Após a notícia do suicídio de um psiquiatra que caiu do quinto andar de um complexo residencial de luxo em Ghaziabad, os versos da canção de Kamar Jalalabadi voltaram a ser relevantes, refletindo uma realidade amarga e assustadora. Este caso fez refletir sobre o quão profundamente a dor oculta pode existir mesmo naqueles que ajudam os outros diariamente.
É impossível imaginar como alguém que todos os dias une corações partidos tem a capacidade de infundir vida nas almas sofredoras, enquanto internamente se esgota. Talvez o reconhecimento desse estado existisse, mas a barreira do estigma era tão alta que qualquer grito permanecia não dito.
Por que a notícia da morte de um especialista em saúde mental ou curador da depressão toca tanto a sociedade? Provavelmente porque em nossa sociedade, médicos e especialistas em saúde mental foram elevados ao status de 'super-humanos', aos quais não é permitido demonstrar fraqueza. Tendemos a acreditar que se uma pessoa é especialista em saúde mental, ela deve estar absolutamente saudável, conhecendo todas as teorias sobre os sintomas da depressão.
No entanto, esquecemos que por trás de cada jaleco branco e de cada alto grau, há um ser humano comum. As estatísticas confirmam essa triste verdade: pesquisas mostram que os níveis de depressão, ansiedade e pensamentos suicidas entre médicos na Índia são aproximadamente o dobro daqueles na população em geral.
De acordo com relatórios do National Institute of Mental Health dos EUA (NIMH) e do jornal Guardian, o nível de esgotamento entre profissionais de saúde mental, palestrantes motivacionais e médicos devido à 'traumatização secundária' (choque psicológico pelos sofrimentos alheios) atingiu 40–50 por cento. Em todo o mundo, em média, um médico ou curador morre por depressão todos os dias, mas esses dados muitas vezes permanecem despercebidos nos documentos.
O autor recorda um encontro com o renomado psiquiatra Dr. Satyakant Trivedi no ano passado. Durante a discussão sobre saúde mental, ele fez uma pergunta sobre o estresse de médicos e curadores. O Dr. Trivedi respondeu que a sociedade espera deles uma resiliência constante, mas ninguém pergunta quantas vezes o coração da pessoa por trás dessa proteção se partiu. Ele observou: 'Nós absorvemos o lixo e a dor alheia diariamente, mas quando chega a vez do esgotamento, não temos ombro nem permissão para admitir nossa vulnerabilidade. A maior tragédia dos curadores é que eles são forçados a morrer sozinhos, cuidando dos outros.'
A fala do Dr. Trivedi e o trágico incidente em Ghaziabad não são apenas um drama pessoal. É um sinal de alerta para todos nós. Este acidente declara em voz alta que a depressão não depende de diplomas, cargo ou situação financeira; é uma doença que pode atingir qualquer um, seja paciente ou seu 'salvador' tratante. O fardo mais pesado é a 'máscara profissional'.
Enquanto uma pessoa comum pode chorar abraçada a um amigo ou compartilhar sua dor nas redes sociais, para um psiquiatra que sofre de depressão, pedir ajuda torna-se o passo mais difícil. Ele teme o julgamento público: 'Quem poderá nos tratar se ele próprio não puder cuidar da sua saúde mental?' É esse estigma que os faz sofrer em silêncio. Eles iluminam o mundo dos outros, afundando-se eles mesmos em um abismo escuro.
Chegou a hora de começar a ver os 'curadores' como pessoas. É necessário criar um ambiente onde um médico, consultor ou palestrante motivacional possa dizer sem hesitar: 'Hoje eu não estou bem, eu também preciso de ajuda'. Afinal, se o salvador estiver perdendo a luta contra a solidão e as batalhas internas, o que acontecerá com aqueles cuja sede ele sacia?
A Associação Médica Indiana (IMA) poderia ter escolhido o tema 'Dia Nacional dos Médicos 2026' justamente com base nesses pensamentos. O tema 'Por Trás da Máscara: Quem Cuida dos Curadores?' para 2026 visa chamar a atenção para a saúde mental dos médicos, sua segurança, estresse excessivo e esgotamento, para transmitir a ideia de que os médicos que tratam os outros também precisam de cuidado e apoio psicológico.



