O Dr. Peter de Jong aconselhou mulheres grávidas a procurar ajuda médica imediatamente se estiverem vomitando líquidos, pois isso é um sinal importante de desidratação.
O Dr. Peter de Jong aconselhou mulheres grávidas a procurar ajuda médica imediatamente se estiverem vomitando líquidos, pois isso é um sinal importante de desidratação.
Embora náuseas e vômitos sejam fenômenos comuns durante a gravidez, existe uma condição muito mais grave conhecida como hiperêmese gravídica (HG), que pode colocar em risco tanto a mãe quanto a gravidez se não for tratada a tempo.
O osteopata e ginecologista Peter de Jong, do Netcare Christiaan Barnard Memorial Hospital, enfatizou que vômitos persistentes que impedem a mulher grávida de reter alimentos ou líquidos nunca devem ser ignorados como simples enjoo matinal.
Ele afirmou: «Quando uma mulher grávida não consegue reter nenhum alimento ou líquido, isso nunca deve ser atribuído a 'apenas enjoo matinal'. A desidratação na gravidez é sempre uma situação médica de emergência».
A hiperêmese gravídica, termo médico para vômito excessivo durante a gravidez, geralmente se desenvolve durante o primeiro trimestre. É caracterizada por vômitos diários recorrentes, perda de peso e desidratação severa.
Segundo De Jong, essa condição pode ser mais comum em mulheres que esperam gêmeos ou em gestações associadas a certas disfunções hormonais. Ele acrescentou que, com tratamento precoce e hidratação adequada, a HG por si só não representa uma ameaça ao feto.
No entanto, a desidratação não tratada pode reduzir o fluxo sanguíneo para a placenta, tornando a intervenção médica precoce vital. De Jong recomendou enfaticamente que as mulheres grávidas procurem atendimento médico imediato em caso de vômito de líquidos como um sinal de alerta chave de desidratação.
Os sintomas de desidratação durante a gravidez incluem diminuição da quantidade de urina em comparação com o normal, urina amarelo-escura, tontura ao levantar, olhos fundos, lábios e língua secos, e pele seca.
Quando muitas mulheres procuram ajuda por HG, elas frequentemente estão exaustas após vômitos prolongados e incapacidade de reter líquidos. Os sintomas geralmente começam nas primeiras duas ou três meses de gravidez, e muitas mulheres melhoram seu estado até o meio da gravidez. No entanto, essa condição pode ocorrer novamente mais tarde na mesma gravidez ou em futuras.
O tratamento depende da gravidade dos sintomas e frequentemente requer hospitalização, onde fluidos intravenosos são usados para restaurar a hidratação e os níveis de eletrólitos. Medicamentos seguros para a gravidez também podem ajudar a reduzir náuseas e vômitos.
De Jong observou que o apoio emocional e prático de parceiros e familiares desempenha um papel importante na recuperação, incluindo ajuda com tarefas domésticas, cuidados com crianças e incentivo à busca precoce de atendimento médico em caso de piora dos sintomas. Para mulheres que sofrem de náuseas relacionadas à gravidez, ele aconselhou beber suplementos vitamínicos na forma de milkshakes várias vezes ao dia, se tolerado. Ele concluiu: «Se você não consegue reter nada, é hora de consultar um profissional de saúde».
O Sistema Único de Saúde (SUS) expandiu sua capacidade de teleatendimento para um total de 100 mil casos destinados a indivíduos que estão lidando com dificuldades relacionadas a apostas online. Essa ampliação ocorreu devido ao crescente volume de solicitações por serviços de suporte em saúde mental, conforme relatado pela Agência Brasil.
Através do aplicativo Meu SUS Digital, esta iniciativa proporciona orientação e acompanhamento profissional de maneira remota, garantindo sigilo e um ambiente acolhedor. O serviço foi iniciado em março, registrando inicialmente uma média de 600 consultas mensais. Devido à alta demanda, o Ministério da Saúde aumentou a capacidade da ferramenta, que serve como ponto de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
A oferta deste serviço é realizada em colaboração com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). Os dados de autoexclusão também evidenciam a necessidade de auxílio: o Ministério da Saúde informou que mais de um milhão de pessoas pediram a remoção do CPF de sites e aplicativos de apostas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão. Deste grupo, 35% citaram a perda de controle sobre as apostas como razão para o pedido.
