A SpaceX divulgou seu primeiro relatório financeiro desde a abertura de capital ocorrida em junho desta terça-feira (4). A companhia, liderada por Elon Musk, reportou uma receita superior às previsões do mercado no segundo trimestre, impulsionada majoritariamente pelo serviço de internet via satélite Starlink. Contudo, a empresa segue apresentando prejuízos consideráveis devido aos investimentos realizados em inteligência artificial (IA).
A receita total da empresa alcançou US$ 7,8 bilhões (equivalente a R$ 40,2 bilhões), superando a estimativa de US$ 6,9 bilhões (R$ 35,6 bilhões) feita por analistas consultados pela LSEG. Este valor demonstra um aumento notável de 92% quando comparado aos US$ 4,1 bilhões (R$ 21,1 bilhões) registrados no mesmo período do ano anterior. Em termos de prejuízo por ação, o valor foi de US$ 0,09 (R$ 0,46), um resultado melhor do que a média esperada pelo mercado, que projetava uma perda de US$ 0,26 (R$ 1,34) por ação.
Starlink sustenta resultados da empresa
De acordo com a própria SpaceX, o setor de conectividade, que abrange o serviço Starlink, permanece como a principal fonte de receita e a única operação que gera lucro para a companhia. Neste trimestre, essa divisão faturou US$ 4,2 bilhões (R$ 22 bilhões), excedendo a projeção de US$ 3,8 bilhões (R$ 19,7 bilhões). O lucro operacional dessa unidade foi de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,5 bilhões).
A SpaceX também comunicou que a Starlink atingiu 12 milhões de assinantes, o que representa o dobro do número registrado no mesmo período do ano passado e um crescimento de 17% em relação ao primeiro trimestre. Apesar dessa ampliação na base de clientes, a receita média por usuário (ARPU) manteve-se estável em US$ 66 (R$ 339,48) no trimestre, mas ficou aquém dos US$ 85 (R$ 437,21) observados há um ano, sinalizando uma diminuição na receita gerada por cada assinante.
Divisão espacial e IA seguem no vermelho
Embora a receita tenha superado as expectativas, a SpaceX enfrenta desafios em outras áreas de seu negócio. A divisão espacial, responsável pelos contratos com a NASA e pelos lançamentos de foguetes, obteve uma receita de US$ 962 milhões (R$ 4,9 bilhões), ficando acima da previsão de US$ 835 milhões (R$ 4,3 bilhões). No entanto, ela encerrou o trimestre com um prejuízo operacional de US$ 542 milhões (R$ 2,8 bilhões).
Já a área de IA gerou US$ 2,5 bilhões (R$ 13,2 bilhões), também acima da expectativa de US$ 2,18 bilhões (R$ 11,2 bilhões), mas registrou um prejuízo operacional de US$ 1,2 bilhão (R$ 6,5 bilhões). Os altos investimentos em infraestrutura de IA continuam exercendo pressão sobre as finanças da empresa. Em 2025, a SpaceX acumulou um prejuízo de US$ 4,9 bilhões (R$ 25,2 bilhões), atribuído principalmente a esses aportes.
Em fevereiro, a companhia anunciou sua fusão com a xAI, uma startup de IA de Elon Musk, com o propósito declarado de desenvolver centros de dados no espaço.
Primeiro teste com investidores após o IPO
Este balanço marca a primeira divulgação da SpaceX desde seu IPO, realizado em junho. Desde a entrada na bolsa, as ações da empresa haviam sofrido uma queda de aproximadamente 16% até o fechamento de segunda-feira, reflexo da apreensão dos investidores quanto aos custos elevados em IA e à rentabilidade das operações espaciais.
Contudo, após a publicação dos resultados, o mercado reagiu de forma positiva, elevando as ações da SpaceX em 9,4% nesta terça-feira, terminando o pregão cotadas a US$ 125,33 (R$ 644,66). Mesmo com a alta, os títulos ainda se encontram abaixo do patamar de US$ 135 (R$ 694,40) estabelecido durante o IPO.
Com os recursos obtidos no IPO de junho, a posição de caixa da SpaceX aumentou substancialmente. Ao final do segundo trimestre, a empresa reportou possuir US$ 93,5 bilhões (R$ 480,9 bilhões) em caixa e equivalentes, comparado aos US$ 24,7 bilhões (R$ 127 bilhões) registrados no encerramento do primeiro trimestre. Paralelamente, o endividamento da companhia cresceu, totalizando US$ 36,8 bilhões (R$ 189,2 bilhões) em dívidas e contratos de arrendamento financeiro, um aumento em relação aos US$ 22 bilhões (R$ 113,1 bilhões) de três meses antes.
Os investimentos de capital da SpaceX cresceram mais de seis vezes em relação ao segundo trimestre do ano passado, totalizando US$ 18,3 bilhões (R$ 94,5 bilhões). A maior parcela desse montante, US$ 15,8 bilhões (R$ 81,4 bilhões), foi direcionada à área de IA, fortalecendo a estratégia da empresa após a união com a xAI. Esse volume de investimento também ultrapassou a projeção média dos analistas consultados pela FactSet, que esperavam despesas de capital de US$ 13,2 bilhões (R$ 68 bilhões) no período. Os gastos elevados com IA estão sob vigilância atenta de investidores e analistas, em um cenário onde outras corporações, como Alphabet, Meta, Microsoft e Amazon, também são questionadas sobre o retorno dos bilhões aplicados na expansão da infraestrutura de IA.

