O processo econômico mundial está entrando em uma fase de redistribuição, na qual as direções comerciais tradicionais estão mudando, novos centros tecnológicos estão se formando e a competitividade dos países é determinada pela economia digital e inteligência artificial. Em face dessas mudanças complexas e rápidas, o Fórum Econômico Internacional em São Petersburgo, realizado em junho de 2026, tornou-se um palco político-econômico significativo para discutir modelos de desenvolvimento futuro, e não apenas um local para encontros econômicos.
Um dos eventos chave do fórum foi a participação do Presidente do Repúblico do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, e as iniciativas apresentadas por ele. O cientista político Saifiddin Joʻraev observou que os relacionamentos entre Uzbequistão e Rússia transcenderam a simples interação bilateral e se transformaram em uma parceria abrangente. Ele enfatizou que as propostas e ideias apresentadas no fórum em São Petersburgo indicam a transição desse processo para um novo nível.
Se antes a cooperação estava concentrada principalmente em comércio e investimentos, agora a agenda inclui áreas estratégicas como economia digital, alta tecnologia, capital humano, cooperação industrial e energia nuclear.
As iniciativas apresentadas pelo Presidente do Uzbequistão na cúpula estão interligadas. Elas representam não projetos isolados, mas parte de um sistema unificado voltado para a formação da economia futura. Uma atenção especial é dada à proposta de criação de uma plataforma online conjunta para o desenvolvimento do capital humano.
Nas realidades econômicas modernas, o valor do conhecimento e da tecnologia supera o valor dos recursos naturais. Portanto, a iniciativa de criar uma plataforma digital para apoiar a educação, tecnologias de TI, treinamento profissional e empreendedorismo entre os jovens em cooperação com a Federação Russa foi avaliada como um investimento no futuro. Essa abordagem permitirá aproximar os mercados de trabalho dos dois países, preparar profissionais altamente qualificados e formar um capital humano competitivo.
Outra proposta importante apresentada pelo chefe de Estado é a ideia de formar um perfil de emprego digital unificado. Embora à primeira vista possa parecer uma iniciativa técnica, essencialmente ela marca uma nova fase de integração econômica. O mercado de trabalho digital permite gerenciar eficientemente o movimento da força de trabalho, prever com precisão as necessidades de especialistas e desenvolver novos tipos de serviços baseados em inteligência artificial.
Com base nessas iniciativas, o objetivo de transformação digital tornou-se evidente: o Uzbequistão enfatizou a necessidade de criar um ecossistema digital conjunto, aproximar as regras do comércio digital e promover marcas nacionais em plataformas comuns. Isso está alinhado com a tendência de que as conexões econômicas estão migrando cada vez mais para o espaço virtual.
Na economia do século XXI, o setor digital desempenha a função de uma nova via de transporte. Os países que gerenciam tais plataformas ou participam ativamente desse processo obtêm vantagens econômicas adicionais. Sob esse ponto de vista, a busca por expandir a cooperação com a Rússia no espaço digital é vista como uma estratégia de longo prazo para formar novas fontes de crescimento econômico.
Dados atualizados no âmbito do FIEP-2026 demonstram o volume das relações bilaterais. Na última década, o volume comercial entre os dois países aumentou mais de três vezes. O valor dos projetos conjuntos, que atingiu 50 bilhões de dólares, indica a transição das relações do nível comercial para o nível de investimento e cooperação produtiva.
Além disso, no fórum foi anunciado um novo pacote de investimentos no valor de cerca de 5 bilhões de dólares, orientado para o futuro próximo. Assim, não apenas o ritmo da cooperação existente é mantido, mas também os círculos empresariais de ambos os países olham para o futuro com confiança.
Entre as iniciativas apresentadas na cúpula, destaca-se a cooperação industrial. O conceito proposto pelo Presidente Shavkat Mirziyoyev, o «Cinturão Euroasiático de Industrialização Tecnológica», é avaliado não apenas como uma questão de relações bilaterais, mas como uma ideia que diz respeito ao futuro econômico de toda a região.
