Israel reagiu a uma declaração feita por 14 países, garantindo a manutenção das regras atuais relativas à Esplanada das Mesquitas, também conhecida como Monte do Templo pelos judeus, local onde se situavam os dois templos sagrados.
O estado atual ('statu quo') deste local sagrado foi estabelecido em 1967 pelo governo israelita, que concedeu a administração ao Waqf, uma instituição jordaniana. O Waqf determinou que o culto ali é restrito aos muçulmanos, permitindo que os judeus o visitem apenas como turistas.
No final de julho, durante a celebração de Tisha B'Av, mais de 3.000 judeus acessaram o local sagrado. Eles foram escoltados pela polícia israelita e acompanhados pelo ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, que defende que Israel deve assumir o controle do Monte do Templo.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) israelita afirmou que a declaração apoiada pelos Ministérios dos Negócios Estrangeiros da Comissão Ministerial Árabe, convocada pela Jordânia, baseia-se em alegações falsas, distorções históricas e completa ignorância dos fatos.
O ministério considerou 'cínica' a acusação de Israel violar a liberdade de culto, especialmente quando se declara que todo o Monte do Templo (onde se encontra Al-Aqsa) é um local de culto exclusivo para muçulmanos, desconsiderando a conexão histórica dos judeus com Jerusalém e seus locais sagrados.
O MNE israelita continuou no comunicado dizendo que, sob a soberania israelita, Jerusalém, a capital eterna do Estado de Israel, nunca esteve tão acessível e aberta aos fiéis de todas as crenças.
Este 'statu quo' foi definido após a Guerra dos Seis Dias, período em que Israel ocupou Jerusalém Oriental, a porção palestina da cidade, que seria anexada em 1980.
A Jordânia convocou os ministros dos Negócios Estrangeiros de países islâmicos naquele dia, em resposta ao aumento das invasões em massa de colonos israelitas e líderes judaicos de extrema-direita no local sagrado, incluindo a incursão mencionada no final do mês anterior.
Essas práticas, descritas como 'cada vez mais graves e ilegais', acontecem com frequência, apesar das condenações da Jordânia e do restante do mundo muçulmano. Os países islâmicos denunciam que essas denúncias são ignoradas pelas autoridades israelitas e configuram uma 'provocação'.
Por essa razão, a declaração final solicita o início de uma iniciativa para forçar a comunidade internacional a obrigar Israel, enquanto potência ocupante, a respeitar o 'statu quo' histórico e jurídico em Jerusalém e seus locais sagrados, ao mesmo tempo em que apela ao Conselho de Segurança da ONU para tomar 'medidas imediatas' contra Israel.


