Um grupo internacional de cientistas concluiu que os bicho-da-seda domesticados da China apareceram na Ásia Central há cerca de 4000 anos, o que é dois mil anos antes da formação da Rota da Seda.
Um grupo internacional de cientistas concluiu que os bicho-da-seda domesticados da China apareceram na Ásia Central há cerca de 4000 anos, o que é dois mil anos antes da formação da Rota da Seda.
Essas conclusões são baseadas no estudo de achados arqueológicos encontrados no sítio da Idade do Bronze de Sapalitepa, no sul do Uzbequistão. Os resultados da pesquisa foram publicados em 23 de julho na revista científica Science Advances.
O trabalho se baseou na análise de três casulos secos de bicho-da-seda e restos de amoreira, que arqueólogos chineses e uzbeques encontraram durante trabalhos de campo entre 2017 e 2019. Especialistas de seis instituições científicas da China, Uzbequistão, Alemanha e Estados Unidos participaram do estudo.
Os autores do estudo observam que anteriormente se acreditava que a disseminação da seda chinesa para o oeste só havia começado durante a Dinastia Han, quando a Rota da Seda surgiu. No entanto, novos dados, segundo os pesquisadores, indicam uma disseminação da tecnologia da sericicultura significativamente mais antiga.
O professor Xia Qingyu, da Universidade Sudoeste de Chongqing, informou que a análise de proteínas confirmou que os casulos encontrados pertencem ao bicho-da-seda domesticado (Bombyx mori). Segundo ele, esta espécie não pode existir sem humanos e se alimenta exclusivamente de folhas de amoreira. A idade dos achados é estimada em aproximadamente 4000 anos.
A líder da pesquisa, Zhou Xinying, do Instituto de Paleontologia Vertebrada e Paleoantropologia da Academia Chinesa de Ciências, observou que os arqueólogos encontraram não apenas casulos, mas também evidências do cultivo de amoreiras. De acordo com ela, isso pode indicar o desenvolvimento da produção de seda na Ásia Central muito antes do surgimento da Rota da Seda.
A análise de amostras de solo de Sapalitepa revelou milhares de restos vegetais perto dos três casulos de bicho-da-seda. A análise usando microscopia eletrônica de varredura mostrou que a estrutura das fibras corresponde aos casulos de Bombyx mori. No entanto, as fibras antigas eram mais finas que as modernas, o que, na opinião dos autores, pode indicar um estágio inicial de domesticação desta espécie.
Além disso, os cientistas encontraram carvão de madeira de amoreira em três locais arqueológicos: Sapalitepa, Djarkutan e Molali. A pesquisadora Shen Hui relatou que a proporção de madeira de amoreira aumentou de 10% em Sapalitepa para 60% em Molali, o que pode indicar uma expansão gradual de seu cultivo.
Os cientistas também identificaram restos de madeira de frutas cítricas, cujo habitat natural está nos Himalaias sudeste. Os autores acreditam que isso indica contatos entre a Ásia Central e a Índia Antiga durante a Idade do Bronze.
Ao analisar os dados arqueológicos sobre a distribuição da amoreira na Ásia, os cientistas sugeriiram que as tradições de sericicultura se espalharam da China ao longo das encostas sul dos Himalaias e depois alcançaram a Ásia Central, e não através das rotas setentrionais que mais tarde fizeram parte da Rota da Seda.
Os autores do estudo acreditam que os resultados obtidos permitem considerar a disseminação da sericicultura como parte de um processo mais amplo de contatos interregionais precoces, juntamente com a disseminação de cevada, trigo, animais domésticos e tecnologias metalúrgicas entre a China, Ásia Central e Índia Antiga nos terceiros e segundos milênios a.C.
Em sua opinião, esta descoberta abre novas direções para o estudo da história da sericicultura e dos caminhos pelos quais essa tecnologia se espalhou na antiga Eurásia.
A competição automobilística internacional 'Paris - Pequim pela Rota da Seda', que começou em julho, ocorreu pela primeira vez no território do Cazaquistão. Este grande percurso automobilístico está planejado até setembro de 2026 e inclui vários países, como Turquia, Geórgia, Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão e China.
Os participantes chegaram ao Cazaquistão em 30 de julho, seguindo uma rota que passou por Beyneu no Cazaquistão, depois Jashlyk (Davut-ota) e terminou em Nukus.
A organização deste projeto foi feita pela empresa francesa ATYPIC Travel Organisation. O objetivo do evento não é apenas realizar um evento esportivo, mas também apresentar à comunidade mundial o patrimônio cultural e as belezas naturais dos países que fazem parte da Rota da Seda.
Para o Cazaquistão, a participação no rali oferece a chance de se apresentar no cenário internacional, mostrando suas paisagens naturais únicas, rico passado histórico, identidade e potencial turístico da região.
Em Nukus, os visitantes podem conhecer um dos museus de vanguarda mais famosos do mundo, ver o caminho para o Mar de Aral em declínio e sentir a vastidão das estepes cazaques. No entanto, a região ainda não faz parte dos principais destinos turísticos, pois a maioria dos turistas prefere visitar Samarcanda, Bukhara ou Khiva.