Lindiwe Nkunana-Kgopa transformou uma recusa em uma das histórias de sucesso empresarial mais inspiradoras na África do Sul, fundando um negócio que mudou o panorama da produção feminina na África. Depois de lhe dizerem que ela não se 'encaixava no perfil' para trabalhar no setor de manufatura, ela construiu uma empresa totalmente de propriedade e gerida por mulheres.
Mais de dez anos atrás, um comentário em um evento para mulheres mudou drasticamente a vida de Nkunana-Kgopa. Hoje, ela é a fundadora e diretora executiva da Lindiwe Sanitary Pads (LSP) e foi homenageada com o prêmio Veuve Clicquot Bold Woman Award 2026 por reimaginar as conquistas das mulheres na manufatura africana.
Ela recordou que o palestrante no evento mencionou que nunca houve uma presidente na África do Sul e que nenhuma mulher havia possuído uma fábrica de produtos de higiene em escala industrial. Embora a audiência tenha continuado em frente, Nkunana-Kgopa permaneceu determinada a mudar essa situação. Ela enfatizou: 'Toda a indústria, construída sobre corpos femininos, sustentada pelas necessidades das mulheres e comprada com dinheiro de mulheres, nunca pertenceu a uma mulher em escala industrial.'
Hoje, Nkunana-Kgopa lidera a primeira instalação de fabricação de produtos de higiene em grande escala na África que é de propriedade e gerida exclusivamente por mulheres. A Lindiwe Sanitary Pads, fundada em 2018 em uma cozinha doméstica, cresceu até se tornar uma fábrica de 4000 metros quadrados em Centurion, Gauteng, capaz de produzir 800 absorventes sanitários que atendem aos padrões do Bureau de Normas Sul-Africano por minuto.
O negócio agora exporta produtos para 11 países africanos e contrata mulheres de comunidades anteriormente desfavorecidas. Através de parcerias e programas de doações, a empresa forneceu mais de 100.000 absorventes sanitários gratuitos para alunas na África do Sul este ano.
Nascida e criada em Limpopo, Nkunana-Kgopa tornou-se mãe enquanto estudava na universidade em Pretoria. Em vez de deixar que as circunstâncias definissem seu futuro, ela se concentrou em criar um negócio que, em sua opinião, a África precisava. No entanto, conquistar a confiança dos investidores provou ser mais difícil do que desenvolver o conceito em si.
Ela recorda como especialistas bancários disseram que ela simplesmente não se encaixava no perfil de alguém capaz de ter sucesso na manufatura. Ela respondeu que pretendia ter sucesso e que a verdadeira questão era se eles fariam parte dessa história de sucesso. Em vez de desistir por não atender aos requisitos, ela criou a si mesma e seu negócio até corresponder a esse perfil.
O acesso a financiamento foi um dos maiores obstáculos para a empresa em desenvolvimento. Como a primeira fabricante a entrar em um setor tradicionalmente dominado por homens, Nkunana-Kgopa teve dificuldades em convencer credores e investidores a apoiar seu negócio. Em vez disso, ela dependeu de programas de desenvolvimento de negócios, gestão financeira disciplinada e persistência incansável.
Ela observou que cada fracasso — seja um atraso no projeto, um período difícil de cheque especial ou negociações estagnadas — era visto como um problema a ser resolvido, e não como um motivo para parar. Um momento decisivo ocorreu durante um dos períodos mais difíceis da empresa. Com pouco dinheiro, fornecedores exigindo pagamento e o futuro do negócio pairando, Nkunana-Kgopa convidou potenciais patrocinadores para visitar sua fábrica em vez de depender apenas de apresentações e documentos.
Essa decisão mudou o futuro da empresa. Ela conseguiu atrair 27 milhões de randos em financiamento, permitindo que o negócio passasse de operações domésticas para uma instalação de produção moderna, capaz de abastecer varejistas, compradores atacadistas e o Programa Nacional de Dignidade na África do Sul.
Hoje, a Lindiwe Sanitary Pads tem 36 funcionários permanentes e mais 93 trabalhadores durante os picos de produção, a maioria delas mulheres de comunidades anteriormente marginalizadas. Para Nkunana-Kgopa, o maior sucesso da fábrica não é apenas o que ela produz, mas as oportunidades que ela cria.
Através de uma parceria com Young Women of Africa, a empresa expandiu-se para 11 países africanos, ajudando empreendedoras a iniciar e possuir suas próprias marcas de produtos de higiene, criando novos caminhos para a independência econômica. Essa parceria também apoia programas destinados a salvar meninas de casamentos infantis e mutilação genital feminina, permitindo que elas voltem à escola e construam um futuro independente.
Em nível local, parcerias governamentais e a iniciativa da empresa 'Compre para Doar' permitiram que mais de 100.000 alunas na África do Sul recebessem absorventes sanitários gratuitos este ano, ajudando a reduzir a pobreza relacionada à menstruação e o absenteísmo escolar. Nkunana-Kgopa acredita que a indústria de produtos de higiene existe devido às necessidades das mulheres, mas por décadas a produção foi predominantemente masculina.
A criação de uma empresa de propriedade e gerida por mulheres consistiu em eliminar essa lacuna, garantindo que o valor criado pela indústria que serve as mulheres também fosse apropriado por elas como proprietárias, tomadoras de decisões e industriais.
Em homenagem ao Mês da Mulher na África do Sul, Nkunana-Kgopa espera que seu caminho inspire mais mulheres a se envolverem em setores onde foram tradicionalmente ignoradas. Ela aconselha: 'Não espere que lhe digam que você se encaixa no perfil — crie um histórico que redefina como esse perfil se parece.' Ela apela para esperar subestimação e usá-la como combustível, em vez de um fator desmotivador, estudando profundamente os fundamentos técnicos e financeiros de seu setor, pois a competência é a resposta mais forte às dúvidas.
Aos 43 anos, Nkunana-Kgopa declarou que suas ambições vão muito além da expansão de uma única empresa. Ela aspira deixar um setor transformado pela liderança feminina, onde a propriedade deixará de ser uma exceção e se tornará a norma. Ela quer que o setor pareça fundamentalmente diferente do que entrou — onde as mulheres africanas são proprietárias e industriais na economia menstrual, e não apenas consumidoras. Ela deseja que o modelo da LSP em produção, mentoria e acesso ao mercado para outras marcas de propriedade feminina possa ser replicado em todo o continente muito tempo depois de sua saída.



