O Banco Central Russo ajustou suas previsões de crescimento econômico, indicando que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 0,1 ponto percentual abaixo da estimativa apresentada em abril. O regulador russo prevê que a economia nacional registrará um crescimento de 0,5% durante o terceiro trimestre.
No entanto, a projeção de crescimento do PIB para 2026 foi diminuída em 0,5 pontos percentuais, ficando projetada entre 0% e 1%. Essa redução deve-se, entre outros motivos, à diminuição temporária da capacidade produtiva em determinados segmentos da economia. Isso ocorre em meio à crise de escassez de combustível no país, causada pelos ataques ucranianos contra as infraestruturas de petróleo.
Conforme declarou o regulador, os indicadores atuais apontam para uma retração na atividade econômica já em julho. Olhando para o futuro, o Banco da Rússia antecipa uma estabilização progressiva do mercado de combustíveis e uma moderação no aumento dos preços ao consumidor, mesmo mantendo a política monetária atual com taxa de juros de 14%.
Adicionalmente, o banco calculou que a inflação se manterá entre 6% e 7% até o fim do segundo trimestre de 2026, após ter apresentado aceleração em junho e julho, atingindo a meta de 5,9%.
O jornal Kommersant noticiou uma situação fraca tanto na demanda quanto na produção industrial do país, cuja economia depende quase inteiramente de pedidos domésticos, a maioria dos quais está vinculada ao setor militar, dadas as circunstâncias atuais.
Em meados de julho, o Kremlin (a presidência russa) refutou a ideia de que o país estivesse passando por uma crise econômica, apesar da contração observada nos primeiros meses do ano. Essa negação levou o Governo a revisar para baixo sua expectativa de crescimento para o ano corrente, de 1,3% para 0,4%.
O déficit orçamentário no primeiro semestre do ano alcançou 5,731 bilhões de rublos (equivalente a 75,502 bilhões de dólares ou 66 bilhões de euros), representando 2,5% do PIB, o que é mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.
Enquanto as autoridades econômicas buscam gerenciar a situação, o Kremlin prioriza os gastos militares e permanece firme em suas exigências a Kyiv, após mais de quatro anos de guerra na Ucrânia sem avanços significativos no campo de batalha.
Nos últimos meses, os Estados Unidos suspenderam certas sanções impostas ao petróleo russo após a invasão da Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022. Essa suspensão visava controlar a alta dos preços do barril impulsionada pelo conflito iniciado em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra o Irã, o que gerou críticas da Ucrânia e de seus parceiros europeus, que alertaram para o risco de o Kremlin aumentar o financiamento de seu esforço bélico em meio às dificuldades econômicas.
Contudo, o Congresso norte-americano está avaliando novas restrições contra a Rússia, focadas no setor de hidrocarbonetos, propondo tarifas de até 500% sobre suas vendas. O projeto de lei, nomeado em homenagem ao senador republicano Lindsey Graham, um defensor de Kyiv que faleceu recentemente, também concede ao Presidente norte-americano o poder de aplicar tarifas secundárias de até 100% aos maiores compradores de petróleo russo, incluindo China e Índia.
Os Estados Unidos foram pioneiros na imposição de sanções a Moscou após a invasão da Ucrânia, mas a postura de Washington mudou com o retorno de Donald Trump à liderança da Casa Branca em janeiro de 2025, buscando, sem sucesso até agora, mediar o conflito.
Por sua vez, a União Europeia segue atualizando as penalidades contra a Rússia, tendo aprovado seu vigésimo primeiro pacote de restrições em julho, paralelamente ao suporte financeiro e militar oferecido a Kyiv.