Diversos comportamentos sinalizam a necessidade de buscar assistência. Entre eles, destacam-se a incapacidade de diminuir ou cessar os jogos, alterações nos padrões de sono, alimentação ou humor, e o hábito de mentir a familiares e amigos sobre as apostas. Outros alertas incluem sentimentos de ansiedade, irritabilidade ou agitação quando afastado dos jogos, além de prejuízos financeiros no âmbito pessoal ou familiar.
Sinais de alerta também englobam sentimentos de vergonha, culpa, deterioração nos relacionamentos e o uso das apostas como mecanismo para gerenciar estresse ou frustrações.
O Ministério da Saúde aponta que diversos fatores elevam a vulnerabilidade dos indivíduos. Estes incluem a exposição precoce aos jogos, a acessibilidade fácil às plataformas, a impulsividade, o isolamento social e um histórico prévio de depressão ou ansiedade. Adicionalmente, influências sociais que promovem positivamente as apostas e incentivam o jogo como fuga de problemas emocionais também contribuem para esse risco.
As mulheres frequentemente colocam as necessidades de suas famílias e da sociedade acima das suas próprias necessidades de saúde, o que leva a pular ou ignorar exames médicos necessários. As razões podem variar desde agendas apertadas e dificuldades financeiras até a subestimação dos riscos. Anualmente, milhares de mulheres perdem a oportunidade de realizar rastreamentos de importância crítica.
Embora as mulheres desempenhem inúmeros papéis na família e na comunidade, sua própria saúde pode ficar em segundo plano. A agenda apertada, a pressão financeira e os equívocos sobre os riscos contribuem para estatísticas preocupantes, já que muitas mulheres negligenciam os exames necessários.
Murray Howell, CEO da Affinity Health, enfatiza a necessidade vital de exames médicos regulares, pedindo que 'a saúde da mulher seja importante'. Ele observou que quanto mais cedo os problemas potenciais forem detectados, melhor será o resultado, e os cuidados preventivos podem salvar vidas.
Existem cinco exames médicos chave que toda mulher deve agendar:
Um agrotóxico que foi vetado na Europa está aumentando sua presença no mercado brasileiro. Isso ocorre após as autoridades nacionais proibirem, há oito anos, outro pesticida pertencente à mesma família química devido a riscos ligados a mutações genéticas e à doença de Parkinson.
O aumento no uso dessa substância alternativa está diretamente associado à multiplicação dos casos de intoxicação. Entre 2018 e 2025, foram registrados 250 casos no país, resultando em pelo menos 40 mortes, sendo seis por acidentes e 34 por suicídio após ingestão do agrotóxico.
Esses dados foram revelados por uma investigação conjunta da Repórter Brasil e da organização suíça Public Eye, utilizando informações oficiais do Sistema Único de Saúde (SUS).
O paraquate, um herbicida amplamente empregado no controle de ervas daninhas em plantações, foi proibido no Brasil em 2017 devido aos seus potenciais impactos na saúde humana. Posteriormente, seu parente químico, o diquate, viu seu uso aumentar dez vezes até 2024, conforme monitoramento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Atualmente, somente um terço das dez mil toneladas consumidas no Brasil é produzido internamente; a maior parte é importada, incluindo o Reglone. Este último, fabricado pela multinacional Syngenta, é a marca mais conhecida e é responsável por, no mínimo, 65% das intoxicações. A Public Eye descobriu que, em 2023, a Syngenta exportou mais da metade da produção de Reglone feita na Inglaterra para o Brasil.
O diquate é proibido na Inglaterra e na Suíça, sede da Syngenta, desde uma reavaliação realizada na União Europeia em 2018, que identificou «um alto risco para os trabalhadores, transeuntes e moradores» de áreas próximas às lavouras. A Syngenta importa o diquate para a fabricação do Reglone no Brasil tanto da Inglaterra quanto da China.
No Brasil, onde o uso do diquate é permitido, os casos de intoxicação têm gerado preocupação nas autoridades. Houve seis casos em 2018, mas no ano anterior (ao da publicação), o número saltou para 71, representando um crescimento de 1.100%.
Este aumento, embora possa parecer pequeno comparado aos mais de 11 mil episódios de contaminação por agrotóxicos relatados no Brasil em 2025, sinaliza um alerta devido à rapidez com que os registros estão se multiplicando.
