No âmbito da celebração do Mês da Mulher na África do Sul, defensores públicos de saúde pedem encarecidamente ao país que transforme seu compromisso com os direitos das mulheres em medidas tangíveis, acelerando os esforços para erradicar o câncer de colo do útero. Esta doença continua a tirar milhares de vidas anualmente, embora seja amplamente prevenível.
O câncer de colo do útero permanece como o segundo tipo mais comum de câncer entre as mulheres sul-africanas entre 15 e 44 anos e é a principal causa de mortalidade por câncer nesta faixa etária. Quase 6.000 mulheres morrem desta doença todos os anos, apesar de mais de 95% dos casos serem causados pelo vírus do papiloma humano (HPV), que pode ser prevenido por vacinação e detectado em estágios iniciais através de rastreamento regular.
Conscientização sobre o câncer de colo do útero
Salome Meyer, diretora da Aliança Contra o Câncer da África do Sul, enfatizou que o Mês da Mulher deve lembrar a necessidade de proteger a saúde das mulheres, e não apenas celebrá-las. Ela declarou: «O Mês da Mulher não é apenas um tempo para celebrar as mulheres, é um tempo para proteger sua saúde e futuro. Nenhuma mulher deve morrer de uma doença que pode ser prevenida e tratada».
A África do Sul assumiu o compromisso de alcançar as metas 90-70-90 da OMS, destinadas a eliminar o câncer de colo do útero como um problema de saúde pública. Estas metas incluem garantir a vacinação completa de 90% das meninas contra o HPV aos 15 anos, rastreamento pelo menos duas vezes na vida para 70% das mulheres e fornecer tratamento adequado a 90% das mulheres diagnosticadas com pré-câncer ou câncer de colo do útero.
O Ministro da Saúde, Dr. Aaron Motsoaledi, definiu anteriormente a erradicação do câncer de colo do útero como uma «questão de justiça social e igualdade de gênero», reforçando assim o compromisso do país em melhorar os indicadores de saúde feminina. Os sucessos recentes incluem a decisão do Departamento de Saúde de expandir o programa escolar de vacinação contra o HPV para escolas independentes e privadas, bem como a adoção de diretrizes de vacinação de dose única para aumentar a acessibilidade.
No entanto, defensores da saúde pública afirmam que políticas sozinhas não são suficientes. Meyer observou que na África do Sul, uma mulher morre de câncer de colo do útero a cada 67 minutos, sublinhando que isso não é apenas estatística, mas pessoas reais. Ela acrescentou que o fardo da doença é particularmente pesado para mulheres vivendo com HIV, que têm seis vezes mais probabilidade de desenvolver câncer de colo do útero do que mulheres sem HIV.
Especialistas apontam que, como os países da África Subsaariana carregam a maioria dos casos relacionados ao HIV e ao câncer de colo do útero, os esforços de prevenção devem ser melhor integrados nos serviços existentes de cuidados ao HIV. Países como Botswana e Eswatini já fortaleceram suas estratégias de prevenção do câncer de colo do útero, incluindo vacinas de HPV de maior valência e vias de prevenção específicas em suas recomendações médicas.
Embora a vacinação e o rastreamento permaneçam a base da prevenção, os defensores observam que a desinformação, a estigmatização e o acesso desigual à saúde continuam a impedir muitas mulheres de receber serviços potencialmente salvadores. Meyer acredita que a sociedade civil desempenha um papel crucial no alcance de comunidades que os sistemas formais de saúde muitas vezes não conseguem alcançar. Ela enfatizou que a sociedade civil é um parceiro central, e não um ator auxiliar, na erradicação do câncer de colo do útero, atuando como ponte entre a política e os destinos das mulheres.
Essas organizações necessitam de financiamento e apoio contínuos para manter a confiança, aumentar a conscientização e encorajar as mulheres a procurar serviços de rastreamento e vacinação. Os defensores públicos também pedem um aumento nos investimentos em testes de DNA do HPV, iniciativas de autoamostragem, que tornam o rastreamento mais acessível, bem como o fortalecimento das parcerias com o setor privado e a realização de campanhas lideradas pela comunidade para combater a relutância em vacinar. Meyer concluiu que a erradicação do câncer de colo do útero exige igualdade, e não apenas política, pois muitas mulheres ficam para trás devido ao local de residência, renda ou barreiras de acesso à saúde.
À medida que a África do Sul celebra o Mês da Mulher, os defensores acreditam que o país possui tanto o conhecimento quanto as ferramentas para erradicar o câncer de colo do útero. Resta apenas garantir que toda mulher, independentemente de suas circunstâncias ou local de residência, tenha acesso igual à prevenção, detecção precoce e tratamento.

