Pesquisadores criaram um protótipo de óculos capaz de transformar a luz infravermelha em imagens coloridas visíveis, possibilitando que os usuários percebam tanto o ambiente comum quanto informações normalmente imperceptíveis ao olho humano simultaneamente.
Esta tecnologia, que ainda se encontra em estágio experimental, tem potencial para impulsionar novos usos em próteses visuais e no aprimoramento das capacidades sensoriais humanas. O avanço foi realizado por cientistas do Instituto de Tecnologia de Pequim (Japão) e detalhado em um artigo publicado na revista científica Science Advances.
Como a tecnologia amplia a visão humana além da luz que enxergamos
Os olhos humanos não conseguem captar a luz infravermelha porque os fótons dessa faixa espectral não possuem energia suficiente para ativar a retina. Embora equipamentos existentes, como câmeras térmicas e óculos de visão noturna, consigam detectar essa radiação, eles geralmente a exibem em uma única tonalidade, seja verde ou em escala de cinza.
A nova abordagem proposta difere ao não apenas representar a intensidade da radiação infravermelha, mas sim converter diferentes comprimentos de onda e níveis de intensidade em diversas cores. Devido à facilidade com que o cérebro humano processa cores, essa conversão permite identificar nuances sutis na luz infravermelha com maior exatidão comparada aos métodos convencionais.
Os próprios autores do estudo afirmam que a tecnologia «redefine a visão infravermelha ao transcender o paradigma monocromático, traduzindo assinaturas espectrais e de intensidade do infravermelho em variações de cor discerníveis, em vez de meras mudanças de brilho».
Como funcionam os óculos de luz infravermelha
O protótipo emprega partículas microscópicas denominadas pontos quânticos coloidais de telureto de mercúrio. Ao serem atingidas pela luz infravermelha, estas partículas absorvem a radiação e a transformam em cargas elétricas. Essas cargas são subsequentemente enviadas a um diodo orgânico emissor de luz (OLED), que é constituído por duas áreas emissoras: uma vermelha e outra ciano.
Sinais infravermelhos de menor energia geram carga suficiente apenas para acender a região vermelha. Por outro lado, sinais de maior energia ativam ambas as regiões do OLED, resultando em distintas combinações de cores que refletem as características da radiação recebida.
Protótipo pesa apenas 23 gramas
Os pesquisadores conseguiram construir um modelo de óculos com apenas 23 gramas e realizaram testes utilizando luz infravermelha projetada sobre diversos objetos e formas em movimento. Durante os testes, o aparelho produziu imagens nítidas e codificadas por cores, mantendo a capacidade de permitir a passagem da luz visível. Isso significa que o usuário pode visualizar o ambiente normal enquanto recebe as informações da radiação infravermelha.
A equipe também monitorou respostas elétricas na retina humana, o que confirmou que a luz convertida pelo sistema era capaz de estimular os olhos dos participantes de maneira normal.
Aplicações futuras
Apesar de o dispositivo ainda estar em fase de protótipo, os pesquisadores acreditam que esta tecnologia pode ter implicações que vão muito além da visão infravermelha. No artigo científico, eles mencionam que, ao «superar os limites evolutivos da fotorrecepção biológica», essa inovação pode pavimentar o caminho para uma nova geração de sistemas de prótese visual e ferramentas capazes de expandir os sentidos humanos.



