Desde o primeiro teste positivo de gravidez, os pais frequentemente mergulham em uma preocupação constante relacionada ao desenvolvimento do bebê. Este processo inclui o monitoramento da ingestão de vitaminas, exames de ultrassom e, posteriormente, o acompanhamento de marcos como engatinhar, falar e comer.
Durante a idade pré-escolar e escolar, a ansiedade aumenta: a criança pode não conseguir ficar sentada à mesa, interromper conversas, esquecer coisas ou transformar a sala de estar em um circuito de obstáculos. Isso frequentemente leva os pais a procurar respostas na internet, tentando entender se o comportamento é normal ou um sinal de algo mais sério.
Com o aumento da conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) na África do Sul, surge uma questão importante: como traçar a linha entre uma criança naturalmente energética e aquela que necessita de ajuda profissional?
O Dr. Toshen Naidu, pediatra que atende na Mediclinic Pietermaritzburg, observa que o TDAH é um dos problemas neurodesenvolvimentais mais comuns na infância, geralmente diagnosticado na idade escolar. Ele enfatiza que a diferença entre o comportamento ativo típico e o TDAH é determinada por três fatores principais: frequência, intensidade e impacto.
Naidu explica que, embora a maioria das crianças experimente momentos de distração ou alta atividade, nas crianças com TDAH esses sintomas se manifestam de forma consistente em diferentes ambientes por pelo menos seis meses. Portanto, não é apenas um surto de caos após uma festa.
Dois tipos de TDAH: barulhento e silencioso
Existe um equívoco perigoso de que o TDAH sempre se parece com uma criança que está constantemente em movimento. Na verdade, o transtorno se manifesta de duas maneiras distintas. O primeiro é o tipo hiperativo-impulsivo, que representa o quadro clássico: a criança pode escalar móveis inadequadamente, falar excessivamente, agir sem pensar e ter dificuldade em esperar sua vez.
O segundo tipo é o desatento (ou TDAH 'silencioso'), que muitas vezes passa despercebido, especialmente em meninas pequenas. Essas crianças não fazem barulho; elas são propensas a sonhar acordadas. Elas podem olhar pela janela, perder sapatos diariamente, não seguir instruções de múltiplas etapas e deixar muitos afazeres inacabados. Ao mesmo tempo, elas não são preguiçosas; seu cérebro está em uma luta silenciosa pela concentração.
Além da 'apenas uma fase'
Um equívoco comum é que as crianças 'crescerão sozinhas'. Esse mito atrasa a obtenção de apoio vital no momento em que a autoestima da criança é mais vulnerável.
Muitas vezes, o ponto de virada ocorre na escola. Um professor pode notar que, apesar de grandes esforços, a criança não consegue terminar o dever de casa, distrai-se constantemente durante as aulas ou parece fisicamente incapaz de ficar parada. Naidu insiste que tais preocupações não devem ser ignoradas. Ele acrescenta que, às vezes, o TDAH apresenta sintomas semelhantes a dificuldades de aprendizagem ou problemas de processamento sensorial, tornando uma avaliação profissional abrangente extremamente importante para entender a situação.
Sem intervenção, crianças com TDAH absorvem críticas constantes, começando a acreditar que são 'preguiçosas', 'más' ou 'burras'. Com o tempo, esses rótulos negativos tornam-se parte de sua identidade, abrindo caminho para ansiedade, depressão e baixa autoestima na vida adulta. O diagnóstico precoce muda o foco da acusação para a compreensão, permitindo que, em vez de perguntar 'Por que você não me escuta?', se pergunte 'Como podemos criar uma pista para a sua mente acelerada?'
Muitos pais evitam procurar ajuda por medo de receber um diagnóstico precipitado ou prescrição imediata de medicamentos. No entanto, é preciso saber que os protocolos médicos adequados funcionam de outra maneira. Uma avaliação cuidadosa é uma tarefa colaborativa e multifásica, geralmente coordenada por um terapeuta ou pediatra em uma rede médica confiável, como a Mediclinic.
O processo inclui:
Coleta de feedback de várias fontes: coleta de questionários comportamentais detalhados de pais e professores para verificar a consistência do comportamento em diferentes ambientes. Exclusão médica: realização de exames físicos para eliminar problemas básicos, como problemas de audição ou visão, desequilíbrios hormonais ou distúrbios do sono, que podem imitar o TDAH. Avaliação psicológica: em muitos casos, psicólogos educacionais realizam avaliações para elaborar um perfil de aprendizado da criança e identificar dificuldades de aprendizagem associadas.
Os professores são aliados valiosos, pois observam as crianças diariamente em um ambiente altamente estruturado que exige concentração prolongada. Quando a escola implementa estratégias simples e amigáveis ao cérebro em sala de aula, a transformação pode ser significativa. Ajustes eficazes incluem posicionar a criança longe de janelas ou portas distrativas, dividir tarefas grandes em passos menores, usar listas de verificação visuais e fornecer pausas curtas e estruturadas para movimento. Essas adaptações não diminuem os padrões educacionais; elas nivelam o campo de jogo, permitindo que um cérebro brilhante e único aprenda, prospere e finalmente mostre seu verdadeiro potencial.


