O Estreito de Ormuz deverá ser reaberto em um futuro próximo, conforme declarado por Donald Trump, que mencionou estarem ocorrendo «discussões muito boas» durante uma visita à Califórnia. Ao ser questionado posteriormente, enquanto se dirigia ao seu avião Air Force One com destino a Las Vegas, Trump previu que essa reabertura poderia ocorrer «amanhã [hoje] ou no dia seguinte».
Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos, havia relatado na terça-feira avanços nas negociações envolvendo o Irã e Omã, cujas áreas costeiras margeiam o estreito. De acordo com o Axios, citando fontes regionais não identificadas, está sendo debatido um acordo provisório de 60 dias para gerenciar a passagem pelo estreito entre o Irã e o Sultanato de Omã.
Este acordo preliminar estabelece que todo o tráfego marítimo que transite pelo estreito deve utilizar uma rota para o norte nas águas iranianas, e qualquer embarcação que saia deve seguir uma trajetória meridional nas águas sob controle de Omã, tudo isso sem a cobrança de pedágios ou taxas de passagem. Durante esses 60 dias, a via central seria desminada.
Na terça-feira, Donald Trump e o xeique Tamim bin Hamad al-Thani, emir do Catar, conversaram por telefone sobre os esforços para diminuir as tensões entre Washington e Teerã e aproximar as duas partes, informou um comunicado do palácio do Catar.
Como resultado da retomada dos diálogos diplomáticos, o preço do petróleo sofreu uma queda em Wall Street e também nos mercados asiáticos na manhã de quarta-feira. O barril de Brent, referência internacional, despencou para 78,47 dólares (71,40 euros), e o barril WTI caiu para 74,73 dólares (68 euros).
O protocolo de acordo firmado em junho havia iniciado um processo de 60 dias visando encerrar definitivamente a guerra no Oriente Médio e solucionar diversos pontos, incluindo a questão nuclear iraniana. Este acordo também permitiu a volta do tráfego no estreito de Ormuz, uma rota vital para o comércio global de hidrocarbonetos, que estava bloqueada pelo Irã desde o início do conflito, levando os Estados Unidos a impor um bloqueio aos portos iranianos.
Entretanto, essas melhorias foram breves, pois as hostilidades recomeçaram no começo de julho, rompendo o protocolo. O Irã intensificou novamente o controle após a retomada dos ataques americanos, e navios que arriscam passar pelo estreito sem permissão de Teerã enfrentam frequentes consequências.
O Irã havia negado na segunda-feira qualquer conversa com Washington, alegando estar negociando apenas com Omã. O país não deseja retornar à situação pré-guerra e, no momento, só autoriza uma rota ao longo de suas costas. Além disso, o Irã discute a cobrança de taxas de serviço, o que é rejeitado pelos Estados Unidos e outros países, por contrariar o direito internacional do mar.
Donald Trump, que oscila entre promessas de destruição em massa e declarações otimistas sobre a superação da crise desde o início do conflito, já havia ameaçado «atacar com força» a República Islâmica dias antes de suspender tais planos.
Outra área de conflito se manifestou no Mar Vermelho, envolvendo os rebeldes Houthi do Iémen, aliados do Irã, e a Arábia Saudita. Estes rebeldes anunciaram um bloqueio marítimo aos portos sauditas em 20 de julho e atacaram várias embarcações. Em resposta, a coalizão militar liderada por Riade lançou ataques contra instalações militares dos Houthi.
Um navio indiano foi afundado na terça-feira após ser atacado pelos Houthi, conforme relatou um responsável iemenita à agência France-Press. As autoridades indianas confirmaram que os 14 membros da tripulação foram resgatados.