Uma mãe de golfinho foi observada carregando seu filhote morto por vários dias, um ato que parece ser de luto e oferece uma visão comovente da vida emocional desses inteligentes mamíferos marinhos.
Uma mãe de golfinho foi observada carregando seu filhote morto por vários dias, um ato que parece ser de luto e oferece uma visão comovente da vida emocional desses inteligentes mamíferos marinhos.
De acordo com o grupo de pesquisa Geographe Marine Research, o golfinho chamado Fraggle perdeu seu quarto filhote. A filmagem por drone capturou como sua matilha permaneceu próxima e, aparentemente, a apoiou durante o nado com o filhote.
Os pesquisadores observam que os golfinhos são conhecidos por transportar filhotes mortos por algum tempo após a morte. Esse comportamento é amplamente associado à experiência de luto ou ao vínculo materno. Embora as causas exatas desse fenômeno ainda estejam sendo estudadas, as mães acabam tendo que abandonar o filhote para continuar a amamentar e sobreviver.
O Presidente da Administração de Abrantes informou que os trabalhos realizados no troço do Rio Ribeira de Alcolobre entre Abrantes e Constância foram efetuados sem obter licença da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e sem notificação prévia aos municípios.
Em declarações feitas à Lusa, Manuel Jorge Valamatos salientou que a administração foi alertada sobre uma «interferência de alto impacto e com um efeito visual muito significativo». Ele contactou imediatamente a APA, que informou o município sobre a ausência de qualquer processo de licenciamento para tais obras.
A interferência afetou um troço de cerca de 300 metros do Rio Ribeira de Alcolobre, localizado a jusante da EN118, entre as freguesias de Tramagal, no município de Abrantes, e Santa Margarida da Coutada, no município de Constância, distrito de Santarém. Neste local, foram realizados trabalhos de limpeza de lodo, reforço de «bermas de proteção» e quase remoção total da vegetação existente nas margens.
A Autarides, surpreendido com a «interferência desta dimensão e natureza», considerou-a excessiva e remeteu a avaliação final ao órgão ambiental. A alteração da paisagem, visível a partir da EN118, surpreendeu moradores e condutores, que se depararam subitamente com uma profunda transformação deste troço da artéria hídrica, o que provocou debates ativos nas redes sociais sobre o impacto da intervenção no ambiente e a sua formalização legal.
Os municípios de Constância e Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada, com quem a Lusa contactou, declararam desconhecer a realização destes trabalhos. O Presidente da Junta de Freguesia de Tramagal esclareceu que a interferência está relacionada com a instalação de um pomar intensivo de azeitona numa propriedade agrícola recentemente adquirida, mas admitiu não estar ciente do estatuto legal das obras realizadas no rio.
A questão foi levantada hoje na reunião do executivo da Administração de Abrantes, após o deputado do PSD, João Morgado, questionar o Presidente da Administração sobre a base legal da interferência e a posição do município em matéria de proteção ambiental. Em resposta, Manuel Jorge Valamatos explicou que existe um processo relacionado com a criação da produção agrícola do pomar de azeitona nesta propriedade, «que não tem qualquer relação com estes trabalhos realizados nesta artéria hídrica», acrescentando que nem a administração de Abrantes nem de Constância, nem a própria APA tinham conhecimento prévio desta interferência.
A Autarides também informou que a APA planeava realizar uma inspeção no local nesse dia, o que ocorreu. O Vice-Presidente da Administração, João Gomes, responsável pela área do ambiente, afirmou que a informação obtida junto do órgão ambiental indica a elaboração de protocolos de infrações e a exigência de um programa de recuperação da artéria hídrica. João Gomes recordou que qualquer interferência nos cursos de água requer licenciamento da APA, e considerou que os trabalhos executados «não foram uma simples limpeza», uma vez que causaram danos à galeria de inundação, às arredores do rio, bem como a parte da rota pedonal e à sinalética de navegação existente.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de haver um crime ambiental, absteve-se de conclusões, insistindo que tal avaliação deve ser feita pelos órgãos competentes, mas alertou para o dano causado pela interferência. Declarou: «Há uma coisa que já não podemos reverter: o dano foi causado», e considera agora necessário garantir a recuperação ambiental deste troço do rio.
A APA, a quem a Lusa recorreu, não respondeu até ao momento às questões relativas à formalização legal da interferência, possíveis fiscalizações e medidas de recuperação ambiental. Uma fonte oficial da Urbigav, patrocinadora dos investimentos relacionados com a criação do pomar na propriedade, recusou-se a comentar, afirmando apenas que «não é o momento oportuno para comentários».
No âmbito da conquista de um marco significativo no setor de energia limpa na Índia, a Nuclear Power Corporation of India Limited (NPCIL) produziu um total de mais de 1000 bilhões de unidades de eletricidade nuclear.
A NPCIL informou na terça-feira que, desde o início da operação comercial de suas usinas nucleares, elas geraram somado mais de 1000 bilhões de unidades de eletricidade limpa, o que evitou a liberação de mais de 860 milhões de toneladas de equivalente de CO2 no meio ambiente.
A empresa destacou que esta conquista demonstra o firme compromisso da NPCIL em fornecer energia nuclear segura, confiável e sustentável, fortalecendo assim a segurança energética da Índia e apoiando a transição do país para a energia limpa e o alcance das metas climáticas.