A médica toxicologista Bruna Telles Scola, que atua no Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul (CIT-RS), ilustra a gravidade do cenário: «Em 2025, atendemos 17 casos relacionados ao diquate no Rio Grande do Sul, mas só nesses primeiros meses de 2026 já temos 15 casos registrados».
Em resposta à Repórter Brasil, a Syngenta afirmou que o diquate «é um herbicida registrado no Brasil» e garantiu que «seu uso é seguro nas condições aprovadas pelas autoridades regulatórias, sempre que seguidas as instruções contidas na bula e no receituário agronômico».
O Rio Grande do Sul foi a unidade federativa que registrou o maior volume de diquate vendido em 2024 e também foi a líder em episódios de intoxicação em 2025, dois dos quais resultaram em óbito.
Nelson Castoldi, agricultor de 80 anos, foi uma dessas vítimas. Ele teve contato com o Reglone na lavoura de soja de sua família, no município de Guaporé, na Serra Gaúcha. Seu filho, Ivan André Castoldi, relatou que, para evitar carregar o recipiente inteiro, o pai separou o necessário e colocou em uma garrafa PET de Coca-Cola.
Devido ao calor intenso de outubro, o agricultor se enganou e ingeriu o líquido, pensando ser refrigerante, pois estava com sede. Após sentir o gosto, ele vomitou. Dois dias depois, Nelson faleceu no hospital. O laudo do médico legista confirmou que «a evolução clínica é compatível com os quadros ocasionados por intoxicação por este herbicida [diquate]» e atribuiu a morte por insuficiência respiratória à intoxicação pelo agrotóxico.
O diquate é um herbicida da mesma família e tipo do paraquate, popularmente conhecidos como «mata-mato», usados contra ervas daninhas em culturas como soja, milho, algodão, batata e feijão. Embora não seja recomendado para fumo, há registros de intoxicações nessa cultura também.
Ivan André Castoldi defendeu que «o Reglone devia ser proibido, não pelo que aconteceu com a gente, mas devido à sua toxicidade», concluindo que, se é proibido em outros países, deveria ser proibido no Brasil também. A médica toxicologista Bruna Telles Scola concordou, afirmando que «se foi proibido no local onde é fabricado, quer dizer que sabem do potencial de toxicidade que tem esse produto».
Em sua nota à Repórter Brasil, a Syngenta esclareceu que «o fato de um determinado ingrediente ativo não ter sido registrado ou aprovado em um país não significa que ele passou por uma avaliação que o proibiu por apresentar riscos à saúde ou ao meio ambiente. As diferenças de registro entre países não significam, por si só, que um produto tenha sido considerado inseguro em outra jurisdição».
Nelson Castoldi sofreu um quadro de intoxicação muito grave. Sua nora, Cristiane Redante, informou que «a primeira coisa que o veneno atacou foram os rins, que paralisaram. Então, levaram para a hemodiálise». Em seguida, o herbicida afetou os pulmões, que «necrosearam», segundo Ivan Castoldi.
O paraquate, que também era conhecido por afetar o sistema respiratório, causa problemas nos alvéolos, impedindo as trocas gasosas, detalhou a bióloga sanitarista Vanda Garibotti, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) do Rio Grande do Sul.
Existem outras similaridades nos efeitos dos dois agrotóxicos no organismo humano. Um diagnóstico da Anvisa em 2017 apontou que «casos de intoxicação aguda grave por ingestão acidental de paraquate ou tentativa de suicídio são preocupantes» e foi um motivo para o banimento do agrotóxico.
Dos 250 casos de intoxicação por diquate registrados no Brasil entre 2018 e 2025, 34 foram relacionados a suicídios e 77 a tentativas de suicídio.
Embora a indústria negue a ligação, diversas pesquisas científicas alertam para um possível impacto da exposição crônica a agrotóxicos na saúde mental, sugerindo que taxas de suicídio podem ser maiores em regiões com grande uso de pesticidas, especialmente em países em desenvolvimento.
Os dados do SUS também contabilizam seis mortes acidentais no Brasil, todas ocorridas a partir de 2023, onde as vítimas não tentaram tirar a própria vida.
