Os moradores de Cape Town se opuseram à proposta de criação de um complexo multifuncional de alta densidade na área de Three Anchor Bay, pois insistem na preservação deste território como espaço recreativo público.
Oposição Pública ao Projeto
Mais de 300 moradores assinaram uma petição contra o plano proposto pela Câmara Municipal de Cape Town (City of Cape Town). Eles afirmam que o terreno deve permanecer como espaço recreativo público e não ser cedido para desenvolvimento privado.
Detalhes da Proposta da Câmara Municipal
A proposta diz respeito ao lote Erf 2187 e faz parte do plano da Cidade para liberar o potencial socioeconômico de longo prazo dos bens municipais, atualmente subutilizados, com previsão de conclusão até 2030. De acordo com o plano, o volume máximo de construção é de 117.000 m² de área total nova. Este complexo pode incluir espaços comerciais e de escritórios, um hotel com capacidade para até 325 quartos, até 1.145 unidades residenciais e instalações públicas. Há também a exigência de que pelo menos 20% dos apartamentos residenciais sejam voltados para o mercado de habitação acessível.
Processo de Aprovação e Objetivos
A Diretoria de Crescimento Econômico da Câmara Municipal de Cape Town explicou que o projeto passou por um extenso diálogo público preliminar, iniciado em fevereiro de 2025. O processo de participação pública no relatório básico (dBAR) durou 30 dias, começando em 18 de junho de 2026 e terminando em 20 de julho de 2026. O principal objetivo da Cidade era maximizar o valor socioeconômico de longo prazo deste bem municipal subutilizado (Erf 2187, Green Point) ao colocá-lo no mercado aberto através de um processo competitivo para a implementação de desenvolvimento multifuncional de alta intensidade.
Usos Planejados
A Cidade designou uma equipe profissional para desenvolver uma proposta conceitual sobre o potencial máximo de desenvolvimento de 117.000 m² de área total nova. Se aprovado, o complexo incluirá um conjunto de direitos de uso do solo: espaço comercial (máximo de 8.380 m² de área arrendada total), espaço de escritório (máximo de 13.060 m² de área arrendada total), fundos hoteleiros de 5.094 m² com capacidade para até 325 quartos, e uma área residencial de 49.187 m² de área arrendada total, o que potencialmente permite até 1.145 unidades residenciais. A liberação do lote está condicionada à provisão de pelo menos 20% de todas as unidades residenciais voltadas para os submercados de habitação acessível.
Preocupações dos Moradores e Posição da Cidade
Os moradores expressam preocupação com o desenvolvimento proposto, defendendo a preservação de Three Anchor Bay como um local público vital. A Cidade explicou que será necessário um mínimo de 1.355 m² para criar uma nova instituição de desenvolvimento infantil precoce (ECD) e futura expansão da Biblioteca Colin Eglin. A Cidade esclareceu que os números apresentados refletem o volume máximo conceitual de desenvolvimento preparado para fins de viabilidade técnica e planejamento, e não são direitos de construção aprovados. Quaisquer projetos futuros que afetem patrimônios estarão sujeitos à aprovação da Heritage Western Cape e de outros órgãos competentes.
Posição dos Ativistas
Zarina Patel, da associação de moradores Save Our Sea Point (SOSRA), que iniciou a petição, declarou que mais de 300 assinaturas foram coletadas em apoio a esta questão. Patel enfatizou que o terreno foi cedido à Câmara Municipal de Cape Town (CoCT) em caráter perpétuo para uso recreativo. Ela expressou discordância com as tentativas da Cidade de alterar o zoneamento dessa terra, apesar da objeção pública. Além disso, ela questionou a objetividade das avaliações usadas para promover tais projetos, especialmente quando consultores são contratados com a participação da CoCT e incorporadoras. Patel acrescentou que, devido à aprovação contínua de projetos pelo Governo, a costa atlântica já está superlotada.
Resposta da Câmara Municipal
A Cidade informou que está ciente da petição e a analisará no âmbito do processo de participação pública. Ela observou que reconhece a existência de diversas opiniões entre os moradores sobre o futuro do lote e acolhe a participação nos procedimentos oficiais atuais. Os comentários recebidos durante a divulgação do relatório básico (dBAR) serão considerados no processo subsequente de solicitação de uso do solo em setembro de 2026.