O Ministério da Saúde do Canadá anunciou na terça-feira a permissão para o gigante farmacêutico americano Moderna iniciar ensaios clínicos de uma vacina contra a cepa Ebola Bundibugyo.
O Ministério da Saúde do Canadá anunciou na terça-feira a permissão para o gigante farmacêutico americano Moderna iniciar ensaios clínicos de uma vacina contra a cepa Ebola Bundibugyo.
O ensaio de fase um desta vacina de mRNA visa avaliar a segurança do candidato a vacina, determinar a faixa de dosagem apropriada e identificar quaisquer efeitos colaterais, de acordo com o ministério.
Atualmente, não há casos registrados de Ebola no Canadá. No âmbito do ensaio, uma dose da vacina será administrada a um grupo de voluntários saudáveis para avaliar a resposta imunológica à cepa Bundibugyo.
Em caso de resultados positivos, a vacina avançará para estudos clínicos adicionais com grupos de pessoas mais numerosos. Esta vacina utiliza a mesma tecnologia de mRNA que a vacina Moderna contra a Covid-19.
O Canadá, que fechou suas fronteiras para todos os cidadãos estrangeiros recentemente presentes na República Democrática do Congo (RDC), assinou um acordo com a empresa em 20 de julho para produzir a vacina em território canadense.
Atualmente, não existe vacina ou tratamento aprovado para a variante Bundibugyo, associada ao surto de Ebola declarado em 15 de maio. No entanto, outros candidatos a vacinas estão sendo desenvolvidos.
Outro candidato a vacina, classificado pela OMS como 'mais promissor', chamado rVSV Bundibugyo, está em desenvolvimento pela empresa de Singapura Hilleman Laboratories. Enquanto isso, no final de julho, o primeiro voluntário recebeu a dose inicial de outra vacina contra Bundibugyo, desenvolvida pela Universidade de Oxford na Grã-Bretanha, que utiliza tecnologia semelhante à vacina AstraZeneca contra a Covid-19.
O tratamento também está passando por ensaios clínicos de acordo com as recomendações da OMS. O Ebola, transmitido pelo contato com fluidos biológicos e que causa febre hemorrágica, resultou na morte de mais de 1700 pessoas na RDC desde maio.
Uma nova vacina contra Ebola, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das candidatas mais promissoras contra a estirpe Bundibugyo, pode mudar drasticamente a abordagem no combate aos surtos. Esta estirpe é responsável por mais de 1300 mortes na República Democrática do Congo.
Desenvolvida pela Hilleman Laboratories, esta vacina atrai atenção devido à potencial vantagem logística: pode ser armazenada em refrigeradores comuns, o que simplifica significativamente a entrega das doses às áreas afetadas. O candidato rVSV Bundibugyo utiliza a mesma plataforma de desenvolvimento da vacina Ervebo, aprovada contra a estirpe mais comum de Ebola Zaire.
De acordo com a OMS, este imunizante experimental é uma alternativa 'mais promissora' contra a estirpe Bundibugyo, para a qual ainda não existe uma vacina ou tratamento específico aprovado.
A Hilleman Laboratories anunciou planos para avançar o projeto para ensaios clínicos. A empresa é uma joint venture entre a farmacêutica americana MSD e a instituição britânica Wellcome Trust. A MSD, que desenvolveu o Ervebo, participará como consultor técnico e contribuirá com sua experiência na plataforma rVSV.
Um dos principais obstáculos nos surtos de Ebola é a conservação das vacinas. Enquanto o Ervebo requer temperaturas muito baixas, espera-se que o novo candidato possa ser armazenado por meses em refrigeradores padrão. Este recurso pode facilitar o transporte para áreas com infraestrutura limitada e reduzir os custos de distribuição.
Os benefícios potenciais incluem maior facilidade de entrega das doses, menor dependência de sistemas de refrigeração avançados, redução de custos logísticos e resposta mais rápida a novos surtos. Se os testes iniciais mostrarem resultados positivos e for autorizada a utilização, a Hilleman Laboratories e a Coligação para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI) esperam garantir o fornecimento de doses em países em desenvolvimento e de baixa e média renda.
A próxima fase da pesquisa será a avaliação da segurança e eficácia da vacina em voluntários. A OMS previu que os ensaios em humanos podem começar em sete a nove meses. Além disso, outra candidatura contra a estirpe Bundibugyo iniciou testes, onde o primeiro voluntário recebeu uma dose da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, baseada em tecnologia semelhante à usada no imunizante AstraZeneca contra a Covid-19.
O progresso nestas pesquisas pode expandir as opções de proteção contra variantes de Ebola para as quais ainda não há proteção específica. No entanto, além da eficácia, a facilidade de armazenamento e distribuição das doses será um fator crucial para transformar a vacina numa solução viável durante futuros surtos.