Bruna Telles Scola comparou: «A gente percebe que são muito parecidos nos sintomas que causam, e também no desfecho clínico de casos graves. Se o diquate for ingerido, na maioria dos casos é fatal».
Contudo, os profissionais de saúde acreditam que há mais chance de recuperação de pacientes intoxicados com diquate do que com o antecessor, pois o diquate leva mais tempo para atingir os pulmões.
Apesar disso, evidências da Anvisa indicam que o paraquate poderia causar doença de Parkinson. Já o diquate «se deposita no sistema nervoso central, trazendo sinais de parkinsonismo, com sintomas como tremores, alteração de visão, irritabilidade, agressividade e confusão mental», observou Scola.
Paulo Rozelmo Krug, intoxicado após usar Reglone para limpar sua lavoura de fumo em Tunas, no centro do Rio Grande do Sul, ficou «possuído», segundo sua esposa, Daniela Oliveira dos Santos, que relatou: «Ele não me ouvia, ninguém conseguia segurar ele».
A família de Paulo Roberto Schimunek, de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, inicialmente pensou que ele estava tendo um AVC após aplicar Reglone no jardim. Ele começou a gaguejar, enrolar a língua e apresentar confusão mental. A vítima recordou: «Quando o médico foi pesquisar, disse que esse é o veneno mais perigoso que tem».
Valdemar Postanovicz, fumicultor em Ipiranga, no Paraná, também sentiu como se tivesse sofrido um derrame, mas eram sintomas de intoxicação aguda por diquate. Ele descreveu: «Todo o lado direito do meu corpo ficou paralisado. Minha boca torceu para a direita. No caminho para o hospital, comecei a ver tudo escuro».
O Paraná é o estado brasileiro com o maior número total de intoxicações por diquate registradas no SUS desde 2018. Postanovicz justificou o uso do Reglone porque o Gramoxil (produto à base de paraquate) havia parado de ser produzido, levando todos a usarem o Reglone, mas acrescentou que jamais compraria o produto novamente por ter sido «muito assustador».
Dentre os 250 casos notificados ao SUS entre 2018 e 2025, 109 foram classificados como doenças relacionadas ao trabalho, incluindo cinco das seis mortes não causadas por suicídio.
A grande maioria dos intoxicados são agricultores. Em entrevistas realizadas pela equipe da Repórter Brasil e da Public Eye, dois indivíduos defenderam o uso da substância, apesar de terem sofrido contaminação, avaliando ser possível controlar os riscos à saúde.
Fabricantes de agrotóxicos, como a Syngenta, recomendam o uso completo de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que incluem macacão de mangas, calças longas, botas de borracha, avental impermeável, máscara PFF2, óculos, touca árabe e luvas.
Além disso, sindicatos rurais oferecem treinamentos sobre o «uso seguro» de agrotóxicos em parceria com o Serviço Nacional da Aprendizagem Rural (Senar). Outra prática comum é o «dia de campo», onde a indústria apresenta novas tecnologias de sementes, agrotóxicos e manejo de lavouras aos agricultores.
A Syngenta informou à Repórter Brasil que «em 2025, treinou um total de 81.893 pessoas para uso seguro de produtos no Brasil, o que representa um salto de 35% em comparação ao consolidado de 2024».
Ivan Castoldi comentou que «nas palestras, as empresas falam dos perigos dos agrotóxicos», mas completou: «no fundo, elas querem que tu compre o produto». Ele resumiu que as empresas conscientizam sobre riscos, mas também fazem o agricultor acreditar que pode aplicar o veneno sem problemas usando EPIs.
No caso específico do diquate, a eficácia dos equipamentos de proteção individual foi testada em uma avaliação de risco feita na União Europeia em 2018. A comissão avaliadora concluiu que «a exposição dos trabalhadores ao diquate estava claramente acima do nível aceitável», mesmo com o uso de EPIs.
De acordo com os cálculos do estudo que embasou essa conclusão, pulverizar diquate com um trator expunha o agricultor a um risco 40 vezes superior ao aceitável, mesmo usando EPIs. Com pulverizadores manuais, a exposição era 450 vezes maior que o limite. Isso é semelhante ao que ocorreu com o paraquate, pois a Anvisa, ao suspender seu uso no Brasil, considerou que os EPIs não garantiam «proteção total contra a intoxicação» e que o nível de exposição real dos trabalhadores estava «excedendo o ace».