Em 1848, o ensino para meninas em Pune era considerado um ato de rebeldia. No entanto, Savitribai Phule e Fatima Sheikh decidiram desafiar as normas sociais, pois estavam convencidas de que a educação é um direito, e não um privilégio acessível apenas aos escolhidos.
Fatima Sheikh era irmã de Usman Sheikh, um amigo próximo de Jyotirao Phule. Mas ela se tornou muito mais do que uma apoiadora — transformou-se na colega, parceira e companheira de Savitribai nesta revolução.
Quando Savitribai e Jyotirao abriram uma escola para meninas em Pune em 1848, a sociedade se opôs. Eles foram insultados e ameaçados, forçando-os a deixar suas casas. No momento mais difícil, Fatima e Usman lhes forneceram sua moradia.
Por anos, Phule viveram na casa dos Sheikhs. Foi desta casa que duas mulheres começaram a ensinar meninas que eram ditas não merecerem educação. Todas as manhãs, ao caminho para a escola, eram atirados pedras, lama e esterco neles.
Savitribai usava um sari extra para se trocar após chegar à escola. Fatima também continuou a lecionar, apesar da oposição causada por seu questionamento das normas sociais de sua época.
Em outubro de 1856, recuperando-se de uma doença na casa dos pais em Naigaon, ela escreveu a Jyotirao: 'Não se preocupe com a escola. Fatima deve estar enfrentando dificuldades, mas sei que ela conseguirá superar tudo'. E Fatima conseguiu. Ela assumiu a responsabilidade pela escola e manteve sua missão viva.
Uma carta refletiu toda a essência de sua jornada: confiança, amizade e apoio mútuo quando o mundo inteiro estava contra eles. Savitribai Phule e Fatima Sheikh tornaram-se algumas das primeiras professoras da Índia. No entanto, sua maior lição não foi apenas sobre educação, mas sobre o que acontece quando as pessoas escolhem a humanidade em vez das fronteiras impostas pela sociedade.
Hoje, milhões de meninas indianas estudam em salas de aula graças a duas mulheres que recusaram a ideia de que a educação pertence apenas a poucos. Savitribai e Fatima fizeram história juntas.

