Um especialista afirma que o futuro da África do Sul é determinado não por riquezas materiais, como recursos minerais, espírito empreendedor ou localização estratégica, mas por um ativo invisível — a crença coletiva.
A essência do capital nacional
Muitos podem considerar os institutos financeiros, a Constituição ou a resiliência da população sul-africana como o recurso nacional mais valioso. No entanto, existe outro ativo que não pode ser medido em um balanço patrimonial nem tributado. É uma força invisível que determina se a nação irá progredir ou entrar em declínio. Este ativo é a convicção coletiva.
O papel da confiança no desenvolvimento das nações
Os estados mais bem-sucedidos do mundo não são apenas aqueles com as economias mais fortes ou os recursos naturais mais ricos. São sociedades onde os cidadãos compartilham uma fé comum em um futuro melhor; onde as pessoas confiam umas nas outras o suficiente para cooperar, e os empreendedores estão confiantes na existência de oportunidades, e os investidores estão dispostos a investir capital, e os jovens acreditam na possibilidade de melhorar o amanhã. As nações funcionam com base na confiança muito antes de começarem a operar com capital.
Desafios sociais e psicológicos
Durante a celebração do Mês Mandela, surge a questão de saber se o maior problema da África do Sul não é apenas econômico ou político, mas também psicológico. Surge a dúvida: as pessoas pararam de acreditar? Discussões públicas recentes sobre criminalidade, desemprego, imigração e desigualdade econômica apontam para um país sob enorme pressão. Esses problemas exigem soluções políticas sérias e um debate público honesto.
No entanto, paralelamente a essas preocupações legítimas, algo mais sutil está acontecendo: a coesão social enfraquece, a confiança pública diminui e a certeza se esvai. Quando a confiança desaparece, torna-se cada vez mais difícil construir prosperidade. Isso não é apenas uma opinião, mas uma conclusão confirmada por dados científicos.
Fundamentação científica do poder das crenças
Cientistas comportamentais demonstraram há muito tempo que as crenças moldam o comportamento. Pessoas que acreditam que seus esforços importam têm maior probabilidade de persistir, inovar e investir no futuro. Por outro lado, quando as pessoas perdem a esperança, elas se fecham, tornam-se menos propensas ao risco, menos empreendedoras e menos dispostas a trabalhar em conjunto.
Este mesmo princípio aplica-se às sociedades. Economistas frequentemente falam sobre a confiança dos investidores, mas a confiança dos investidores é apenas uma manifestação de um fenômeno muito mais amplo: a convicção coletiva. Os negócios investem porque acreditam no crescimento dos mercados. As famílias criam filhos porque acreditam na existência de oportunidades. Os empreendedores criam empresas acreditando que seus esforços serão recompensados. As comunidades cooperam porque acreditam que os outros farão o mesmo.
Ciclo de fé e produtividade
A convicção transforma-se em comportamento, o comportamento em resultados, e os resultados fortalecem a convicção. Isso gera um ciclo virtuoso ou destrutivo. A África do Sul vivenciou ambos os cenários. Houve momentos em que o país acreditou em si mesmo como um todo, por exemplo, durante a transição para a democracia ou na Copa do Mundo de Rugby em 1995.
A Copa do Mundo de 2010 mostrou que é possível quando o governo, os negócios, a sociedade civil e os cidadãos comuns se unem em torno de um objetivo comum. Apesar do ceticismo generalizado, a África do Sul realizou um dos torneios mais memoráveis na história da FIFA, apresentando ao mundo uma nação capaz de realizações extraordinárias. Por um curto período, os sul-africanos lembraram-se de como era sentir a crença coletiva. Esse sentimento foi importante, pois a fé é contagiosa, assim como o cinismo.
Crítica construtiva versus desespero
Hoje, o negativo domina frequentemente a conversa nacional: as redes sociais incentivam a raiva, os títulos amplificam os fracassos e o discurso político tende mais a dividir do que a unir. A crítica é necessária em qualquer democracia, pois garante responsabilidade, transparência e debates ativos. No entanto, existe uma diferença importante entre crítica construtiva e desespero coletivo. Nenhuma nação alcançou a prosperidade por conta própria através de conversas.
A história demonstra um quadro surpreendentemente consistente: a Alemanha recuperou a confiança após a guerra antes de restaurar a competitividade global. Singapura combinou liderança visionária com uma fé inabalável de que a ilha de recursos limitados poderia se tornar uma das principais economias mundiais. A Coreia do Sul transformou-se de um dos países mais pobres do mundo em um dos mais inovadores, cultivando um compromisso nacional comum com a educação, a excelência e o progresso de longo prazo.
O papel da liderança na criação de fé
O sucesso desses países foi baseado não apenas no otimismo, mas também na fé coletiva incorporada em ações disciplinadas. A África do Sul precisa exatamente dessa fórmula. A fé não substitui reformas econômicas, não pode substituir uma gestão competente, uma política sensata ou uma liderança ética. Mas as reformas também não podem ter sucesso se a nação parar de acreditar na possibilidade de melhoria.
Portanto, a liderança carrega uma responsabilidade muito maior do que apenas gerenciar instituições. A liderança cria fé. O maior legado é deixado por aqueles líderes que expandem a percepção das pessoas sobre o que é possível. Talvez este tenha sido o maior contributo de Nelson Mandela para a África do Sul. Sua proeza não foi apenas a transição pacífica para a democracia; ele inspirou milhões de sul-africanos e milhões de pessoas em todo o mundo a acreditarem na possibilidade de reconciliação quando o conflito parecia inevitável, que a esperança pode vencer o medo e que um futuro comum é mais forte do que um passado dividido. Ele entendia que, antes que as pessoas mudassem seu comportamento, elas precisavam primeiro mudar suas crenças.
A escolha de cada residente
Talvez este seja o desafio que enfrenta cada residente da África do Sul hoje. Líderes empresariais devem criar organizações nas quais as pessoas acreditem. Políticos devem restaurar a confiança através da honestidade e do cumprimento de promessas. Educadores devem ajudar os jovens a acreditar que seu potencial excede as circunstâncias. As comunidades devem recuperar o valor da coesão social acima da divisão social.
E cada um de nós tem a escolha sobre as histórias que contamos a nós mesmos e aos outros. Fortaleceremos o declínio ou nos tornaremos construtores de confiança? O futuro da África do Sul será determinado não apenas pelo PIB, nem apenas pelas eleições ou apenas pelos mercados globais. Também dependerá de se conseguirmos restaurar o ativo invisível do qual, em última análise, depende qualquer sociedade próspera — a crença coletiva. Porque quando uma nação acredita em si mesma, ela adquire a capacidade de realizar muito mais do que qualquer um poderia imaginar. E, talvez, este seja o investimento mais importante que a África do Sul pode fazer — não apenas em sua economia, mas em seu futuro.