Uma pequena embarcação pegou fogo na fronteira entre as águas francesas e britânicas esta manhã, forçando seus passageiros a saltarem na água. A direção do departamento de Pas-de-Calais (norte da França) informou sobre o incidente, esclarecendo que, até o momento, não há relatos de vítimas.
Este caso tornou-se uma das maiores operações de resgate marítimo desde as travessias do Canal da Mancha em embarcações improvisadas em 2018. Nos últimos dias, o número de pessoas resgatadas ou a bordo de pequenas embarcações sob a proteção das autoridades de ambos os lados do Canal da Mancha aumentou significativamente.
Na semana passada, na quarta-feira, equipes britânicas registraram a chegada de 752 migrantes ilegais através do Canal da Mancha em pequenas embarcações. Este foi o maior número em um único dia desde o início deste ano, de acordo com o Ministério do Interior do Reino Unido. O recorde diário anterior neste ano era de 710 chegadas, registradas em 15 de junho, e o máximo histórico foi de 1305 entradas no Reino Unido em um único dia, registrado no início de setembro de 2022.
O aumento nas travessias pelo Canal da Mancha, que liga o norte da França à Grã-Bretanha, coincide com vários incidentes trágicos, incluindo a morte de quatro migrantes durante operações de resgate na costa francesa. O número total de migrantes que cruzaram o Canal da Mancha este ano em pequenas e não confiáveis embarcações ultrapassou 13.300 pessoas, embora esse número mostre uma redução de cerca de 45% em comparação com o mesmo período de 2025.
O recente aumento nas travessias e a tática dos contrabandistas de enviar um grande número de barcos ao longo da costa francesa — descrito como um 'ataque total' para sobrecarregar a vigilância — ocorrem paralelamente a uma forte cooperação bilateral. As redes de contrabando passaram a colocar embarcações cada vez mais superlotadas com pessoas no mar; na semana passada, 152 pessoas foram registradas em um bote inflável.
Reino Unido e França têm um acordo de repatriação mútua de migrantes ('um por um'), válido até outubro. Ele prevê que migrantes sem documentos que cruzam o Canal da Mancha da costa francesa sejam devolvidos à França, desde que o Reino Unido aceite outro refugiado ou requerente de asilo da França por rotas legais.
O objetivo deste acordo, assinado no ano passado pelo então primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pelo presidente francês Emmanuel Macron, é combater as redes de tráfico de pessoas. Isso deve mostrar aos migrantes que a travessia ilegal resultará em seu retorno imediato à França e que existem caminhos legais e seguros para entrar no território britânico.
A maioria dos migrantes que cruzam o Canal da Mancha em pequenas embarcações é originária de países afetados por conflitos armados ou regimes autoritários, como Eritreia, Afeganistão, Sudão, Irã ou Somália. O controle da imigração ilegal continua sendo um dos tópicos mais sensíveis e debatidos na política britânica.
O governo britânico, liderado pelos trabalhistas, enfatiza a diminuição do número total de chegadas em 2026, mas partidos de oposição e críticos de direita afirmam que a redução é insuficiente, apontando que os contrabandistas apenas mudaram de tática, usando agora embarcações maiores.