Um grupo de astrônomos conseguiu criar um modelo tridimensional detalhado do asteroide (44) Nysa, determinando que ele é o primeiro asteroide trifacial conhecido que também possui um pequeno satélite. Os resultados desta descoberta foram apresentados em um preprint no site arXiv.org.
Estudo de corpos menores do Sistema Solar
À medida que telescópios grandes e espaçonaves interplanetárias permitem aos cientistas realizar observações mais detalhadas de inúmeros corpos menores do Sistema Solar, sua evolução dinâmica se torna cada vez mais complexa e diversificada. Atualmente, há muitos objetos conhecidos com um a três satélites, sistemas duplos de contato ou até mesmo anéis. Este conhecimento ajuda não apenas a entender melhor a evolução do Sistema Solar, mas também a aumentar a precisão na construção de modelos de sistemas exoplanetários.
Metodologia e dados de observação
O grupo de astrônomos, liderado por Kate Minker do Observatório Lowell, apresentou os resultados das observações do asteroide (44) Nysa, realizadas em 15 de fevereiro e 21 de março de 2026, usando o instrumento SHARK-VIS no Grande Telescópio Binocular. Observações adicionais foram feitas entre 3 de março e 4 de abril de 2026, com o uso do instrumento SPHERE, instalado no complexo terrestre de telescópios VLT. Para reconstruir a forma volumétrica do asteroide, os pesquisadores também utilizaram curvas de brilho de arquivo coletadas por vários pequenos telescópios terrestres.
Características do asteroide Nysa
(44) Nysa pertence aos asteroides conhecidos de grande porte do tipo raro E, e corpos semelhantes estão associados a meteoritos contendo enstatita. Supõe-se que eles se formaram a partir de material semelhante ao que formou os planetas rochosos. Embora Nysa tenha sido descoberta em meados do século XIX, ela sempre despertou o interesse dos planetologistas devido ao seu grande tamanho e alto albedo, mas sua forma exata permaneceu desconhecida por muito tempo — anteriormente, supunha-se que pudesse ser alongada ou composta por duas partes.
Os novos dados permitiram classificar Nysa como um objeto único. Ocorreram oito depressões angulares e duas crateras em sua superfície, interpretadas como três fendas conectadas por dois istmos, além de cinco crateras. Isso confirma o status de Nysa como o primeiro asteroide trifacial conhecido. Além disso, foi descoberto um satélite com cerca de um quilômetro de diâmetro, localizado a uma distância de projeção de 170 a 180 quilômetros. A análise mostrou que as superfícies de todas as fendas têm composição semelhante, pois não há mudanças óbvias na cor e no albedo. O período de rotação do asteroide é de aproximadamente 6,42 horas, e o diâmetro equivalente da esfera em que pode ser inscrito é estimado em 75 quilômetros.
Hipóteses de origem do sistema
Os pesquisadores propuseram duas teorias principais sobre a origem deste sistema incomum. A primeira hipótese sugere que, se o corpo tiver alta densidade (superior a três gramas por centímetro cúbico), ele pode ter um núcleo sólido e rico em ferro e ter se formado a partir de um único objeto progenitor que sofreu colisões intensas, ou pode ser um fragmento de um protoplaneta ou planetesimal. No entanto, os cientistas tendem mais à versão de que Nysa representa um sistema ternário de contato, formado pela fusão de três corpos em baixa velocidade. Esses corpos iniciais poderiam ser fragmentos de um único objeto que entrou em contato muito próximo com outro corpo, levando à deformação da camada menos densa e sua subsequente ruptura sob forças de maré. Observações futuras e modelagem da evolução de Nysa ajudarão a refinar sua estrutura e natureza.