Cientistas italianos conduziram um estudo analisando dados de muitos estudantes e concluíram que o início do uso de redes sociais em idade precoce está correlacionado com a diminuição dos indicadores acadêmicos dos alunos.
Cientistas italianos conduziram um estudo analisando dados de muitos estudantes e concluíram que o início do uso de redes sociais em idade precoce está correlacionado com a diminuição dos indicadores acadêmicos dos alunos.
Marco Guidi, da Universidade Bicocca de Milão, e sua equipe estudaram informações sobre 5227 alunos do norte da Itália, com idades entre 7 e 16 anos. Os dados sobre comportamento digital foram obtidos através de um questionário especial, e o desempenho acadêmico foi avaliado com base nos resultados de testes de longo prazo em matemática, italiano e inglês.
De acordo com os dados, a idade mediana de início do uso de consoles de jogos era no quarto ano, e o uso independente de tablet era no quinto ano. Computadores e smartphones com internet se tornaram acessíveis no sexto ano, coincidindo com o surgimento dos primeiros aplicativos de mensagens. Até o oitavo ano, 98% dos alunos já possuíam smartphones. Quanto às redes sociais, 11,2% criaram uma conta no ensino fundamental, 29,5% no sexto ano, 25,0% no sétimo, 18,0% no oitavo e apenas 16,3% no nono ano (que é a idade mínima de acordo com as leis italianas).
A análise mostrou que a duração da permanência nas redes sociais até o oitavo ano tinha uma relação negativa com o desempenho em italiano (redução de 0,05 desvios padrão para cada ano adicional) e em matemática (redução de 0,04). Essas relações persistiram mesmo após considerar outras tecnologias digitais (-0,06 e -0,02, respectivamente). A aplicação do método de diferenças em diferenças, com ajuste por fatores concomitantes e resultados anteriores, demonstrou um efeito negativo causal do uso precoce de redes sociais no desempenho.
Especificamente, os alunos que começaram a usar contas no sexto ano tiveram resultados mais baixos em italiano em 0,22 desvios padrão e em matemática em 0,18 no oitavo ano; esses atrasos persistiram até o décimo ano (0,22 e 0,27 desvios padrão). Para aqueles que começaram no sétimo ano, o efeito foi menos pronunciado, mas significativo (0,14 e 0,10 no oitavo ano; 0,17 e 0,22 no décimo). No oitavo ano, aqueles que começaram mais tarde tiveram o desempenho em italiano reduzido em 0,11 desvio padrão e em matemática em 0,07 (o que não atingiu significância estatística) naquele ano, mas ambas as matérias mostraram uma redução de 0,11 no décimo ano. Além disso, nenhum impacto das redes sociais no inglês foi identificado.
Uma análise adicional revelou que o uso mais intenso do smartphone na escala SPS-A estava associado a piores resultados em italiano e matemática, bem como à criação precoce de contas em redes sociais. O controle parental e o acesso das crianças às atividades online mostraram-se mais favoráveis ao desempenho e à criação tardia de contas. O bem-estar subjetivo dos alunos não mostrou uma ligação significativa com o desempenho, demonstrando apenas uma fraca correlação negativa com o aumento do tempo gasto nas redes sociais.
Assim, os dados obtidos confirmam que a imersão prematura em redes sociais afeta negativamente o desempenho escolar, sendo que a intensidade do uso do smartphone durante o dia desempenha um papel fundamental nesse processo.
O artigo também menciona que anteriormente foi estabelecido que adolescentes que usam excessivamente redes sociais tendem a ter hábitos alimentares menos saudáveis, e o abuso dessas plataformas aumenta o risco de TDAH e início precoce do tabagismo, sendo que redes sociais e televisão são consideradas mais perigosas para a saúde mental dos adolescentes do que videogames.
Em um bloco separado, são apresentados dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o consumo global de tabaco, onde se observa que mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo usam vapes, dos quais pelo menos 15 milhões são adolescentes entre 13 e 15 anos.
Um novo estudo revelou uma correlação entre o acesso antecipado às redes sociais e um rendimento escolar inferior ao longo dos anos em estudantes italianos.
Em 2022, foi constatado que 92% das crianças e adolescentes com idades entre 9 e 17 anos utilizavam a internet, sendo que 86% desses indivíduos possuíam pelo menos um perfil em redes sociais. Esses dados provêm de um levantamento realizado pela TIC Kids Online de 2022, que está vinculada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. O Brasil figura entre os países com maior utilização de telas e redes sociais globalmente, visto que os brasileiros entre 16 e 64 anos passam, em média, nove horas diárias conectados à internet.
Neste contexto, a comunidade científica tem investigado os efeitos do excesso de tempo de tela na saúde, especialmente em crianças. Problemas já conhecidos incluem dificuldades de concentração, alterações no sono, problemas visuais e questões de saúde mental, além de sedentarismo e outros fatores.
Contudo, ainda há pouca pesquisa focada no impacto da idade em que crianças e adolescentes criam suas primeiras contas em redes sociais, uma prática que frequentemente ocorre antes da idade mínima estabelecida pelas próprias plataformas. Plataformas como Instagram e TikTok, populares entre pré-adolescentes e crianças, possuem classificação indicativa de 16 anos.
Uma pesquisa recente conduzida com jovens italianos demonstrou que os alunos que iniciaram o uso de redes sociais mais cedo apresentaram um desempenho acadêmico abaixo daqueles que optaram por esperar mais alguns anos para começar a utilizá-las.
