Os torneios de base são considerados cruciais para o desenvolvimento dos esportes eletrônicos no Brasil. Para ilustrar essa importância, foi realizada uma conversa com Gustavo “Kog” Melgaço, um talento que trilhou essa jornada.
Após participar de competições amadoras, incluindo eventos organizados pela Liga GG, Kog atualmente joga na posição de atirador pela Ei NERD Esports, participando do Circuito Desafiante. Este torneio serve como um palco para equipes que buscam uma vaga na principal liga brasileira de League of Legends.
O desejo de competir de Kog começou desde cedo. Ele expressou que sempre teve o sonho de ser um jogador profissional em qualquer modalidade, pois sempre gostou de competir.
Seu primeiro contato com um campeonato estruturado ocorreu na Série B da Liga GG, quando ele representava a equipe Jupiter King. Essa experiência foi bem-sucedida, culminando na vitória da competição. Kog relatou que, após ganhar seu primeiro split, ele passou a desejar participar de mais campeonatos, sentindo que possuía o nível necessário para progredir.
Embora muitos jogadores de League of Legends dediquem grande parte do tempo às partidas ranqueadas, a participação em um campeonato demanda muito mais. Ao ingressar em uma equipe, o jogador precisou equilibrar seus esforços entre treinamentos individuais e coletivos, dedicando-se ao estudo de adversários e à criação de táticas junto aos colegas de equipe.
Ele enfatizou a necessidade de aumentar o tempo de treino e convivência com o time, superando a dependência exclusiva do modo Solo Queue. Além dos aspectos técnicos, Kog aprendeu com a experiência de perder após grandes esforços, reconhecendo que a derrota faz parte inerente ao esporte.
Após demonstrar bons desempenhos nos torneios de base, Kog foi chamado para participar de processos de avaliação (tryouts) realizados pelas equipes para identificar novos talentos antes de uma contratação. Foi nesse momento que ele percebeu a possibilidade de concretizar seu sonho.
Durante os tryouts em uma equipe do Circuito Desafiante, ele conseguiu se destacar, mesmo competindo contra atletas que já atuavam no T1. Esse desempenho confirmou para ele que tinha potencial para ser um bom jogador. Posteriormente, ele recebeu o convite para integrar a Ei NERD Esports.
Segundo Kog, a organização estava em busca de novos talentos para desenvolver dentro de seu projeto, visando recrutar jogadores novatos para treinamento e observação de seu potencial.
A entrada no Circuito Desafiante alterou significativamente a rotina do atleta. Enquanto os campeonatos amadores ainda enfrentam restrições de infraestrutura e organização, as equipes das divisões principais operam com processos mais profissionalizados. O jogador apontou que os campeonatos do circuito desafiante exigem maior nível de organização, o que se reflete no planejamento dos treinos, na preparação para as partidas e no suporte fornecido pelas organizações aos atletas.
Para aqueles que almejam uma carreira nos e-sports, Gustavo aconselha que o primeiro passo seja aprimorar o próprio nível de jogo e buscar oportunidades nas competições de base. Ele sugere que o ideal é atingir um alto nível nas partidas ranqueadas, encontrar um time para disputar campeonatos e continuar evoluindo individualmente enquanto aguarda uma chance.
Refletindo sobre sua própria trajetória, Kog não duvida da relevância desses torneios. Ele afirma que não teria chegado ao ponto atual sem esses campeonatos, ressaltando que muitos jogadores atuais das equipes principais iniciaram em competições de base, onde puderam exibir seu potencial e atrair a atenção das organizações.
A trajetória de Gustavo “Kog” Melgaço corrobora a ideia apresentada nesta série de colunas: o cenário competitivo não se inicia nas grandes arenas. Existem campeonatos de base que permitem aos jogadores competir, amadurecer e serem monitorados por equipes profissionais. Essas competições não apenas revelam talentos, mas também contribuem para a construção do futuro dos e-sports brasileiros.



