Um grupo internacional de pesquisadores criou quase 700 novos modelos de tecidos cancerosos humanos usando tumores fornecidos por pacientes. Esta coleção é um dos maiores conjuntos desse tipo disponíveis para a comunidade científica.
Os autores do estudo afirmam que este material pode acelerar a busca por novos medicamentos e métodos terapêuticos mais direcionados contra diferentes formas da doença. Esses modelos representam 25 tipos de câncer e já estão disponíveis para cientistas em todo o mundo. Os resultados do trabalho foram publicados na revista científica Nature na quarta-feira.
Pesquisadores do Instituto Koch do MIT, Broad Institute, Dana-Farber Cancer Institute, National Cancer Institute (NCI) e mais de duas dezenas de instituições parceiras participaram do projeto.
Para formar a nova coleção, os pesquisadores receberam mais de 2700 amostras de tumores de pacientes que estavam sendo tratados em hospitais nos EUA, Reino Unido e Holanda, todas essas amostras foram autorizadas para uso em pesquisas.
A equipe conseguiu transformar cerca de um terço dessas amostras em modelos que podem existir indefinidamente em laboratório. A maior parte foi transformada em organoides — estruturas tridimensionais cultivadas em laboratório que reproduzem com mais precisão as características genéticas e moleculares dos tumores originais.
Ao contrário das linhagens celulares tradicionais, cultivadas em uma única camada de células desde a década de 1950, os organoides crescem em três dimensões e preservam melhor a arquitetura dos tecidos.
Os modelos abrangem tanto tipos comuns de câncer, como câncer de pulmão, fígado e pâncreas, quanto cerca de 150 tumores raros, incluindo câncer de vesícula biliar e intestino delgado.
Todos os modelos foram depositados no American Type Culture Collection (ATCC), uma organização sem fins lucrativos responsável pela distribuição de linhagens celulares para pesquisa. Além das próprias células, o banco contém informações detalhadas sobre os pacientes que deram origem a cada modelo, incluindo mutações hereditárias e tratamento recebido.
Segundo os pesquisadores, este conjunto de dados permitirá testes de medicamentos em larga escala e a descoberta de novos alvos terapêuticos para diferentes tipos de câncer.
Informações Adicionais
Em um segundo artigo publicado simultaneamente na Nature, pesquisadores do Broad Institute analisaram mais de 300 novos modelos usando sequenciamento genômico completo, análise de RNA e teste com a ferramenta de edição genética CRISPR. Este estudo identificou vulnerabilidades específicas em vários tumores que podem se tornar alvos para futuros medicamentos. Os dados obtidos foram integrados ao Cancer Dependency Map (DepMap) — uma plataforma que agora reúne informações de mais de dois mil modelos de câncer.
Outro estudo, publicado no mesmo número da revista e conduzido pelo Wellcome Sanger Institute, caracterizou mais 256 organoides desenvolvidos no âmbito do projeto.
Embora o programa inicial esteja chegando ao fim, os pesquisadores planejam continuar expandindo a coleção com novos modelos derivados de tumores de pacientes, especialmente de câncer infantil e tipos raros de doenças.
Boehm declarou: "Hoje temos cerca de dois mil modelos, mas ainda precisamos de muito mais para refletir toda a diversidade de pacientes com câncer em estudos pré-clínicos. Esperamos que isto seja o começo, e não o fim deste trabalho".
Mushriq Al-Jazrawe, diretor científico da plataforma High Throughput Sciences do Instituto Koch, observou que o próximo passo será desenvolver métodos que permitam estudar esses modelos de forma cada vez mais padronizada e em grande escala, expandindo sua aplicação no desenvolvimento de novos tratamentos.