No Uzbequistão, há vários meses que se observa uma escassez de sulfato de bário — um medicamento usado para exames radiológicos do trato gastrointestinal. Este problema tem sido amplamente discutido entre especialistas em radiologia e nas redes sociais. Devido à falta do material necessário, os pacientes são forçados a procurar o bário por conta própria, incluindo marketplaces, o que cria um alto risco de adquirir produtos não certificados.
O sulfato de bário é uma suspensão branca insolúvel que serve como agente de contraste radiológico. O paciente ingere-o (ou é administrado de outra forma) antes do exame radiológico. Como os tecidos moles do trato gastrointestinal são pouco visíveis em raios-X padrão, o bário ajuda a tornar esses órgãos nítidos na imagem, retendo os raios X. Isso permite que o médico avalie detalhadamente o estado dos órgãos, incluindo sua forma, permeabilidade, bem como detecte estreitamentos, úlceras, tumores ou quaisquer outras anomalias. Este método é um dos mais comuns e fundamentais métodos de diagnóstico do TGI, utilizado em todo o mundo, inclusive antes de cirurgias em departamentos de cirurgia abdominal e torácica.
Causas da escassez e dependência da importação
Representantes da comunidade médica observam que a escassez não está relacionada à ausência do medicamento no mercado mundial ou ao fato de a procura exceder a capacidade de produção. A principal razão é que as instituições médicas do Uzbequistão dependem quase inteiramente da importação deste agente de contraste, visto que não existe produção própria desse sulfato de bário no país. Obter a autorização oficial para a importação acelerada do medicamento enfrenta longos procedimentos burocráticos, e a aprovação dos documentos necessários leva meses.
Enquanto o pacote de documentos passa por todas as instâncias necessárias, os estoques nas clínicas se esgotam. Os lotes antigos de bário acabam mais rápido do que uma nova remessa de importação consegue ser processada. Como resultado, as instituições médicas se encontram numa situação em que o medicamento oficialmente aprovado e testado está fisicamente indisponível; o prazo para sua chegada depende não da logística ou do fabricante, mas da conclusão do processo de aprovação documental.
Consequências para os pacientes
A situação é particularmente crítica para pacientes que necessitam de um exame de contraste do TGI não como parte de um check-up de rotina, mas diretamente antes de uma cirurgia, por exemplo, em departamentos de cirurgia abdominal e torácica, pois o diagnóstico oportuno afeta diretamente a escolha da tática de tratamento. Devido à falta de fornecimento oficial, os pacientes precisam procurar o medicamento fora dos canais estabelecidos, o que inclui viagens a outras cidades, compra em farmácias privadas ou encomenda através de marketplaces online. Os médicos enfatizam que são os pacientes que sofrem maiores perdas com esta situação.
A comunidade médica acredita que a solução para o problema só é possível acelerando os processos de certificação e aprovação de importação, bem como retomando rapidamente o fornecimento oficial do medicamento certificado às instituições médicas. A redação do Podrobno.uz enviou uma solicitação oficial ao Ministério da Saúde do Uzbequistão para apurar os motivos dos atrasos nos documentos de importação de sulfato de bário e saber sobre as medidas tomadas para fornecer o agente de contraste às clínicas. No momento da publicação, este ministério não forneceu resposta.


