A República Democrática do Congo (RDCongo) está enfrentando uma epidemia de Ebola em diversas províncias localizadas no leste do país, uma área que já sofre com conflitos há mais de três décadas.
O Ebola, uma doença transmitida pelo contato com fluidos corporais e caracterizada por causar febre hemorrágica, já resultou em mais de 15.000 óbitos em toda a África nos últimos cinquenta anos.
A epidemia mais letal registrada na RDCongo contabilizou aproximadamente 2.300 mortes entre os 3.500 casos identificados no período compreendido entre 2018 e 2020.
De acordo com os dados fornecidos pelas autoridades congolesas, até sexta-feira foram confirmados 3.532 casos de Ebola em cinco províncias do país, totalizando 1.556 mortes.
O patamar de 2.000 casos confirmados foi atingido em 15 de julho, apenas dois meses após a declaração oficial da epidemia, que ocorreu em 15 de maio.
Esta é a décima sétima epidemia de Ebola no país, sendo causada pela variante Bundibugyo, para a qual, até o momento, não há vacina ou tratamento disponível.
A Hilleman Laboratories anunciou na quinta-feira que desenvolverá uma vacina considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a mais promissora para combater a atual epidemia.
Adicionalmente, na semana anterior, um voluntário recebeu a primeira dose de outra vacina contra a variante Bundibugyo, desenvolvida pela Universidade de Oxford, que emprega a mesma tecnologia utilizada na vacina AstraZeneca contra a covid-19.
O epicentro principal desta epidemia de Ebola, cuja real extensão ainda é difícil de mensurar e pode se estender por vários meses, encontra-se na província de Ituri, no nordeste da RDC. Esta região concentra cerca de 90% dos casos, conforme relatado pela OMS, estando próxima às fronteiras com o Sudão do Sul e Uganda.
O vírus também está presente em outras quatro províncias, incluindo Kivu do Norte e Kivu do Sul. Nestas localidades, as capitais provinciais e grandes extensões territoriais estão sob controle do grupo armado não governamental Movimento 23 de março, que recebe apoio do Ruanda.

