As longas viagens diárias tornaram-se uma parte habitual da vida de muitos moradores de Ras Al Khaimah, que preferem permanecer perto da família enquanto constroem suas carreiras em Dubai e outros emirados. Embora esse estilo de vida ofereça um ambiente mais tranquilo e reduza os custos de moradia, ele envolve acordar cedo, tráfego intenso, custos de combustível de cerca de 3000 dirhams e menos tempo pessoal. No entanto, para muitas pessoas, este compromisso é uma escolha consciente.
Fida Abdul Salim, uma arquiteta júnior de 24 anos, começa sua rota diária antes do amanhecer. Ela acorda pouco depois das 6h, apressa-se para fazer os procedimentos matinais, prepara o almoço, água e lanches, e bebe um smoothie preparado por sua mãe ou avó. Antes de sair, ela se despede da família, faz uma breve pausa para admirar as flores no jardim, reza uma oração por uma viagem segura e sai pela Emirates Road.
Às 6h45, sua viagem de quase 120 quilômetros de Ras Al Khaimah para o distrito de design de Dubai começou. Ela explica que usa a Emirates Road porque até cinco minutos adicionais de parada no trânsito fazem diferença. Geralmente, a estrada corre bem até Sharjah, onde os engarrafamentos podem desacelerar rapidamente. Um trecho que deveria levar apenas alguns minutos frequentemente dura meia hora antes que ela continue para Dubai e chegue pouco depois das 8h. Para economizar em estacionamento, ela estaciona em um local gratuito e depois caminha mais 15 minutos até o escritório, muitas vezes sob o sol do verão.
Após terminar o trabalho às 18h, Abdul Salim faz o caminho de volta, chegando em casa entre 19h45 e 20h00, se as condições do tráfego permitirem. No total, ela passa cerca de quatro horas dirigindo todos os dias úteis.
Embora inicialmente tenha considerado se mudar para mais perto do local de trabalho, essa ideia nunca se concretizou. Ela observa que o alto aluguel e as dificuldades em encontrar um vizinho adequado tornaram isso complicado. Fida diz: 'Agora que penso em viver em Dubai, sinto que sentiria falta de casa. Mesmo que eu tivesse um apartamento lá, não seria um lar de verdade'. Para Fida, Ras Al Khaimah é mais do que apenas um lugar para morar; 'Eu vivo aqui a vida toda. É parte da minha identidade'.
Este forte apego ao lar é compartilhado por muitos moradores que continuam indo trabalhar, apesar das longas horas. Ghaya, uma enfermeira que trabalha em Dubai há pouco mais de um ano, faz viagens de 12 horas duas vezes por semana. Para ela, procurar emprego fora de Ras Al Khaimah foi uma necessidade, não uma escolha. Ela explica: 'Simplesmente não havia oportunidades disponíveis onde eu moro, então trabalhar em outro emirado foi a opção mais fácil'.
O dia dela começa ainda mais cedo. Ela acorda por volta das 4h30 e sai de casa às 5h nos dias de semana para evitar o pior do tráfego antes do turno das 7h. A viagem geralmente leva cerca de uma hora e vinte minutos, mas em congestionamentos fortes pode levar muito mais tempo. Após completar o turno de 12 horas, ela retorna para casa por volta das 21h.
O maior custo para aqueles que vão trabalhar é o tempo. Fida compartilha que as viagens a afetam muito: 'Quando chego em casa, estou fisicamente e mentalmente exausta. Eu janto e durmo'. Ela enfatiza que há pouco tempo livre para exercícios, hobbies ou interação familiar de qualidade durante os dias de semana. Às vezes, ela nem vê seu pai se ele não estiver em casa quando ela chega. Os fins de semana se tornam a única oportunidade de recuperar as energias.
Ghaya descreve esse estilo de vida de forma ainda mais simples: 'É muito desgastante. Muito esforço, e grande parte do seu tempo desaparece na estrada e no trânsito'.
No entanto, ambas as mulheres se adaptaram gradualmente ao ritmo das viagens. Fida usa o tempo na estrada ouvindo o Alcorão, refletindo, planejando seu dia ou conversando com entes queridos por telefone. Ela também gosta de cantar música, o que, segundo ela, a lembra de ser fiel a si mesma, apesar das exigências do trabalho. Ela observa que a viagem diária a ensinou paciência: 'Todos os dias você encontra diferentes tipos de motoristas. Você aprende a entender melhor as pessoas'.
Para Ghaya, o que inicialmente parecia esmagador tornou-se familiar com o tempo. Ela diz: 'No começo, o trânsito e a longa viagem eram cansativos. Mas com o tempo, me acostumei com isso e aprendi quando as estradas estariam movimentadas'.
Apesar do cansaço, nenhuma das mulheres se arrepende de ter permanecido em Ras Al Khaimah. Ghaya acredita que ter colegas e gerentes solidários torna o ato de ir trabalhar recompensador. Ela acrescenta: 'A viagem é cansativa, mas assim que chego ao trabalho, esqueço disso'.
Para Fida, a resposta reside no que espera no final de cada viagem. 'A única razão que torna tudo isso valioso é voltar para minha família'. Ela anseia pelas chamadas dos pais para saber onde ela está e pelos encontros com eles quando chega em casa. 'O alívio no rosto do meu pai, minha mãe esperando por mim, meus irmãos e irmãs e minha avó se sentindo confortáveis porque estou em casa, torna tudo valioso'. Ela conclui: 'Tenho sorte de ter uma família que entende o quanto estou cansada. Eles não exigem muito de mim quando chego em casa. Eles simplesmente facilitam minha vida.'

