O partido Vox solicitou ao governo espanhol que pressione a Federação Internacional de Futebol (FIFA) para remover Marrocos da organização do Campeonato Mundial de 2030. O pedido baseia-se nos que foram descritos como «ataques extraordinariamente graves e hostis à soberania nacional e à integridade territorial de Espanha» ocorridos em Ceuta.
Adicionalmente, o Vox expressou «sérias dúvidas» sobre a capacidade de Marrocos de participar na organização de um evento de tal magnitude. O partido alertou que, caso Marrocos não fosse excluído, isso poderia resultar numa «humilhação deliberada» para Espanha.
A organização também exigiu total transparência e objetividade em relação à participação marroquina, após surgirem rumores de que Gianni Infantino, presidente da FIFA, teria oferecido a final do torneio ao país do Norte de África em troca de apoio eleitoral. Contudo, a FIFA desmentiu essa informação.
O Vox defendeu que eventos dessa escala requerem que os países anfitriões forneçam garantias completas de segurança e estabilidade, mantendo uma relação de confiança, cooperação e lealdade mútua. Essas condições, segundo o partido, foram violadas após a «intolerável invasão do território espanhol por mais de 80 mil marroquinos em Ceuta».
Vox une-se ao Sumar e ao Livre português
Em Portugal, o partido Livre enviou uma correspondência ao primeiro-ministro Luís Montenegro, pedindo que o Governo português manifestasse publicamente sua oposição à permanência de Marrocos como parceiro no Campeonato Mundial de Futebol de 2030. Os deputados do Livre mencionaram que, dada a sensibilidade do tema, esperam que a diplomacia e o contato com a Real Federación Española de Fútbol e o governo espanhol sejam realizados o mais rápido possível para evitar impactos na organização do campeonato e no papel de Portugal e Espanha.
Paralelamente, em Espanha, o partido Sumar também pleiteou o afastamento de Marrocos da organização conjunta do Mundial, citando violações de direitos humanos decorrentes da entrada maciça de migrantes na fronteira de Ceuta. Por meio de uma moção não vinculativa, os quatro deputados signatários — sendo três deles membros da Esquerda Unida — instaram o governo espanhol a notificar formalmente a FIFA, a federação espanhola e o Executivo português sobre a necessidade de reavaliar o modelo de organização conjunta da competição.
Na sua proposta, o Sumar argumentou que um evento desse porte demanda uma grande mobilização de recursos públicos e compromissos estaduais, exigindo dos países anfitriões um «respeito efetivo e contínuo pelos direitos humanos, pelo direito internacional e pelos princípios democráticos». O grupo parlamentar também solicitou a realização de um estudo independente sobre os riscos aos direitos humanos nos países anfitriões, a ser apresentado ao Congresso em seis meses, juntamente com sugestões de ações caso violações graves sejam confirmadas.
Ressalta-se que, além da organização em Portugal, Espanha e Marrocos, o Mundial de 2030 contará com três partidas comemorativas no Uruguai, na Argentina e no Paraguai, marcando o centenário da primeira edição do torneio, realizada em Montevidéu, em 1930.

