A UNAIDS emitiu um alerta de que a redução do financiamento internacional para a prevenção do HIV pode provocar o ressurgimento da epidemia, colocando em risco décadas de progresso alcançado.
No relatório apresentado durante a 26ª Conferência Internacional sobre SIDA, realizada no Rio de Janeiro, Brasil, de 26 a 31 de julho de 2026, a agência informou que a ajuda global ao desenvolvimento para programas de combate ao HIV diminuiu 23% em 2025, o que representa a queda mais acentuada em toda a história de observação.
Este déficit de financiamento contribuiu para cerca de 1,2 milhão de novos casos de infecção por HIV e 570.000 mortes relacionadas com SIDA, pois o mundo não conseguiu atingir as metas globais chave.
Embora os novos casos de HIV e as mortes por SIDA estejam nos níveis mais baixos em mais de três décadas, a UNAIDS salientou que esses sucessos permanecem frágeis e podem ser facilmente revertidos sem investimentos e compromisso contínuos.
Conquistas na luta global contra o HIV
O relatório também destacou o progresso significativo na luta mundial contra o HIV. Quênia, Lesoto, Benin, Eswatini, Ruanda e Zimbábue registaram uma redução de quase 80% nas novas infeções desde 2010, demonstrando que esforços sustentados podem trazer resultados tangíveis.
O relatório mostra que mais progresso ainda é possível graças a novas ferramentas de prevenção, que oferecem nova esperança para a redução das infecções por HIV em todo o mundo. Um passo importante é a implementação gradual de medicamentos de profilaxia do HIV, que oferecem proteção contra o vírus semelhante à vacinação.
Essas inovações são capazes de transformar os esforços de prevenção, reduzindo a carga de ingestão diária de pílulas em favor de opções mais convenientes, incluindo doses mensais ou bienais.
Injeções mensais e semestrais estão gradualmente surgindo no mercado, enquanto comprimidos profiláticos orais estão em estágios avançados de testes. A injeção de lenacapavir de longa duração demonstrou proteção quase total contra a infeção por HIV em ensaios clínicos.
No início deste ano, a Quênia começou a implementar o lenacapavir em certas instituições de saúde pública, onde as injeções são administradas sob a supervisão de profissionais de saúde certificados.
A implementação inicial visa regiões com alta prevalência e grupos populacionais chave, incluindo adolescentes, mulheres jovens e outros grupos com maior risco de infeção por HIV. Atualmente, dez países africanos implementaram o lenacapavir, sendo Eswatini, África do Sul e Quênia entre os principais utilizadores.
No entanto, persistem desafios, como a alta vulnerabilidade à infeção e o acesso desigual à injeção vital. A diretora executiva da UNAIDS, Winnie Byanyama, afirmou que os avanços científicos abrem oportunidades sem precedentes, mas sublinhou que as inovações devem ser acessíveis e a preços razoáveis para aqueles que mais precisam delas.
Muitos países em desenvolvimento correm o risco de ficar para trás devido ao alto custo desses novos meios de prevenção.