O Google desmembra a equipe responsável pelo AlphaFold, um sistema de inteligência artificial dedicado à previsão de estruturas proteicas, e realoca pesquisadores para outras iniciativas, incluindo o avanço do Gemini. Estima-se que aproximadamente um quarto dos autores dos artigos científicos iniciais sobre o AlphaFold tenha deixado o Google DeepMind.
Redirecionamento de Pesquisadores
O Google DeepMind confirmou que parte dos colaboradores foi realocada internamente para projetos centrados no modelo de linguagem grande Gemini, além de áreas como genômica, fusão nuclear e desenho de enzimas. Outros profissionais foram transferidos para a Isomorphic Labs, uma companhia da Alphabet focada na descoberta de fármacos. A Alphabet atua como a controladora do Google e de diversas outras entidades de ciência e tecnologia.
Mudança Estratégica do Laboratório
Segundo o Financial Times, as movimentações são reflexo da mudança nas prioridades científicas do DeepMind. Pushmeet Kohli, vice-presidente de pesquisa do Google DeepMind, informou ao jornal FT que a estratégia do laboratório sofreu alterações. Ele mencionou que, durante os últimos nove anos, o foco estava em grandes desafios com metas específicas, mas agora o laboratório abrange sistemas baseados no Gemini para auxiliar cientistas, além de desenvolver agentes de IA para competir com a Anthropic e a OpenAI.
Movimentações de Cientistas Chave
John Jumper, um dos laureados com o Prêmio Nobel de Química de 2024 pelo trabalho no AlphaFold, foi designado para a equipe que trabalha no desenvolvimento das capacidades de geração de código do Gemini. Recentemente, Jumper deixou o Google e ingressou na Anthropic. Seus colegas de pesquisa em estrutura tridimensional de proteínas, Jonas Adler e Alexander Pritzel, seguiram o mesmo caminho. Um funcionário anônimo do Google DeepMind relatou ao FT que essas saídas causaram surpresa interna, visto que os três eram considerados membros cruciais para o laboratório.
Sobre o AlphaFold
O AlphaFold é um software projetado para prever e gerar modelos tridimensionais de proteínas utilizando modelos de difusão, a mesma tecnologia de IA usada em geradores de imagens. Graças a essa ferramenta, pesquisadores conseguiram antecipar as estruturas de quase todos os 200 milhões de proteínas catalogadas até o momento, oferecendo um método mais rápido e econômico que as abordagens anteriores, o que pode acelerar o desenvolvimento de medicamentos proteicos.
Histórico do DeepMind e Google
O projeto teve início em 2018, quando o DeepMind ainda operava como subsidiária da Alphabet. Outro marco importante do laboratório foi o AlphaGo, um software de IA capaz de vencer o campeão mundial de Go. Em 2023, devido ao sucesso do ChatGPT e da OpenAI, o DeepMind foi integrado ao Google para contribuir com o desenvolvimento de aplicações de IA em produtos. Anteriormente, o relacionamento entre as empresas era marcado por tensões, pois o laboratório mantinha um foco acadêmico e científico que gerava prejuízos, enquanto buscava maior autonomia, algo que o Google, responsável pelos custos, havia negado ao recusar a transformação do DeepMind em instituição sem fins lucrativos.