Cientistas demonstraram que o leve esfregar a pele de sapos com um cotonete pode coletar DNA de alta qualidade suficiente para estudar espécies ameaçadas, sem causar danos a elas. Este avanço oferece uma nova abordagem para medidas de conservação nos Ghats Ocidentais e em áreas urbanas da Índia, onde cerca de metade de todas as espécies de anfíbios estão ameaçadas de extinção.
Como este método minimamente invasivo provou ser eficaz para vários tipos e tamanhos, o grupo de pesquisa apresentou uma base para a realização de pesquisas éticas na vida selvagem. Anteriormente, os pesquisadores frequentemente usavam métodos invasivos e dolorosos, como a remoção de pequenos pedaços de dedos ou pontas de cauda de anfíbios para obter o tecido necessário para análise de DNA.
O Professor Gururaj KV, professor do Instituto de Artes, Design e Tecnologia Srishti Manipal e autor da nova pesquisa, observou que, após longas discussões, a equipe decidiu tentar coletar amostras da pele em vez dos métodos tradicionais, como a coleta de caudas de girinos, coleta de ovos, corte de dedos ou raspados bucais.
A nova pesquisa foi conduzida por cientistas do Instituto de Artes, Design e Tecnologia Srishti Manipal, Instituto de Tecnologia Manipal e Fundação Ashoka para Pesquisa Ecológica e Ambiental. O trabalho focou em 88 indivíduos de sete diferentes grupos de sapos e rãs. A pesquisa mostrou que, ao aplicar 60 toques suaves com um cotonete nas costas, abdômen e membros do animal, os cientistas podem coletar células da pele desprendidas suficientes para mapear todo o código genético do animal.
Este novo método baseia-se no fato de que os anfíbios, assim como os humanos, perdem constantemente células da pele contendo DNA. Em seguida, os cientistas usam um processo chamado reação em cadeia da polimerase (PCR) para amplificar ou copiar repetidamente um gene específico, neste caso, o gene 16S rRNA, até haver material suficiente para sequenciamento. O sequenciamento permite ler a sequência de letras químicas A, T, C, G no DNA, o que ajuda a identificar novas espécies, rastrear doenças e entender as relações de parentesco entre diferentes populações.
A equipe descobriu que mais de 86% das amostras coletadas com cotonetes forneceram com sucesso cópias de DNA, e 67% eram suficientemente limpas para serem lidas por sequenciadores. Para garantir a praticidade do método para pesquisadores de campo, a equipe testou vários métodos de armazenamento e processamento dos cotonetes. Eles compararam um kit laboratorial profissional com um método básico e mais barato de extração com sal para verificar se obteriam resultados semelhantes.
Também foi verificado se os cotonetes deveriam ser armazenados úmidos em álcool ou secos. Embora ambos os métodos de extração tenham fornecido quantidades semelhantes de DNA, os kits profissionais garantiram amostras mais puras. Curiosamente, os pesquisadores descobriram que os cotonetes secos, na verdade, proporcionavam maior pureza do que aqueles armazenados em líquido, simplificando e barateando o transporte e armazenamento de amostras em florestas tropicais remotas sem a necessidade de usar garrafas pesadas com produtos químicos.
Este trabalho é o primeiro caso em que o método de coleta de amostras com cotonetes foi rigorosamente testado em múltiplas espécies de diferentes tamanhos em condições complexas e úmidas da Índia tropical. Enquanto estudos anteriores de sapos muito pequenos em outras partes do mundo às vezes enfrentavam dificuldades em obter DNA suficiente dos cotonetes, este estudo obteve sucesso mesmo com indivíduos minúsculos, como sapos do gênero Microhyla de 13 milímetros. Além disso, os pesquisadores observaram os animais após a liberação e notaram que muitos sapos começaram a coaxar quase imediatamente, indicando que o processo causou muito menos estresse neles em comparação com os métodos tradicionais.
No entanto, os pesquisadores reconhecem que a eficácia do cotonete depende muito da textura da pele do sapo — seja ela lisa e viscosa ou seca e com verrugas. Por exemplo, embora a rã da árvore Malabar com pele rugosa tenha dado bons resultados, os pesquisadores observaram que diferentes tipos de pele podem exigir um número diferente de toques com o cotonete para atingir a eficácia. Eles também enfatizaram que, embora seu método seja excelente para identificação de espécies, pesquisas genéticas mais complexas ainda podem exigir grandes volumes de DNA que podem ser obtidos de amostras de tecido tradicionais. Portanto, eles recomendam que futuros pesquisadores realizem estudos piloto em suas espécies alvo para encontrar o equilíbrio ideal.
Os anfíbios são bioindicadores chave, pois seu estado reflete a saúde de todo o ecossistema. Ao fornecer um método de monitoramento desses animais que é ético, econômico e confiável, este estudo permite que os cientistas coletem dados vitais de forma mais rápida e humana. Isso está alinhado com o conceito global dos 3R — Substituição, Redução e Aperfeiçoamento — que visa tornar as pesquisas com animais mais humanitárias. Além disso, a nova abordagem garante que, na busca por salvar espécies ameaçadas, não causemos mais sofrimento desnecessário a elas, permitindo-nos proteger a natureza respeitando a vida dos seres nela.