Ao receber um orçamento de um mecânico, quando não está claro se o preço é justo, ou quando um indicador acende no painel e você quer entender a causa antes de ir à oficina, chatbots baseados em inteligência artificial, como o ChatGPT, são usados exatamente para esses fins. De acordo com o Wall Street Journal, os resultados desse uso podem variar desde economia real até armadilhas caras.
O que a IA faz bem
A aplicação mais direta e menos arriscada é a verificação de orçamentos. O usuário fotografa ou insere o orçamento recebido, especifica a marca, modelo e ano do veículo e pede ao chatbot para avaliar se os valores e os itens listados fazem sentido. A IA é capaz de identificar itens desnecessários, preços acima da média ou peças que não correspondem ao problema descrito.
Além disso, a IA pode ajudar a explicar diagnósticos técnicos. Se o mecânico informa que 'o sensor MAP está com defeito', e o usuário não entende o que isso significa, o chatbot pode esclarecer a função dessa peça e as consequências de sua falha, nivelando assim as chances do usuário na conversa com o especialista.
A IA também pode servir como um guia útil e econômico ao realizar reparos simples, como a troca de filtro de ar, a limpeza de injetores de combustível ou a substituição de lâmpadas, visto que essas tarefas são de baixo risco.
Como usar corretamente
É crucial ser o mais detalhado possível nos pedidos. Em vez de frases genéricas como 'barulho estranho no motor', deve-se descrever quando o barulho ocorre, a que velocidade, se é constante ou intermitente, se aparece apenas ao frear ou acelerar. Quanto mais contexto for fornecido, mais precisa será a avaliação. É necessário sempre indicar a marca, o modelo e o ano do veículo, e, se possível, o número do chassi (VIN).
Recomenda-se aos usuários verificar os conselhos obtidos dos chatbots por meio de outras fontes. Como os chatbots podem fornecer recomendações errôneas com total convicção, antes de tomar qualquer medida, especialmente aquelas relacionadas à segurança, deve-se consultar um mecânico de confiança.
Em caso de dúvida, é melhor abster-se de fazer reparos por conta própria. Sistemas de freios, suspensão, elétrica e motor são áreas onde um erro pode custar muito mais caro e ser mais perigoso do que se o problema fosse inicialmente repassado a um profissional.
Onde a IA pode prejudicar
O problema mais comum relatado pelos mecânicos é que os motoristas trocam a peça errada após seguir o conselho do chatbot, resultando em gastos superiores ao custo do diagnóstico profissional inicial.
É importante lembrar que a IA opera com base em probabilidades, e não em verdades absolutas. Ela não ouviu o barulho do seu carro, não viu a cor da fumaça e não conhece o histórico de manutenção do veículo. Em problemas elétricos ou intermitentes, que dependem de temperatura, umidade ou modo de operação, a probabilidade de diagnóstico incorreto aumenta significativamente.
No entanto, alguns mecânicos veem essa tecnologia como uma aliada. Quando o chatbot confirma seu diagnóstico, a comunicação com o cliente se torna mais fácil. Palmer Dababneh, da Underdog Automotive, declarou ao WSJ: 'A IA nos ajuda muito a fazer verificações. Por isso, não podemos mentir para os clientes.'



