Fontes com conhecimento dos esforços da administração do Presidente norte-americano Donald Trump relativos ao dossiê cubano confirmaram movimentos recentes de aumento de contingente de serviços de informação em Havana, embora tenham se abstenido de fornecer detalhes específicos sobre o escopo da operação.
Uma das pessoas entrevistadas não quis revelar quais agências estariam envolvidas nesse esforço para coletar dados ou influenciar o aparato estatal cubano. Contudo, uma segunda fonte, citada pelo Politico, indicou que houve um incremento na presença da CIA na ilha caribenha nos últimos meses, sem definir prazos ou participantes.
Este aumento pode sinalizar ações que variam desde uma possível operação militar dos EUA em Cuba até intensificação de esforços para responsabilizar altos funcionários cubanos ou cidadãos comuns perante o governo do Presidente Miguel Díaz-Canel, em um cenário de insatisfação devido à grave crise humanitária.
A primeira fonte descreveu o reforço da presença dos serviços secretos como um movimento tático crucial que poderia preparar o caminho para uma incursão militar americana. O Politico ressaltou, porém, que essa mesma fonte não validou intenções ou planos concretos por parte de Washington.
Cuba e os Estados Unidos são considerados inimigos ideológicos desde que o antigo líder revolucionário Fidel Castro, e posteriormente seu irmão e ex-presidente Raúl Castro, assumiram o poder em 1959. Os dois países mantêm operações de espionagem mútuas há décadas.
No caso de Washington, a presença na ilha havia sido reduzida quando Donald Trump diminuiu o efetivo da embaixada dos Estados Unidos durante seu primeiro mandato (2017-2021).
As informações divulgadas pelo Politico inserem-se no contexto da crescente tensão entre os Estados Unidos e Cuba, que inclui sanções econômicas, medidas direcionadas a investidores estrangeiros estabelecidos no país há décadas e um bloqueio ao suprimento de petróleo, o que agravou a crise local.
Na segunda-feira, a ilha enfrentou dois blecautes generalizados em menos de 24 horas, elevando o total para sete desde o começo do ano. Essa conjuntura ocorreu paralelamente ao aumento da pressão por reformas políticas.
Em maio, John Rattcliffe, diretor da CIA, visitou Cuba e alertou o regime de Havana sobre a necessidade de implementar reformas estruturais. Pouco tempo depois, o Departamento de Justiça dos EUA formalizou acusações criminais contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, que contava com 95 anos.
Adicionalmente, em maio, uma análise de dados da plataforma FlightRadar24 demonstrou que os Estados Unidos executaram pelo menos 25 voos militares próximos a Cuba para fins de coleta de informações. A administração de Trump, especialmente o Secretário de Estado de origem cubana, Marco Rubio, tem classificado Cuba como uma ameaça à segurança nacional dos EUA.