Para demonstrar a escala das emissões de carbono evitadas, foi mencionado que um carro de passeio típico emite cerca de 4,6 toneladas métricas de CO2 por ano. Assim, evitar 860 milhões de toneladas equivale à retirada de circulação de aproximadamente 187 milhões de carros movidos a gasolina por um ano inteiro. Além disso, 860 milhões de toneladas correspondem aproximadamente ao volume anual de emissões de gases de efeito estufa de um grande país industrial, como Alemanha ou Japão.
O governo elaborou um roteiro para atingir uma capacidade de energia nuclear de 100 GW nas próximas duas décadas até 2047, conforme anunciado na Missão de Energia Nuclear no Orçamento de 2025-26. Isso permitirá aumentar a participação da energia nuclear de base confiável e de baixo carbono no balanço energético do país e alcançar a meta de zero emissões líquidas até 2070.
A capacidade nuclear atual de 8,78 GW deve atingir cerca de 22 GW até 2031-32, graças à conclusão gradual de projetos em diferentes estágios de implementação. Mais 32 GW de capacidade nuclear estão planejados pela NPCIL sob o controle administrativo do Departamento de Energia Atômica (DAE) após 2032.
Essas novas capacidades incluirão reatores indianos de água pesada sob pressão (PHWRs) e reatores de água leve (LWRs) planejados para construção até 2047, aumentando a capacidade nuclear da NPCIL para 54 GW. Os 46 GW restantes, incluindo reatores de diferentes tecnologias, devem ser implementados por outras empresas estatais, setor privado e joint ventures sob diferentes modelos de negócios. Graças à aprovação pelo governo da Lei SHANTI (Sustainable Harnessing and Advancement of Nuclear Energy for Transforming India Act, 2025) no ano passado, a nova lei fornece a base legal para essa expansão de 46 GW.
Uma alteração na maneira como os primeiros seres vivos consumiam e digeriam alimentos pode ter sido crucial na transformação dos oceanos terrestres há aproximadamente 540 milhões de anos. Uma nova análise científica aponta que o incremento tanto na quantidade quanto na variedade de excrementos gerados durante o Período Cambriano contribuiu para a distribuição de nutrientes nas profundezas marinhas, o que, por sua vez, estimulou o surgimento de ecossistemas progressivamente mais complexos.
Os cientistas denominaram este evento de «revolução fecal do Cambriano». Esta teoria adiciona um elemento novo ao entendimento da chamada explosão cambriana, um período marcado pela rápida diversificação da vida marinha e pelo aparecimento de muitos dos principais grupos animais existentes até hoje.
À medida que os animais evoluíram sistemas digestivos mais elaborados e começaram a buscar diversas fontes de alimento, eles passaram a gerar resíduos mais volumosos e heterogêneos. Esses dejetos atuavam como pequenos pacotes de material orgânico que desciam gradualmente na coluna d'água, transportando nutrientes e alimento da superfície para áreas mais profundas do oceano. Este mecanismo amplificava a disponibilidade de recursos para organismos localizados longe da luz solar, promovendo o desenvolvimento de novos ambientes habitacionais.
Russell Bicknell, pesquisador da Universidade Flinders (Austrália) e coautor do estudo, esclareceu que «isso elevou a quantidade de alimento acessível e também auxiliou no aporte de nutrientes vitais para as regiões mais profundas do oceano, criando novos nichos para a vida».
A revisão científica analisou dados coletados em mais de 35 sítios paleontológicos dispersos globalmente. Entre as descobertas estavam coprólitos — fezes fossilizadas — que apresentavam tamanhos variados, desde partículas minúsculas até espécimes medindo alguns centímetros. Alguns desses fósseis continham conchas e fragmentos de outros animais, sugerindo que as interações alimentares já eram bastante diversificadas durante o Cambriano. Os cientistas também detectaram sinais de predacão e restos de presas conservados dentro do trato digestivo de outros fósseis.
Segundo Bicknell, este tipo de prova constitui uma das demonstrações mais robustas de que a digestão e a alimentação dos animais se tornaram mais refinadas naquele período. Adicionalmente, os fósseis demonstram que certos artrópodes primitivos desenvolveram estruturas digestivas especializadas, aptas a processar uma gama maior de tipos de alimento.
Com a presença de resíduos maiores, uma quantidade crescente de matéria orgânica conseguia alcançar o fundo do oceano, acelerando o movimento de carbono e nutrientes entre a superfície, as águas profundas e o leito marinho. Contudo, os pesquisadores enfatizam que este processo isoladamente não explica a explosão cambriana. Fatores adicionais, como o aumento dos níveis de oxigênio, alterações ambientais e a intensificação da predação, também desempenharam papéis significativos na rápida diversificação da vida.
Não obstante, o estudo propõe que o transporte de nutrientes via fezes foi um componente relevante neste processo. Bicknell declarou: «Isso nos oferece outro ponto de vista para considerarmos. Podemos interpretar a aceleração desse transporte de matéria pelos excrementos como uma força motriz importante».
Os autores concluíram que este mecanismo persiste até os dias atuais, contribuindo para a manutenção dos ecossistemas marinhos contemporâneos, onde fezes, detritos orgânicos e outras partículas continuam a distribuir alimento e nutrientes pelo oceano. O pesquisador finalizou afirmando que «foi o início dos ecossistemas marinhos modernos». O estudo foi divulgado na revista científica Trends in Ecology & Evolution.