Imagens de satélite capturadas pelo satélite Landsat 9, pertencente à NASA, revelaram o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, no Maranhão, destacando um dos ecossistemas naturais mais únicos do planeta. Este local apresenta uma vasta extensão de dunas brancas pontuadas por centenas de lagoas de água doce.
As imagens, obtidas em junho de 2026, demonstram que, apesar de sua aparência desértica, a região possui um ciclo anual caracterizado pela presença temporária de água acumulada entre as dunas. Este fenômeno é resultado da interação entre chuvas volumosas, as características do solo, a movimentação eólica e processos geológicos que moldaram esta paisagem notável da costa brasileira.
O nome Lençóis Maranhenses deriva das curvas das dunas, que, quando observadas de cima, remetem a um tecido branco enrugado. A área abrange cerca de 900 quilômetros quadrados, contendo grandes formações de areia que podem atingir alturas de aproximadamente 30 metros.
Embora pareça árida, a região recebe anualmente cerca de 1.250 mm de precipitação, um volume superior ao registrado em algumas metrópoles com clima úmido. Durante a estação chuvosa, a água se acumula nas depressões entre as dunas, pois camadas de argila e rocha impedem sua infiltração.
O pico de concentração das lagoas geralmente ocorre entre junho e julho. Contudo, com a diminuição das chuvas entre agosto e novembro, o lençol freático cai, fazendo com que muitas dessas lagoas desapareçam até dezembro.
A cor das lagoas varia dependendo de fatores como a profundidade, a quantidade de sedimentos, a presença de algas microscópicas e materiais orgânicos dissolvidos; as águas mais rasas tendem a ser azuladas ou esverdeadas, enquanto as mais profundas exibem tons mais escuros.
A formação das dunas está associada ao transporte de areia realizado por rios como Mearim e Parnaíba, que depositam grandes quantidades de quartzo na planície costeira do Maranhão. Ao longo de centenas de milhares de anos, a ação constante dos ventos e as alterações no nível do mar foram cruciais para a criação desta paisagem.
Na estação seca, os ventos predominantes vindos do nordeste podem exceder 50 km/h, movendo as dunas para o interior em taxas estimadas entre 4 e 25 metros por ano. Este deslocamento contínuo impede o estabelecimento permanente da vegetação em grande parte do campo arenoso.
Registros de satélite indicam que certas seções do complexo de dunas avançaram aproximadamente 500 metros para oeste no período compreendido entre 1986 e 2026, evidenciando a dinâmica deste sistema natural de transporte de areia.
A diversidade ambiental da área é notável, pois o parque situa-se em uma zona de convergência de diversos biomas brasileiros, incluindo influências da Amazônia, do Cerrado e da Caatinga. Próximo às dunas, encontram-se ecossistemas como manguezais e restingas, adaptados aos solos arenosos.
Reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 2024, o parque abriga mais de 850 espécies catalogadas, abrangendo peixes, aves, répteis, mamíferos e organismos microscópicos. Entre as espécies ameaçadas presentes são a lontra-neotropical, o peixe-boi-marinho, o guará e a jaguatirica-do-mato.
Um habitante peculiar das lagoas é a traíra, um peixe predador capaz de sobreviver aos períodos de estiagem. Quando a água some, este animal se refugia em áreas de lama úmida sob a areia, permanecendo dormente até o retorno das chuvas.



