A vitória da Espanha sobre a Argentina por 1 a 0 na final da Copa do Mundo foi apresentada como um triunfo da dignidade, tanto durante quanto após a partida. Em contraste, a Argentina demonstrou falta de disciplina, o que foi notado com o cartão vermelho de Fernández durante o jogo e a expulsão de Paredes após a partida.
Reação Política e Críticas
No entanto, o próprio jogo é apenas parte do quadro; a reação política a ele é outra coisa. Críticos observam que o bloco de esquerda/progressista não conseguiu compreender adequadamente o contexto político do jogo. Muitos progressistas rejeitaram a história de um país inteiro por causa de um jogador (Messi), sua equipe e torcedores, sucumbindo a teses sionistas que tentaram apresentar a Argentina, liderada por um presidente neoliberal, como aliada de Israel, usando Messi como bode expiatório. Este ponto de vista estreito e elitista é criticado neste artigo.
Conflitos Táticos e Geracionais
Fora de campo, houve um choque de estratégias e táticas, bem como um conflito geracional. Luis de la Fuente, técnico espanhol com vasta experiência com jovens, liderou uma equipe de estrelas em ascensão, como Yamal, Cubarsí e Nico Williams. Ao mesmo tempo, Lionel Scaloni, técnico que venceu a Copa do Mundo no Catar em 2022, se viu em uma posição desfavorável. No Catar, o mundo apoiava Messi e sua equipe, mas o amor pela Argentina foi diminuindo com o tempo. A razão não está no futebol, mas na política: o aparato propagandístico de Israel, agindo em conjunto com o presidente argentino de direita e pró-israelense Javier Milei, procurava apropriar-se da equipe para sua própria agenda.
Tentativa Fracassada de Apropriação
A tentativa de Milei e seus aliados sionistas de apropriar-se de Messi e da equipe argentina resultou em um fracasso total. Em uma entrevista recente, Messi reconheceu abertamente a crise econômica na Argentina, afirmando que joga pelo povo, e não pelo presidente. Em um episódio do programa El Destape chamado ESCÁNDALO EN LA ROSADA: Milei enojado con Messi por sus críticas y la bandera de Malvinas—Dentro do palácio presidencial, Messi repreendeu o presidente, dizendo: «Sabemos que as Copas do Mundo são especiais para nós, e esquecemos todas as coisas ruins pelas quais temos que passar — há pessoas que têm dificuldades, que não têm emprego, que não conseguem pagar as contas...»
A equipe também exibiu a bandeira das Ilhas Malvinas durante o jogo contra a Inglaterra, o que foi um desafio direto ao ministro da Segurança de Milei, que tentou proibi-la como «conteúdo político». Milei, segundo relatos, estava furioso, e isso preocupava seu círculo. O Ministro da Segurança Alejandro Montelovo declarou publicamente antes do jogo que os torcedores não poderiam entrar com bandeiras contendo o mapa das Ilhas Malvinas, citando que era «conteúdo político». No entanto, muitas bandeiras acabaram entrando, e os jogadores demonstraram seu patriotismo no jogo contra a Inglaterra.
Soberania Nacional Contra Lobistas
Esses atos de desobediência confirmavam as ideias de soberania nacional — a equipe não pertence ao presidente, e o incidente das Ilhas Malvinas, juntamente com os comentários de Messi sobre a economia e os trabalhadores, indicavam que eles não estavam jogando pelas regras dos lobistas pró-israelenses.
Mudança de Rumo da Argentina
De fato, desde dezembro de 2023, a Argentina mudou suas alianças, impulsionada pela influência de Trump e do Tesouro dos EUA. Lembra-se como ele influenciou as eleições antes da votação presidencial na Argentina, declarando nas redes sociais sobre Javier Milei: «Ele nos torna todos bons». Trump deixou claro que a ajuda financeira americana de 40 bilhões de dólares para a Argentina dependeria da manutenção do impulso político por Milei. Desde então, Milei mudou a política externa da Argentina, como sua saída do BRICS. Também foi observada uma mudança na política externa da Argentina na ONU; onde antes havia abertura à causa palestina sob governos Peronistas anteriores, agora há apoio ao sionismo. Milei, autoproclamado o presidente mais sionista do mundo, também transferiu a embaixada do país para Jerusalém, contrariando o consenso internacional.
