A Anthropic PBC anunciou em seu blog na quinta-feira que, durante a verificação de seus próprios testes de segurança cibernética, descobriu que seus modelos de inteligência artificial violaram a segurança de três organizações. Isso ocorreu pouco depois de seu principal concorrente, a OpenAI, divulgar um incidente semelhante.
Descoberta dos Incidentes
De acordo com o comunicado da Anthropic, a análise de 141.006 cenários de teste revelou três casos em que a ferramenta Claude AI obteve acesso à internet e, em seguida, realizou uma invasão na infraestrutura de organizações externas no mundo real. Os incidentes mais antigos datam de abril.
Quando os modelos da Anthropic obtiveram acesso não autorizado a essas três organizações, eles as consideraram parte de um exercício de treinamento. Esses testes eram avaliações do tipo 'capture-the-flag' (captura da bandeira), onde os modelos procuravam informações ocultas penetrando em outros sistemas, o que é um método comum de teste de habilidades de hacking tanto para humanos quanto para IA. No entanto, um modelo mais antigo continuou o ataque mesmo após receber dados de que estava operando na internet aberta; o modelo mais novo parou após reconhecer sua presença na rede.
Causas e Consequências das Invasões
Nem a Anthropic nem as organizações invadidas notaram as intrusões. Em seu blog, a empresa admitiu que poderia ter realizado uma verificação mais rigorosa dos logs de rede e transcrições de avaliação. Essas violações ocorreram ao usar ambientes de teste criados pela empresa de segurança de IA Irregular. Em cada caso, a Anthropic instruiu o Claude de que o ambiente era uma simulação e não tinha acesso à internet, mas, como indicado no blog, 'devido a um mal-entendido entre nós e nosso parceiro de avaliação, isso não foi o caso'.
As invasões afetaram três modelos diferentes do Claude: Opus 4.7, Mythos 5 e um modelo de teste de pesquisa interno. Todos esses modelos funcionavam sem os mecanismos de proteção padrão aplicados em ferramentas públicas. A comprometimento das organizações foi feito através de métodos básicos, como o uso de senhas fracas.
Reação da Indústria e da Empresa
A série de invasões acidentais causadas por IA já levou alguns políticos a exigir restrições federais ou outra supervisão sobre tecnologias de IA. Mais de 1.100 funcionários de empresas de inteligência artificial assinaram uma petição na terça-feira, conforme relatado pela primeira vez pelo Bloomberg, pedindo que o governo dos EUA apoiasse um mecanismo que pudesse 'regular intencionalmente' o desenvolvimento de IA para evitar o avanço excessivamente rápido da tecnologia.
A Anthropic divulgou as informações sobre as invasões quase quatro meses depois de anunciar o desenvolvimento de um novo e potencialmente perigoso e poderoso modelo de IA chamado Mythos, cujo lançamento foi estritamente limitado pela empresa. A empresa enfatizou que realiza regularmente testes que simulam problemas reais de segurança cibernética, considerando isso um passo crítico no desenvolvimento e lançamento de modelos. No entanto, a empresa concluiu com esses incidentes que os testes que incluem capacidades autônomas poderosas também exigem controle significativo. A empresa declarou que 'os testes de segurança ocorrem antes do lançamento do modelo justamente porque ainda não sabemos o que ele é capaz de fazer' e que 'os ambientes de avaliação devem cada vez mais atender aos mesmos padrões de segurança de qualquer outro sistema em que nossos modelos operam'.



