As ações da SpaceX sofreram uma queda após a divulgação de um significativo aumento nos dispêndios destinados à inteligência artificial. O mercado demonstrou cautela diante do volume de capital alocado pela empresa de Elon Musk.
As ações da SpaceX sofreram uma queda após a divulgação de um significativo aumento nos dispêndios destinados à inteligência artificial. O mercado demonstrou cautela diante do volume de capital alocado pela empresa de Elon Musk.
De acordo com a CNBC, embora o primeiro relatório financeiro da companhia após seu IPO tenha apresentado resultados superiores às expectativas, ele também suscitou questionamentos acerca dos custos inerentes à sua estratégia.
No documento financeiro, a SpaceX reportou que seus investimentos em bens de capital atingiram US$ 18,4 bilhões durante o segundo trimestre, o que equivale a aproximadamente R$ 94,4 bilhões. Este montante representa um crescimento de seis vezes em comparação com o trimestre precedente, sendo a maior parcela direcionada à edificação da infraestrutura de inteligência artificial da organização.
A resposta dos investidores foi imediata, levando as ações a despencarem 12% nas negociações pré-abertura do mercado, reflexo da apreensão sobre o momento em que tais despesas começarão a gerar retornos.
Entre os destaques do balanço constam: US$ 18,4 bilhões em investimentos de capital no segundo trimestre; a maior parte desses fundos voltada para projetos de IA; a cotação das ações abaixo do valor inicial do IPO; e planos para expandir atividades relacionadas à computação.
A empresa busca converter a infraestrutura desenvolvida para inteligência artificial em uma nova linha de negócios. Essa abordagem consiste em fornecer capacidade computacional a outras empresas do setor, utilizando processadores da Nvidia.
Durante a apresentação dos resultados, o diretor financeiro Bret Johnsen assegurou que os recursos estão sendo empregados de maneira eficiente. Ele declarou: «Na parte de computação de IA, conseguimos distribuir capital de uma forma que estamos obtendo retorno em menos de um ano».
Adicionalmente, a companhia conseguiu diminuir suas perdas no trimestre. Elon Musk anunciou que a SpaceX tem como meta atingir US$ 1 trilhão em receita anual até 2030, antecipando este alvo em um ano em relação à projeção anterior.
Apesar das metas ambiciosas, o mercado segue analisando se o ritmo de gastos será sustentável até que a operação atinja maior lucratividade. Há dúvidas persistentes sobre a velocidade do crescimento e o montante dos custos antes da chegada à rentabilidade.
Outro fator de observação é o término do período de bloqueio para a venda de ações por colaboradores e investidores internos, o que permitirá que alguns acionistas negociem seus títulos, podendo intensificar a movimentação no mercado.
A SpaceX deve apresentar seu relatório financeiro inaugural desde a abertura de capital após o encerramento do mercado em 4 de agosto. Este anúncio ocorre em um período de maior reserva por parte dos investidores em relação a corporações ligadas à inteligência artificial, e seu desempenho será monitorado de perto tanto por analistas quanto pelo mercado.
As atenções estão voltadas, primariamente, para os resultados da Starlink, que é a principal geradora de receita da empresa, e para os números da divisão de inteligência artificial, visto que os altos investimentos nesta área têm gerado questionamentos sobre o retorno financeiro esperado.
Além dos indicadores operacionais, os investidores também acompanharão a evolução dos custos de infraestrutura, a taxa de crescimento dos assinantes da Starlink e a habilidade da companhia em manter sua avaliação de mercado apesar dos prejuízos acumulados.
A entrada da SpaceX na bolsa atraiu grande interesse inicial dos investidores, contudo, esse fervor diminuiu nas semanas subsequentes. Após listar suas ações a US$ 135, atingindo quase US$ 200 nos primeiros dias de negociação, os papéis começaram a cair, encerrando em US$ 112,55. Essa retração reflete parte da desconfiança observada em outras empresas do setor de inteligência artificial.
De acordo com a análise da Morningstar, a Starlink continua sendo a fonte principal de resultados da companhia. A operação de internet via satélite obteve um lucro próximo a US$ 1,2 bilhão, mesmo que a empresa, em termos consolidados, permaneça com prejuízo. Em 2025, a SpaceX registrou um déficit de quase US$ 5 bilhões sobre uma receita total de US$ 18,7 bilhões. Somente no primeiro trimestre de 2026, as perdas alcançaram aproximadamente US$ 4,28 bilhões.
Nicolas Owens, analista responsável pela cobertura da empresa na Morningstar, enfatiza que os dados da Starlink serão cruciais para avaliar a trajetória operacional da companhia. Ele explicou que a Starlink é atualmente o principal motor de lucros e pode ajudar a custear parcialmente os planos de expansão da inteligência artificial, acrescentando que no segundo trimestre estão observando a tendência de crescimento da base de assinantes.
Outro ponto de observação é a receita proveniente da divisão de inteligência artificial. Espera-se que este segmento contabilize pagamentos referentes ao aluguel de infraestrutura para companhias como Anthropic, Google e, potencialmente, Reflection. Embora tais contratos possam impulsionar o faturamento, a avaliação do analista sugere que a operação ainda estará longe de ser lucrativa.
Comentando este segmento, Owens avalia que parte das receitas pode exceder as previsões do mercado. Ele detalha que a receita da divisão de inteligência artificial no segundo trimestre incluirá pagamentos substanciais pelo aluguel de infraestrutura realizados pela Anthropic, Google e, talvez, pela Reflection, o que pode surpreender positivamente alguns investidores.
Os gastos com infraestrutura também são um fator de grande atenção. Segundo a Morningstar, os dispêndios direcionados ao desenvolvimento da inteligência artificial mais que dobraram entre 2024 e 2025, com projeções indicando uma nova aceleração em 2026. Sobre este panorama, Owens salienta que a estratégia exige aportes financeiros elevados continuamente, pois os gastos com IA e os investimentos em bens de capital (capex) seguem crescendo rapidamente, sem previsão de lucratividade precoce para esta área.
Apesar da grande atenção dada à inteligência artificial, a divisão espacial continua sendo vista como peça fundamental da estratégia da empresa. As expectativas incluem o aumento da capacidade de lançamentos com a Starship, um projeto desenhado para transportar cargas muito maiores do que as atuais do Falcon 9, além da possibilidade futura de enviar centros de dados ao espaço.
Owens acredita que esse progresso pode aumentar a vantagem competitiva da companhia no setor de lançamentos espaciais. Ele afirma que a Starship potencializará a liderança da SpaceX em frequência de lançamentos e capacidade de transporte, pois a nave foi concebida para colocar em órbita uma carga útil até dez vezes superior à transportada por um voo típico do Falcon 9.
Por fim, o mercado observará a discrepância entre a cotação das ações e os fundamentos financeiros da empresa. Os dados do levantamento mostram que, enquanto o consenso de mercado aponta um preço-alvo médio de US$ 236,72 por ação, Owens estima um valor justo de US$ 63, justificando essa visão mais cautelosa pelas incertezas relativas ao retorno dos investimentos em inteligência artificial.