Surgiu a questão de por que não existe um padrão único para todos os tipos de cabos. No entanto, já existe um modelo que se tornou padrão em várias nações — é o USB-C, um conector oval pequeno que pode ser inserido tanto para cima quanto para baixo. Ele é um conector quase universal, unindo múltiplas funções que antes eram realizadas por cabos diferentes, incluindo transmissão de dados, áudio, vídeo e energia.
Atualmente, a maioria dos fabricantes de eletrônicos utiliza o USB-C como conector padrão para carregadores de telefones, tablets e notebooks. No entanto, este é um fenômeno relativamente recente, e muitos modelos antigos, bem como computadores de mesa modernos, ainda funcionam usando outras portas.
Este emaranhado de cabos é consequência do próprio desenvolvimento tecnológico, que é inerentemente fragmentado. Na história da eletrônica, diversos conectores surgiram para atender a diferentes necessidades, e frequentemente a mesma função era atendida por múltiplas tecnologias.
A situação era ainda mais confusa antes. Por volta de meados da década de 1990, um computador comum poderia ter, além de outros itens, duas portas PS/2 para cabos, uma porta para teclado, outra para mouse, uma ou duas conexões RS-232 para scanners ou modems externos, uma porta para impressora, uma entrada para disquete e, se o computador tivesse uma placa de som, portas de entrada e saída de áudio, além de um soquete para microfone.
A situação era agravada pelo fato de a conexão não ser automática. Cada conector exigia uma configuração individual, realizada fornecendo ao computador informações sobre a entrada utilizada, sistema operacional, driver do dispositivo, velocidade da interface e uma infinidade de bits e números.
Isso criava um verdadeiro pesadelo para os usuários, e os fabricantes também não estavam satisfeitos com essa situação. Para organizar esse caos, em 1995, um grupo de sete empresas de tecnologia, incluindo Microsoft e Intel, reuniu-se para discutir a criação de uma nova tecnologia que padronizasse a conexão entre dispositivos e computadores.
Assim nasceu o USB, que em inglês significa Universal Serial Bus (Barramento Serial Universal). Os primeiros cabos USB apareceram no ano seguinte, em 1996, e possuíam a capacidade de transmitir dados e energia elétrica, espalhando-se rapidamente entre teclados, mouses, webcams, pendrives e outros periféricos.
A sigla USB refere-se tanto aos cabos quanto ao tipo de protocolo que eles usam para processar dados digitais. Quanto aos conectores, a primeira versão, provavelmente a mais conhecida, foi o USB-A. Este é um conector retangular maior que, por alguma razão científica inexplicável, exige ser girado pelo menos duas vezes para finalmente entrar na porta.
Em seguida, surgiram modelos mais compactos e eficientes, como os tipos B, Micro-USB e Mini-USB. Finalmente, em 2014, foi lançado o conector mais pequeno e avançado da época — o USB-C, capaz de transmitir dados em alta velocidade, energia e sinais de vídeo.
A existência de um padrão universal para conectores, além da conveniência, também reduz os custos de produção para os fabricantes. Hoje, a maioria dos dispositivos, sejam telefones, tablets ou computadores, é fabricada com portas USB-C. No caso dos smartphones, este conector tornou-se quase uniforme para as portas de carregamento — em grande parte devido ao seu tamanho, que facilita a criação de dispositivos mais leves e finos.
Outro fator, regulatório, influenciou ainda mais a adoção em massa do novo modelo. Em 2022, a União Europeia adotou uma medida que obriga todos os dispositivos portáteis pequenos e médios vendidos em seus países membros a serem equipados com uma porta USB-C para carregamento. Esta medida, discutida desde 2006, visava reduzir o lixo eletrônico, prevenindo o descarte de carregadores obsoletos.
A Apple ofereceu a maior resistência a esta medida, utilizando o conector proprietário Lightning em seus telefones. A empresa financiou pesquisas alegando que tal medida dificultaria a inovação e levaria a custos ambientais ainda maiores. No entanto, acabou cedendo e, em 2023, anunciou que seus novos modelos iPhone 15 usariam carregadores tipo C.
No Brasil, também foram propostas medidas inspiradas no regulamento europeu. Em 2022, o senador Carlos Favaro (PSD-MT) apresentou o projeto de lei (PL) 2.643/2022, que obrigava a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a aprovar apenas dispositivos equipados com suporte a carregadores tipo C. No entanto, este texto ainda está em fase de análise.