Os achados foram divulgados em 3 de agosto no periódico científico Nature Human Behaviour. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram informações de mais de 5 mil estudantes, com idades variando de 7 a 16 anos. Estes participantes responderam a um questionário sobre o uso de mídias digitais ao longo da vida e realizaram avaliações padronizadas em italiano, inglês e matemática.
Posteriormente, houve uma comparação entre os estudantes que criaram sua primeira conta nas séries 6ª, 7ª e 8ª, e aqueles que só começaram a usar redes sociais a partir da 9ª série. Apenas 16,3% dos envolvidos aguardaram até a 9ª série para criar uma conta.
Ao serem comparados com este grupo de espera, os estudantes que entraram nas redes sociais já na 6ª série exibiram notas mais baixas em italiano e matemática ao longo de sua trajetória escolar. Na 8ª série, a disparidade atingiu 0,22 desvio-padrão em italiano e 0,18 desvio-padrão em matemática. No campo educacional, diferenças acima de 0,2 desvio-padrão são geralmente consideradas significativas e correspondem, aproximadamente, a um atraso de seis meses na aprendizagem. Na 10ª série, a diferença observada em matemática foi ainda mais acentuada.
Os efeitos também foram notados entre os alunos que criaram contas nas séries 7ª e 8ª, embora com uma intensidade ligeiramente menor. Isso indica que quanto mais cedo os estudantes começaram a utilizar as redes sociais, maior foi a ligação com um desempenho acadêmico inferior.
Curiosamente, os pesquisadores não identificaram diferenças estatisticamente relevantes nas notas de inglês, o que pode ser atribuído à vasta quantidade de conteúdo disponível nesse idioma dentro das próprias redes sociais.
Os autores do estudo afirmam que os resultados oferecem provas robustas de que o envolvimento precoce com mídias sociais impacta negativamente a aprendizagem. Eles também encontraram evidências de que uma parcela considerável desse efeito é influenciada pela presença contínua dos smartphones na rotina dos estudantes em momentos cruciais do dia.
Uma das teorias levantadas pelos pesquisadores é que a verificação constante de notificações durante períodos de estudo atua como um fator de distração significativo. No entanto, os autores alertam para as limitações da pesquisa, mencionando que ela não analisou variáveis como o desempenho escolar dos alunos antes da criação das contas, a composição familiar ou o nível de escolaridade dos pais, abrindo caminho para futuras investigações que possam detalhar melhor essa relação.
A criação de perfis em redes sociais durante a pré-adolescência pode estar correlacionada com um rendimento acadêmico mais baixo nos anos subsequentes. Uma investigação realizada com mais de cinco mil estudantes italianos identificou essa correlação, notadamente nas matérias de matemática e italiano.
De acordo com a pesquisa divulgada na revista Nature Human Behaviour, este achado manteve-se mesmo após os analistas terem levado em consideração variáveis como o desempenho anterior dos alunos, a composição familiar e o nível de escolaridade dos pais.
Na prática, os discentes que optaram por postergar o início do uso de redes sociais demonstraram uma vantagem educacional equivalente a cerca de seis meses de aprendizado quando comparados àqueles que criaram suas contas entre os 11 e 12 anos de idade.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas examinaram dados de 5.227 estudantes provenientes de 28 instituições de ensino localizadas no norte da Itália. Este levantamento coletou informações sobre o engajamento nas mídias sociais entre 2023 e 2024 e cruzou esses dados com os resultados obtidos em exames padronizados de italiano, matemática e inglês.
A pesquisa revelou quatro pontos cruciais: um desempenho aquém do esperado em matemática e italiano entre os usuários que ingressaram mais cedo nas redes; ausência de disparidades significativas nas notas de inglês; uma conexão entre a verificação frequente do celular e resultados escolares mais baixos; e uma menor vigilância parental entre os estudantes que abriram contas precocemente.
É importante ressaltar que o estudo não estabelece que as redes sociais sejam a causa direta da deterioração do desempenho escolar. Contudo, os responsáveis pela pesquisa controlaram diversos fatores que poderiam influenciar os resultados, tais como o histórico de rendimento dos estudantes e as características inerentes às famílias.
Marco Gui, pesquisador da Universidade de Milano-Bicocca e principal autor do estudo, comentou que já existem evidências consistentes de que o uso prematuro dessas plataformas requer atenção. Ele declarou: «Acho que agora sabemos que existe um problema e que ele é complexo, relacionado à forma como essas plataformas são construídas».
Gui especulou que um dos possíveis mecanismos envolvidos é o estado constante de atenção induzido pelos aplicativos. Ele detalhou: «Especulamos que um dos mecanismos seja esse estado contínuo de alerta que as redes sociais usadas no smartphone exercem sobre a vida dos menores».
Os autores enfatizam que a natureza da pesquisa é observacional, o que significa que ela não prova uma relação de causa e efeito. Apesar disso, a correlação entre o uso antecipado das redes sociais e o desempenho inferior em matemática e italiano manteve-se estável ao longo de toda a análise.
Adicionalmente, o estudo constatou que a vantagem dos alunos que adiaram a abertura de contas equivale a aproximadamente metade do benefício tipicamente associado a programas intensivos de reforço escolar, sendo esta comparação utilizada apenas para quantificar a diferença encontrada.
Os pesquisadores defendem que os achados reforçam a urgência de fornecer orientação a famílias e instituições de ensino sobre o uso das redes sociais na fase de pré-adolescência. Paralelamente, eles sugerem que tornar essas plataformas menos dependentes de recursos que incentivam o acesso incessante pode ajudar a mitigar esse impacto.