A essência dessa iniciativa reside na ligação dos processos produtivos, na formação de um cluster de tecnologias e na produção de bens de alto valor agregado. Não se trata apenas de relações comerciais, mas da formação de uma cadeia unificada, desde a criação de tecnologias e preparação de pessoal até a produção de bens e sua exportação para mercados externos.
Em face das mudanças globais, observa-se uma tendência de busca por novos modelos de produção. Em um cenário de competição geopolítica, interrupções nas cadeias de suprimentos e restrições tecnológicas, a estabilidade econômica depende em grande parte do potencial industrial interno. Nesse contexto, a cooperação industrial em formação entre Uzbequistão e Rússia é um elemento importante para a segurança econômica de longo prazo de ambos os países.
A cooperação no setor de energia nuclear também alcançou um novo patamar no âmbito do fórum. Como a economia do Uzbequistão está se desenvolvendo rapidamente, a demanda por fontes de energia cresce constantemente. De acordo com estimativas de especialistas, a necessidade de eletricidade do país dobrará na próxima década. Nessas condições, a energia nuclear adquire um significado especial como fonte de energia estável e de longo prazo.
Um dos eventos mais importantes destacados durante o encontro dos presidentes foi o início da construção de uma usina nuclear. A particularidade do projeto reside na sua implementação com base em um complexo de reatores de diferentes potências. Isso fortalece a independência energética do Uzbequistão e cria uma base sólida para o desenvolvimento do setor industrial de alta tecnologia.
A energia nuclear exige não apenas a produção de eletricidade, mas também engenheiros altamente qualificados, pesquisas científicas e sistemas tecnológicos modernos. Portanto, a iniciativa do Presidente de criar uma filial da Universidade Nacional de Pesquisa Nuclear no Uzbequistão não é infundada; assim, a escola de engenharia nacional continuará a se fortalecer no futuro.
O aspecto humanitário da cooperação econômica também atraiu atenção. A proposta de criar uma rota criativo-turística «Samarcanda – São Petersburgo» visa enriquecer os laços culturais entre os dois países com conteúdo novo. Foi destacado que festivais de arte, fóruns de cinema, exposições de museus e eventos gastronômicos contribuirão para fortalecer a confiança entre os povos.
No ambiente competitivo atual, o sucesso da cooperação econômica depende em grande parte da atmosfera de confiança entre as pessoas. Por essa razão, os contatos nos setores de turismo, cultura e educação são considerados um apoio importante à parceria. Um exemplo desse processo é a visita de quase um milhão de russos ao Uzbequistão em 2025.
No fórum, também foi discutida a questão de formar a Ásia Central como um centro de crescimento econômico sustentável. Como enfatizou o Presidente, a região não é mais apenas uma zona de trânsito ou um espaço onde os interesses das grandes potências se cruzam. A Ásia Central está se tornando um novo centro de crescimento, com potencial econômico, demográfico e de investimento autônomo.
Neste processo, o Uzbequistão desempenha um papel especial. Graças à sua localização geográfica, economia crescente e política externa ativa, o país funciona como uma ponte importante, conectando os mercados da Rússia, China, Sul da Ásia e Oriente Médio. A harmonização dos corredores de transporte, redes de energia, plataformas digitais e cadeias de produção serve exatamente a este propósito.
Os resultados da cúpula mostraram que os relacionamentos Uzbequistão – Rússia estão passando para um nível qualitativamente novo. A cooperação, que antes era definida principalmente pelo comércio e pelas ligações econômicas, hoje se transforma em uma parceria abrangente, abrangendo tecnologia, energia nuclear, transformação digital, capital humano e diplomacia cultural.
É importante notar que esse processo pode influenciar não apenas os interesses dos dois países, mas também a situação econômica em todo o espaço euroasiático. Consequentemente, as iniciativas apresentadas no Fórum de São Petersburgo cumprem inequivocamente o papel de um importante roteiro político-econômico tanto para o presente quanto para o desenvolvimento nas próximas décadas.


