A opinião comum de que carros antigos são 'construídos como tanques' nem sempre se correlaciona com sua segurança real em comparação com veículos modernos. Embora frequentemente se diga que 'eles não são mais feitos como antes', essa afirmação não se aplica ao campo da segurança automotiva.
Embora alguns motoristas acreditem que seu carro antigo mantém a integridade em um acidente devido à sua construção robusta, especialistas observam que o que é criticamente importante não é apenas uma carroceria resistente, mas como exatamente o veículo se deforma ao redor dos passageiros.
Segundo Eugene Herbert, CEO da MasterDrive, um veículo que se deforma adequadamente nos locais corretos cumpre sua função estrutural. Carros modernos são equipados com zonas de deformação especiais, projetadas para absorver energia cinética durante uma colisão, retardando assim a frenagem brusca que os passageiros experimentam.
A cabine dos passageiros, por outro lado, é projetada para permanecer rígida e resistir ao impacto. Assim, mesmo que os danos pareçam dramáticos após um acidente, eles podem indicar que os passageiros sofreram ferimentos leves.
Os consumidores devem ter cautela e não tirar conclusões precipitadas sobre o nível de segurança de um veículo baseando-se unicamente no quanto ele se deforma em vídeos de testes.
Eugene Herbert acrescentou que organizações como Global NCAP e ANCAP consideram muito mais fatores do que o que é visível na câmera. Suas classificações incluem dados de sensores que medem as forças exercidas na cabeça, peito, quadris e pernas dos manequins, bem como a avaliação da compatibilidade de cadeirinhas infantis, proteção contra capotamento e a presença de sistemas de segurança ativos, como controle eletrônico de estabilidade (ESC).
Carros antigos não colidem como tanques
Existem vários testes de colisão conhecidos nos quais carros modernos foram comparados com seus predecessores 'clássicos' com resultados catastróficos. Um dos mais famosos foi o teste do Insurance Institute of Highway Safety dos EUA (IIHS) entre um Chevrolet Bel Air de 1959 e um Chevrolet Malibu de 2009. Este último também foi testado com um modelo mais antigo de 2004, que também sofreu grande deformação.
Outro teste ilustrativo colocou um Nissan Versa dos anos 2010 (Almera na África do Sul) contra um sedã Nissan Tsuru dos anos 90, que foi produzido por muito tempo em mercados como o México.
Airbags são incrivelmente importantes
Outro equívoco comum é a afirmação: 'Meu carro não precisa de airbags, ele é forte'. No entanto, o airbag é frequentemente chamado de Sistema de Restrição Suplementar (SRS), e sua eficácia é praticamente nula sem o uso do Sistema de Restrição Principal — o cinto de segurança.
No entanto, o uso combinado desses dois sistemas aumenta significativamente as chances de sobrevivência em caso de acidente. A Latin NCAP, um órgão independente de testes de colisão, realizou um teste de uma geração anterior do Mitsubishi Triton há alguns anos e não conseguiu pontuar nenhum ponto. No entanto, o mesmo carro, supostamente com construção idêntica, recebeu cinco estrelas no teste ANCAP da Austrália.
A razão para a discrepância foi que as versões latino-americanas do Triton não estavam equipadas com airbags. Além disso, ao comprar o carro para o teste, o vendedor informou ao comprador que 'airbags não são necessários porque a construção é robusta'.
Nem todos os carros modernos são tão seguros quanto parecem
Embora os veículos modernos sejam, em geral, muito mais seguros do que seus antecessores, isso não significa que cada novo modelo seja automaticamente mais seguro. Alguns modelos de baixo custo apresentaram maus resultados em testes de colisão em certos mercados, como o Datsun Go e o Hyundai Grand i10. Além disso, algumas versões desses e muitos outros carros não possuem recursos de segurança importantes nas configurações básicas.
A situação é complicada pelo fato de que o mesmo modelo pode ser vendido em diferentes mercados com especificações de segurança distintas. Portanto, ao visualizar os resultados dos testes de colisão, os compradores devem lembrar que nem todos os resultados do Global NCAP se aplicam a um veículo equivalente vendido localmente.
Herbert alerta que, às vezes, existem versões de modelos com características inferiores disponíveis em outros lugares, que carecem de recursos como airbags laterais ou cortina, bem como controle eletrônico de estabilidade (ESC).
Ele observa que carros com nomes familiares podem apresentar baixas pontuações, mesmo que versões semelhantes funcionem bem no exterior, pois as leis locais exigem certas funções de segurança. Ao pesquisar um novo carro, é necessário verificar não apenas a presença da classificação Global NCAP ou ANCAP, mas também se essa classificação se aplica à especificação específica vendida na África do Sul.
Jogo perigoso para compradores de carros compactos
Bobby Ramagvede, diretor geral da Associação Automobilística da África do Sul (AA), chamou o mercado de carros abaixo de 400.000 rand de 'jogo perigoso' atualmente, especialmente em relação aos modelos de entrada. Ele alertou que em um impacto lateral, os airbags cortina são frequentemente o fator decisivo entre a vida e a morte.
Ramagvede afirmou que, na ausência de uma barreira adicional, a pessoa corre o risco de sofrer ferimentos graves, como decapitação, cortes profundos no pescoço ou fratura cervical.
Ele expressou pesar pelos requisitos mínimos de segurança veicular na África do Sul, chamando-os de 'padrões de carrinho de mão'. Ramagvede acusou muitos fabricantes de cumplicidade, pois eles não elevam os padrões de segurança de seus carros. Ele enfatizou que existem casos em que o mesmo carro é modificado para o mercado africano. Ele considera que a remoção de recursos de segurança ao lançar um carro no mercado é uma tentativa indireta de matar pessoas.
Ele pediu enfaticamente aos compradores de carros na África do Sul que tenham extrema cautela ao comprar carros novos ou usados de entrada, pois testes recentes de colisão revelaram uma tendência alarmante à falta de proteção adequada em modelos de baixo custo. Ramagvede concluiu que é ainda mais preocupante que muito poucos carros testados têm classificações de segurança semelhantes às dos mesmos modelos vendidos no exterior.