Pesquisadores da Emory University e do Georgia Institute of Technology, sob a liderança de Marcela Benítez, criaram uma nova metodologia para avaliar as capacidades cognitivas de macacos selvagens diretamente em seu habitat natural.
Pesquisadores da Emory University e do Georgia Institute of Technology, sob a liderança de Marcela Benítez, criaram uma nova metodologia para avaliar as capacidades cognitivas de macacos selvagens diretamente em seu habitat natural.
O dispositivo, denominado CapuchinAI 1.0, é uma caixa de madeira equipada com tela sensível ao toque, câmera e um compartimento especial para servir bananas. Dentro dele, há um computador miniatura que utiliza a rede neural YOLO para reconhecimento facial, treinada com imagens de capuchinhos. Quando um macaco se aproxima do aparelho, uma tarefa correspondente é exibida na tela, e o animal recebe uma recompensa na forma de banana por completá-la com sucesso.
Em um teste piloto de duas semanas, realizado no santuário florestal de Taboga, na Costa Rica, 16 capuchinhos-branco-cabeça selvagens (Cebus imitator), acostumados à presença humana, interagiram voluntariamente com o dispositivo. Dez desses macacos conseguiram receber um petisco apenas tocando na tela, e oito animais estabeleceram uma ligação entre o toque e o recebimento de comida, observando o compartimento em espera pela recompensa.
O principal objetivo do CapuchinAI é tornar os estudos de campo mais gerenciáveis, aproximando-os das condições de laboratório, e permitir que os cientistas realizem testes em animais selvagens com mínima interferência em seu ambiente natural. Esses testes pressupõem a voluntariedade da participação, pois os macacos decidem por conta própria se aproximar do aparelho e iniciar a interação. Embora instalações semelhantes tenham sido usadas anteriormente para testar animais, elas funcionavam sem o uso de inteligência artificial. O novo sistema se distingue por ser capaz de distinguir capuchinhos de outras espécies e não fornecerá recompensa ao animal errado.
Além disso, com base nos vídeos coletados durante o teste piloto, planeja-se continuar o treinamento do sistema para identificar indivíduos específicos e registrar qual tarefa cada um executou.
Em outra área da ciência, paleontólogos descobriram uma nova espécie de cobra basal que vivia no território atual do Brasil no final do período Cretáceo, há cerca de 75 a 85 milhões de anos. Esta espécie foi nomeada Tametara mirim. De acordo com os pesquisadores, este réptil antigo atingia um comprimento de cerca de 40 centímetros. Com base nas características de seu crânio, cérebro e ouvido interno, pode-se supor que ele tinha um estilo de vida relacionado à escavação.
Conforme indicado no artigo publicado na revista Nature, a descoberta de T. mirim demonstra que as cobras basais possuíam uma diversidade significativa tanto ecológica quanto anatômica.
Cientistas utilizaram um macaco-prego para testar uma nova metodologia de estudo da inteligência animal em uma floresta da Costa Rica. Uma estação equipada com inteligência artificial, câmera e tela sensível ao toque foi implementada para monitorar como esses primatas adquirem conhecimentos.
Este aparato, denominado CapuchinAI, tem potencial para elucidar como as capacidades cognitivas afetam as escolhas e a sobrevivência dos animais em seu habitat natural, algo que é notoriamente difícil de ser observado em ambientes laboratoriais, conforme explica o The New York Times.
O primeiro contato ocorreu no verão passado, quando Papi, um macho dominante, localizou uma caixa de madeira contendo uma tela de 15 polegadas na Reserva Florestal de Taboga. Inicialmente, o macaco apenas inspecionou o objeto. Após alguns toques, uma fatia de banana seca era liberada em uma bandeja, estabelecendo rapidamente a correlação: tocar na tela resultava em uma recompensa.
A estação foi projetada para identificar os animais em tempo real e registrar suas reações durante testes simples de aprendizagem. Para isso, os pesquisadores treinaram um modelo de inteligência artificial utilizando imagens dos próprios macacos estudados naquela região. Marcela Benítez, primatóloga da Universidade Emory, ressalta que para compreender como os primatas tomam decisões e utilizam seus cérebros evoluídos, é crucial contextualizar isso no ambiente em que eles vivem.
A fase inicial enfrentou um obstáculo imprevisto: durante os dois primeiros dias, nenhum macaco demonstrou interesse em interagir com o equipamento. O estudante de doutorado Federico Sánchez Vargas chegou a considerar reiniciar o projeto. Contudo, a situação mudou no terceiro dia com a aparição de Papi. Ao longo dos testes, 16 macacos interagiram ou exploraram a estação. Embora nem todos tenham compreendido a proposta, uma parcela conseguiu assimilar a tarefa.
Os dados coletados mostraram que dez dos dezesseis macacos aprenderam a pressionar a tela para obter alimento. Além disso, pelo menos oito desses animais conseguiram manter esse conhecimento em sessões subsequentes. Observou-se também que alguns animais tentaram interagir por meios alternativos, sem apreender o mecanismo. O sistema foi eficaz em documentar as variações individuais no processo de aprendizagem.
As próximas fases do projeto incluirão um modelo de reconhecimento facial mais sofisticado, apto a distinguir cada macaco individualmente, sendo que uma versão anterior dessa tecnologia já atingiu mais de 97% de exatidão nessa identificação. Os pesquisadores planejam introduzir novos desafios para mensurar habilidades como flexibilidade mental e controle de impulsos. Em certos testes, será necessário que os animais toquem em quadrados verdes enquanto evitam os vermelhos, além de se adaptarem quando as regras forem alteradas.
A equipe busca determinar se vivências específicas dos animais, como períodos de estiagem, podem impactar seu desenvolvimento cognitivo. Segundo Benítez, o propósito final é «relacionar a cognição aos desafios do mundo real, aos resultados e, no fim, à sobrevivência». Apesar do progresso tecnológico, os cientistas enfatizam que não desejam transformar a floresta em um local repleto de telas, afirmando que a intenção é usar a tecnologia meramente como auxílio para o entendimento dos primatas, sem substituir a observação humana.