Contexto Histórico e Propaganda
As tentativas de convencer Messi e a Argentina têm uma longa história fora do futebol. Vale notar que o texto fundamental de Theodor Herzl de 1896, Der Judenstaat (Estado Judeu), via a Argentina como um refúgio viável para judeus fugindo do antissemitismo na Europa, graças ao seu solo fértil e baixa densidade populacional. Messi tornou-se um alvo porque era o melhor jogador do mundo e poderia ser um ativo para as campanhas de Hasbara. Esta Copa do Mundo, realizada após inúmeras derrotas da propaganda israelense desde outubro de 2023, forneceu uma boa oportunidade.
O autor do artigo enfatiza como os líderes sionistas apoiaram a equipe argentina e como os progressistas seguiram-nos, criando a impressão de apoio público ao controle sionista. Mídia progressista mostrou imagens de Messi chorando, consolado por Trump de um lado e Netanyahu do outro. Outro vídeo mostra o regime israelense tentando pressionar os jogadores, com comentários expressando esperança de vitória sobre Sánchez. Além disso, vídeos e comentários no X/Twitter mostram Netanyahu, Ben-Gvir e Gideon Sa'ar apoiando a Argentina. Um clipe mostra Netanyahu dizendo (indistintamente, mas claramente): «Eu sou a favor da Argentina, mas será sujo» — seguido por risadas.
Apelo de Messi à Humanidade
Lionel Messi, campeão do mundo e jogador argentino, ousou defender os direitos das crianças em zonas de conflito, especialmente em Gaza, através de uma mensagem simples, atenciosa e solidária. Ele declarou: «Como pai e embaixador honorário da UNICEF, estou profundamente entristecido com as imagens que chegam do conflito entre Israel e Palestina, onde a violência já levou tantas vidas jovens e feriu inúmeras crianças». Ele acrescentou: «As crianças não criaram este conflito, mas estão pagando o preço mais alto. Este ciclo de violência sem sentido deve acabar». Messi também publicou uma foto de uma criança palestina ferida durante um ataque a uma escola em Gaza.
Como nota sobre injustiça midiática, o Times of Israel publicou um artigo intitulado «Messi posts pic of the wounded Gaza child», mas ao visitar este artigo, a foto está ausente — apenas uma foto de Messi e Netanyahu daquela Tur de mundo infeliz é visível. É sabido que a guerra de 2014 contra os palestinos, que os israelenses chamaram de Operação «Terra de Defesa», tirou a vida de mais de 1900 palestinos, incluindo 551 crianças, enquanto uma criança israelense morreu. Um estudo da Save the Children mostrou que a maioria das crianças de Gaza sofre de traumas, incluindo pesadelos, medo e incontinência noturna, algo que Messi não conhecia totalmente sobre as destruições.
Boicote e Solidariedade
Alguns anos depois, ele liderou a campanha para interromper o jogo amistoso da seleção argentina contra Israel em junho de 2018. Este jogo foi cancelado em grande parte graças aos esforços da sociedade civil e da organização de direitos humanos BDS. A campanha, iniciada pela BDS Argentina sob o lema «Argentina não vai» (#ArgentinaNoVayas), recebeu amplo apoio, incluindo o apoio dos jogadores. A embaixada de Israel na Argentina ficou indignada e declarou que o jogo foi cancelado devido a «ameaças de Messi, que logicamente provocaram a solidariedade de seus companheiros de equipe». Nada pôde mudar essa decisão; até mesmo a pressão de Netanyahu sobre o então presidente argentino Macri para continuar o jogo foi infrutífera. O atacante argentino Gonzalo Higuaín disse à ESPN: «No fim das contas, eles fizeram a coisa certa, e isso ficou para trás».
Além disso, em 2010, sob a liderança da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner, a Argentina reconheceu oficialmente o Estado da Palestina como um estado livre e independente dentro de suas fronteiras pré-1967.