Foi descoberto um dos esqueletos mais completos de um cão antigo que viveu há cerca de 30 milhões de anos. Este material fossilizado, guardado em uma coleção de museu por décadas, forneceu aos pesquisadores informações valiosas.
Descoberta no estado do Oregon
Os restos pertencem à espécie Mesocyon coryphaeus e foram encontrados no estado do Oregon, nos Estados Unidos. Graças a esta descoberta, os cientistas puderam entender mais profundamente a anatomia e o estilo de vida deste predador, que era significativamente diferente dos cães modernos, de acordo com informações do portal Phys.org.
Longa espera pela identificação
Inicialmente, o fóssil foi encontrado no final da década de 1980 no Oregon. Na época, os paleontólogos acreditavam que os ossos pertenciam ao oreodont, um grupo extinto de mamíferos relacionado a ovelhas, camelos e porcos. Portanto, o material foi preparado e preservado para futuras pesquisas.
Após anos, os pesquisadores removeram o crânio para exposição e perceberam que o animal era, na verdade, um predador antigo. Em 2012, uma nova preparação revelou o restante do esqueleto, mostrando que a amostra era quase completa. A paleontóloga Anne Kort assumiu a tarefa de descrever oficialmente o fóssil em um artigo publicado no Journal of Paleontology.
Detalhes do estilo de vida do cão antigo
O fóssil preservou praticamente todo o corpo do animal, exceto a cauda e algumas partes das patas. Além disso, havia uma formação óssea hereditária no punho do fóssil, chamada osteocondroma, que é encontrada em muitos representantes primitivos da família Canidae e ajudou a confirmar a identificação.
Os pesquisadores também estudaram os detalhes dos ossos para entender como este animal se movia. Diferentemente dos cães modernos, o Mesocyon coryphaeus possuía ossos mais robustos, um corpo mais baixo e articulações que permitiam maior rotação das extremidades dianteiras. O animal também tinha um casco — um dedo localizado na parte interna da pata, o que indicava que ele às vezes se movia apoiando-se no calcanhar, mantendo ao mesmo tempo a capacidade de escalar e agarrar objetos.
Habitat e extinção da espécie
De acordo com os pesquisadores, os primeiros cães surgiram na América do Norte há cerca de 40 milhões de anos. Quando o Mesocyon coryphaeus apareceu, dez milhões de anos depois, o clima global já havia esfriado, e as densas florestas começaram a ser substituídas por áreas mais abertas, compostas por florestas e arbustos. Apesar de viver nesse ambiente, este predador antigo ainda não possuía as adaptações à corrida observadas nos cães modernos.
O estudo também destaca que essa linhagem extinguiu-se completamente, sem deixar descendentes diretos. Para os cientistas, este fóssil demonstra que cada extinção significa a perda definitiva de uma forma de vida e características únicas que a evolução nunca reproduzirá com precisão.

