O mercado de metais retomou a tendência de alta no início de agosto. Este crescimento é sustentado pela melhoria do sentimento dos investidores e pela escassez persistente no segmento de metais industriais, de acordo com uma análise realizada pela analista da Alpari, Anna Bodrova.
Segundo relatos, um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã sobre a reabertura do Estreito de Ormuz contribuiu para elevar o sentimento de mercado, reduzindo as preocupações com aceleração da inflação. No entanto, a oferta limitada continua a sustentar os metais industriais, enquanto as perspectivas dos metais preciosos dependem em grande parte dos futuros sinais do Federal Reserve dos EUA.
O ouro mantém-se perto da marca de US$ 4100 por onça, e a prata negocia acima de US$ 59,5 por onça. Ambos os metais subiram pelo segundo dia consecutivo em meio ao enfraquecimento das expectativas de maior aperto monetário por parte do Federal Reserve, em função da queda nos preços do petróleo.
Ainda assim, autoridades do banco central dos EUA continuam a sinalizar a disposição de aumentar as taxas de juros caso a pressão inflacionária aumente. Os participantes do mercado aguardam agora novos dados de emprego nos EUA, que podem influenciar as projeções futuras.
Na opinião da analista, o platina permanece como um dos metais preciosos mais fortes. Seu preço ultrapassa US$ 1700 por onça, aproximando-se de uma máxima de sete semanas. O metal continua a se beneficiar da melhoria do sentimento de mercado e do volume limitado de suprimentos.
Um prognóstico da Valterra Platinum, maior produtor mundial de platina, forneceu suporte adicional, prevendo um aumento na demanda devido à expansão da infraestrutura que suporta tecnologias de inteligência artificial. O cobre mantém seu status de líder entre os metais industriais. Seu custo voltou a subir acima de US$ 6,6 por libra, aproximando-se de máximas históricas.
A analista atribuiu esse crescimento principalmente à diminuição das reservas mundiais de cobre. Antes da decisão esperada das autoridades dos EUA sobre possíveis tarifas de importação, os fornecedores aumentaram os envios para o mercado dos EUA.
Em julho, mais de 200.000 toneladas de cobre foram entregues aos Estados Unidos, o maior volume mensal em mais de uma década. Simultaneamente, os estoques na Bolsa de Metais de Londres caíram para o nível mais baixo em cinco meses, e parte do metal foi redirecionada para a China para cobrir déficits locais de suprimento.
O alumínio também continuou a crescer. Seu preço ultrapassou US$ 3210 por tonelada, atingindo o nível mais alto em quase um mês e meio.
Bodrova observou que o mercado continua sendo sustentado pela redução da produção fora da China, pelos estoques recordemente baixos na Bolsa de Metais de Londres, pelas restrições de produção na China e pelas revisões nas previsões de produção de grandes fabricantes.
Segundo a analista da Alpari, o mercado de metais está gradualmente mudando o foco de fatores geopolíticos para fundamentos de oferta e demanda. Enquanto a redução das expectativas de inflação continua a apoiar os metais preciosos, os metais industriais permanecem o principal motor do mercado, impulsionados por estoques limitados, déficit estrutural de oferta e demanda sustentada de setores de energia, projetos de infraestrutura e tecnologias de inteligência artificial.



