O Japão e a Coreia do Sul estão passando por uma das ondas de calor mais intensas dos últimos anos. As temperaturas recordes estão causando mortes, prejudicando a agricultura, perturbando a vida cotidiana e aumentando as preocupações sobre o aumento da frequência de eventos climáticos extremos.
A Coreia do Sul foi particularmente afetada. De acordo com o Ministério do Interior e Segurança, pelo menos 19 pessoas morreram devido ao calor neste verão, e mais de 2000 pessoas adoeceram por causa do calor desde meados de maio.
A Agência Meteorológica da Coreia relatou que em algumas áreas a temperatura ultrapassou repetidamente os 40 graus Celsius. Em Yangsan, no sudeste do país, foi registrada uma temperatura de 42,5 graus Celsius, um novo recorde nacional desde os primeiros registros modernos há mais de um século.
Em uma reunião do Gabinete Ministerial na terça-feira, o presidente sul-coreano Lee Jae-myung declarou que a onda de calor contínua deve ser considerada uma 'situação de emergência nacional'. Ele pediu ao governo que mobilizasse todos os recursos disponíveis para proteger a população e instruiu os órgãos competentes a reforçar as medidas de resposta de emergência, apoiar grupos vulneráveis e garantir o fornecimento de eletricidade diante da crescente demanda.
Em todo o país, as autoridades locais expandiram centros de resfriamento, aumentaram o número de verificações de bem-estar de idosos que vivem sozinhos e aconselharam trabalhadores ao ar livre a evitar longos períodos durante as horas mais quentes do dia. Os serviços médicos pediram repetidamente à população que mantivesse o equilíbrio hídrico, usasse ar condicionado sempre que possível e procurasse ajuda imediatamente ao apresentar sintomas de insolação.
O calor prolongado também causou danos graves ao setor agrícola. Dezenas de milhares de animais de criação, incluindo aves e suínos, morreram devido ao estresse térmico, e fazendas de aquicultura relataram mortalidade significativa de peixes devido ao aumento da temperatura da água. Os agricultores também estão preocupados com os danos às colheitas causados pelas altas temperaturas constantes e pela seca.
O vizinho Japão enfrenta condições igualmente difíceis. A agência meteorológica do país emite regularmente alertas de insolação, pois a temperatura em muitas regiões está significativamente acima dos níveis sazonais. De acordo com a Agência de Prevenção de Incêndios e Gestão de Desastres, mais de 18.000 pessoas foram internadas em hospitais com suspeita de insolação em uma semana no final de julho, o que destaca a crescente pressão sobre os serviços de emergência médica.
O clima extremo também afetou a vida selvagem. Segundo a CNN, três fêmeas de leão africano no Zoológico Tama, em Tóquio, morreram em uma semana após apresentarem sintomas semelhantes aos de doenças relacionadas ao calor. Funcionários do zoológico observaram que outros leões ficaram apáticos e perderam o apetite durante o período de calor intenso, forçando veterinários a cuidar dos animais 24 horas por dia e fechando temporariamente a exposição dos leões.
Especialistas apontaram que, embora os leões sejam habitantes de regiões quentes, eles são geralmente adaptados a climas secos, e não às condições de verão quentes e úmidas do Japão, o que pode ter agravado o estresse térmico.
Os serviços meteorológicos de ambos os países ligam o calor prolongado a sistemas persistentes de alta pressão dominantes no Leste Asiático. Climatologistas, por sua vez, alertam que as mudanças climáticas causadas pela atividade humana aumentam a probabilidade, intensidade e duração de eventos de calor extremos em todo o mundo, tornando as ondas de calor mais frequentes e perigosas.
Como as previsões indicam que temperaturas excepcionalmente altas provavelmente persistirão nos próximos dias, as autoridades no Japão e na Coreia do Sul continuam a pedir aos moradores que limitem o tempo ao ar livre durante os horários de pico do dia, consumam água suficiente e prestem atenção especial às crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.


