dólares americanos. Consequentemente, a desvalorização da rupia aumenta os custos, mesmo que os preços básicos em dólar permaneçam inalterados, e o aumento dos preços do ATF reduz ainda mais a margem.
As companhias aéreas frequentemente enfrentam dificuldades em repassar integralmente esses aumentos de custos aos passageiros através do aumento das tarifas, especialmente em um mercado competitivo, o que pressiona a lucratividade. No entanto, Dube observou que o desenvolvimento dos aeroportos internacionais de Navi Mumbai e Noida ajudará a aliviar as restrições de capacidade de longa data em nós aéreos chave.
Ele enfatizou que grandes metrópoles, como Mumbai, enfrentaram restrições sérias de slots por décadas — limites regulatórios ao número de decolagens e pousos. Dube acredita que o surgimento de tais aeroportos em grandes cidades, onde as restrições vigoravam por mais de 10 anos, é uma conquista notável.
Para apoiar sua expansão, a Akasa Air planeja construir um hangar especializado para manutenção, reparo e revisão (Maintenance, Repair and Overhaul) no Aeroporto Internacional de Noida. Quanto às taxas aeroportuárias estabelecidas pela Autoridade de Regulamentação Econômica de Aeroportos nos últimos meses, Dube afirmou que a companhia aérea está se adaptando às decisões regulatórias dentro de suas operações normais, reconhecendo que as transportadoras ainda não podem transferir totalmente os custos de entrada aumentados aos passageiros devido ao rápido aumento dos preços do combustível.
Apesar da pressão de preços, os indicadores operacionais em dois novos grandes aeroportos permanecem altos, e o fator de ocupação — a porcentagem de assentos preenchidos em um voo — corresponde à média da rede da companhia aérea. A capacidade da Akasa Air está distribuída entre 75% de operações domésticas e 25% de operações internacionais, sendo que destinos do Oriente Médio, como Riade e Abu Dhabi, representam mais de 80% de sua capacidade estrangeira.
De acordo com Dube, a companhia aérea demonstrou fortes resultados operacionais no trimestre de abril a junho, registrando um crescimento de quase 30% em Quilômetros de Assento Disponível (Available Seat Kilometres) — uma métrica de capacidade calculada multiplicando o número de assentos disponíveis pela distância percorrida. Durante este trimestre, a receita e o fluxo de passageiros cresceram mais rapidamente do que a própria capacidade.
A Akasa Air detém cerca de 6% do mercado interno, operando uma frota de 40 aeronaves, enquanto mais 186 aeronaves estão em pedido para expansão de longo prazo da rede. Dube confia que o livro de pedidos garantirá um crescimento estável tanto nos mercados doméstico quanto internacional. Ele também observou que a jovem demografia da Índia e a crescente propensão a gastar em viagens sustentarão o crescimento internacional de longo prazo da companhia aérea, e pediu que a empresa fosse classificada como ELC — uma transportadora focada em experiências.

